Estados Gerais do PSD – “Mais sociedade …” ou “Mais do mesmo”?

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Segundo o ‘Expresso’, António Carrapatoso liderará a organização dos Estados Gerais do PSD, a realizar em Março próximo. Terá a colaboração do historiador Rui Ramos.

Desde as célebres e estéreis conferências do ‘Compromisso Portugal’, no início da década terminada em 2010,  o chairman da Vodafone tem  indisfarçável ambição  de ser  Ministro do Governo da República. Em  ‘Ano do Coelho’, é natural o recrudescimento das suas expectativas, no sentido de  ver concretizado o sagrado objectivo de coroar a carreira. E liderar os Estados Gerais do PSD é um excelente início do caminho para atingir a meta, há tanto almejada.

É interessante dar uma espreitadela para o curriculum de António Carrapatoso, elaborado para a Universidade do Verão de 2005, jornadas de ascética reflexão estival dos jovens da JSD – um amigo, há tempos, dizia-me tratar-se de uma universidade que só funciona, de facto, no Verão e por pouco tempo, uma vez que é dedicada a jovens refractários ao estudo no Outono, Inverno e Primavera. Mas, regressando ao curriculum, este menciona que o superdotado Carrapatoso, nos anos de 1988/1990, desempenhou os seguintes cargos: 

1988/90

Quimigal – Química de Portugal, SA  Administrador.

Sonadel – Presidente do Conselho de Administração

Unisol – Presidente do Conselho de Administração.

Uniclar – Presidente do Conselho de Administração.

Nutasa – CUF Sanders, SA, -Presidente do Conselho de Administração.

Colgate – Palmolive Portuguesa, SA, – Presidente do Conselho de Administração

Qual o significado do genial Carrapatoso, em menos de 3 anos, ter ocupado seis cargos de topo de outras tantas pirâmides empresariais? À cabeça, pode esclarecer-se que os primeiros cinco dos ditos cargos, a começar por Administrador da Quimigal, foram exercidos em simultâneo. A generosa nomeação do então Ministro da Indústria de Cavaco, Mira Amaral,  foi decisiva, mas a destreza, o eclectismo e a sabedoria do polivalente gestor completaram o milagre da multiplicação de funções. Por aqui,  o PSD e o País ficariam bem servidos. O pior é saber-se que, obedecendo ao gabinete de Amaral, e este, por sua vez, ao de Cavaco, António Carrapatoso alienou a favor da Colgate-Palmolive as empresas Sonadel, Uniclar e Unisol, integradas na Divisão de Óleos e Sabões da Quimigal. Tinham a missão de produzir e comercializar “detergentes, produtos de limpeza e de higiene pessoal”, no país e no estrangeiro (exportação). O nosso homem foi parte activa no processo de desindustrialização do país.

O ‘Xau’, o ‘Pop’, o ‘Superpop’, o sabonete ‘Feno de Portugal’, os produtos ‘Feno Vert Sauvage’, e outros, não passam de reminiscências da indústria portuguesa. A alienação a favor da Colgate-Palmolive teve nefastas consequências: a deslocalização de produções para o estrangeiro, a extinção de marcas  e de mais de meio milhar de postos de trabalho directos, além do mais. Foi um acto  lesivo dos interesses  da Economia Nacional. António Carrapatoso executou-o com mestria. 

Se é com a liderança de gente do tipo de Carrapatoso, e a participação de mais uns quantos citados no ‘Expresso’, entre os quais Daniel Bessa, Eduardo Catroga, Villaverde Cabral & Cia., seria mais apropriado que os Estados Gerais do PSD, em vez do lema “Mais sociedade …”, adoptassem a divisa “Mais do mesmo”.

Portugal está, como se sabe, refém do bloco central; isto,  há trinta anos. Há tantos quanto a duração da presidência de Hosni Mubarak no Egipto. Porém, na nossa capital, não existe Praça da Libertação. Temos, sim, a do Comércio, lugar do negócio de especiarias de outrora. Hoje, naquela praça como pelo país fora, a especialidade é o tráfico de influências e a má governação. Triste, muito triste. Sem saída à vista, estamos acorrentados a um labirinto de locais sujos e mal frequentados, como diria o intemporal Eça.

Comments


  1. Este deve ser o mentor dos cartazes ‘tristes’ do bloco onde ataca quem cria alguma coisa em Portugal.

    Fosse ele um chulo como o ‘padreco frustrado’ do Louçã e seria um exemplo de competência…

    Enfim, eles ainda acham que o Caviar não são ovas de um de águas longínquas mas algo que nasce ali na 5 de Outubro e que é um direito de todos os que não são do ‘centrão’

  2. Ema Madeira says:

    Este Mira Amaral , filho da p… do fanhoso, passa a santa a vida a mandar o povo apertar o cinto. Abstroncio, filho de uma é…… que se aproveita do sistema para enriquecer, merecia, tal com os gestores corruptos de bancos e empresas públicas, era um tiro nos c….

  3. Manuela Eiras Antunes says:

    De facto, ao googlar o nome deste aenhor, acabei confirmando uma ideia que tinha de que ele teria sido alvo de algo escandaloso relativo a fuga a pagamento de impostos, que metia uma prescricao de prazo, por nunca as financas o terem conseguido notificar. O valor era de cerca de 700000€, ele era presidente da vodafone rm exercicio. O assunto ,pelo que pude investigar, acabou com um processo a um funcionario das financas. O costume em Portugal.
    Este senhor andou mais ou menos retirado dos tabloides durante estes ultImos 2anos,tempo necessario ao arrefecimento deste assunto .
    E agora,ai vem ,em força , para “salvar Portugal”. Meu Deus, ha alguem em quem se possa acreditar?

    • Carlos Fonseca says:

      É contra este tipo de ‘privilegiados’, que iludem a sociedade com uma imagem de homens honestos (falsos), que me rebelo. PPC e os seus conselheiros ou estão enganados ou são coniventes. Assim, o PSD não consegue diferenciar-se, como tenta propalar.

  4. 43362627662272546 says:

    Estes montes simbolizam aquilo que o povo deve de Eliminar de vez deste Estado….
    Tenho o historial destes senhores todos e acreditem que só mesmo outros como eles os aceitem a alguns quilómetros de distancia…o PSD…e esse movimento… BPN ; BPP ;SLN …. 140% de lucro…até vendem a alma como remédio para o reumático…e desesperados até a família deles, imaginem o resto!!!…


  5. Proponham a taxa de 2% ao FMI; deixem-se de brincadeiras perigosas para a segurança e sobrevivência alimentar dos pobres-extremos(200 mil).
    Não aumentem a pobreza retirando direitos aos novos reformados com pensões baixas; não alterem a idade de reforma.
    Façam fábricas de salsichas com carcaças produzidas em Portugal, deixando de importá-las de Espanha, como actualmente acontece com as multinacionais.

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