Ou teimosia

Vamos falar de resiliência? Ora então, pergunto: por que razão teimam os Governos de PS e PSD em ser tão estupidamente resilientes à sua própria estupidez?

Esquerda? Direita? Terceira Via?

Fotografia: Tiago Petinga/LUSA

Desde 2019 que o Partido Socialista decidiu seguir um caminho diferente daquele que foi sendo delineado, à Esquerda, a partir de 2015, juntamente com os seus parceiros, Bloco de Esquerda e Partido Comunista. Achando que poderia governar à lá carte, o PS foi negociando medidas à sua Esquerda (nomeadamente em questões sociais) e à sua Direita (no que às Leis Laborais diz respeito), conforme lhe fosse sendo mais conveniente e, sobretudo, obedecendo ao patrão (União Europeia), não querendo, com isso, pôr em causa a “coligação positiva” construída para destronar a Direita do poder.

Quem tudo quer, tudo perde. Chegados a 2021, depois de atravessarmos um período pandémico, previsto por ninguém, no que à situação espaço-temporal se refere, mas previsto por muitos, no que à saúde pública e ao ambiente diz respeito, era inevitável chegarmos a uma situação de crise (não só de saúde pública) económica e, por conseguinte, social. Ora, sabemos, de antemão que, perante uma crise, e se tivermos em atenção a História Política Mundial desde os anos 80, o caminho a seguir pelos governos do Mundo Ocidental, são sempre feitos à Direita. Reagan e Thatcher teorizaram. O Mundo Ocidental adoptou as suas teorias como pílula dourada. Temos, hoje, um mercado desregulado, prostrado aos poderes comuns de uma elite usurpadora da economia, o que leva à decadência económica das classes baixa-média e, por oposição, enriquece, ainda mais, a tal elite dominante. Não fosse isto ponto assente, saberia o PS que o caminho a seguir, depois dos acordos estabelecidos, teria de ser feito, obrigatoriamente, à Esquerda. Tendo escolhido o caminho de “eleições antecipadas”, é ao PS que nos cabe assacar as responsabilidades pela crise política em que vivemos hoje. [Read more…]

“Enquanto há Moedas, há amigos”: a noite eleitoral onde todos ganham e ninguém perde

A vitória de Carlos Moedas em Lisboa, apoiado por uma coligação com pelo menos uma mão cheia de partidos, teve um condão: o de fazer esquecer o PSD da estrondosa derrota autárquica que teve.

Se hoje lermos o que dizem militantes e simpatizantes do PSD, parece-nos (e confunde-nos) que o partido foi o grande vencedor da noite eleitoral. Não foi; está no lote dos 3 maiores derrotados, ao lado da CDU e do meu BE.

Em sentido contrário, pelo que lemos e vemos, parece que o PS foi o maior derrotado, quando, analisados os resultados, pode até ter saído reforçado destas eleições. Sim, a CM de Lisboa é a maior Câmara do país; mas não é a única, e tampouco é mais do que qualquer outra. No geral, podemos dizer, apesar dos resultados do BE e da CDU, que a esquerda ganhou as eleições, à boleia do PS (o que se pode repercutir nas próximas legislativas). A direita, por seu turno, teve vitórias residuais (PSD em Lisboa, Coimbra ou Funchal, por exemplo) e, no restante, foi à boleia do Chega (este último que consegue índices interessantes de votação em territórios onde grassa mais pobreza e falta de alfabetização). [Read more…]

O Costa do pisca-pisca

O Primeiro-ministro António Costa, um cata-vento, acusou Rui Rio (naquilo que foi um baile ao ex-Presidente da Câmara do Porto), líder do PSD, de ser um cata-vento.

O líder do PSD, Rui Rio, um hipócrita, respondeu (numa de Madalena magoada), acusando o Primeiro-ministro de hipocrisia.

Já a seguir, a não perder: André Ventura, um populista, virá a público chamar populista a Suzana Garcia, candidata do PSD à Câmara Municipal da Amadora.

António Costa, como se sabe, é politicamente bígamo: pisca um olho à direita, para a seguir piscar o olho à esquerda. E Rui Rio, como se sente enganado depois de tantas juras de amor ao PS e ao centrão, já decidiu que ficará com a rameira da política portuguesa: o Chega. E tudo isto, sem que o líder dos laranjas se aperceba que o seu novo namorado, o Chega, só anda com ele por interesse, esperando uma morte certa para lhe ficar com a herança.

Imagem retirada do site funchalnoticias.net

A política do centro em Portugal é como uma novela da TVI: repetitiva, chata, sensacionalista e sem interesse.

eu cá não sou de intrigas nem de meias verdades

Esmiuço com atenção o Boletim Estatístico publicado pelo Banco de Portugal.

A dívida galgou os 130% do PIB, quedando-se agora nos 132,4% do PIB. Esse vírus despesista chamado Partido Socialista, dizem eles. Essa esquerda que só tem ideias quando há dinheiro, repetem. Esse socialismo que só existe quando há dinheiro, concluem. O Tratado Orçamental obriga que o Estado Português reduza a sua dívida pública a 60% mas apesar das previsões de redução apresentadas pelo governo para os próximos anos, não existe fórmula para que isso aconteça senão voltar a castigar os contribuíntes e a procura interna. Sabendo para já que o risco de deflacção é uma realidade. A deflacção poderá arrastar consigo mais uma surte de falências e desemprego. Menos receita a entrar nos cofres do estado por via das contribuições e mais despesa contraída em apoios sociais. (Faça-se tábua rasa e corte-se ainda mais nas condições de acesso ao benefício de apoios sociais, pensarão). Enquanto o défice estrutural do Estado (leia-se o estado gastar menos do que aquilo que recebe), a dívida continuará a aumentar porque, logicamente, o estado terá que pedir emprestado aos mercados para cumprir as suas obrigações. Desengane-se portanto quem pensa que a dívida pública e o défice estrutural são elementos desligados. São elementos intimamente ligados. Quase gémeos. Esqueçam todo o argumento que foi apregoado aos 7 ventos pela Ministra das Finanças e pelos seus tutelários do ICGP de que o Estado teria uma almofada financeira significativa para fazer face às suas obrigações no próximo ano. É pura mentira. [Read more…]

38 Anos a Correr Por Gosto

Não. Não digam os meus adversários socialistas que eu instigo ao ódio, ao ódio pelo Partido Socialista, ao ódio pelo seu ex-líder, o Nefando Primadonna. Não instigo a coisa nenhuma desse teor. Tenho instigado, sim, à indignação com ambos, que é coisa bem diversa e tem como escopo isto: Justiça! Fim da impunidade! Clareza e clarificação totais e absoluto escrutínio ao cêntimo. Se olharmos placidamente para o que têm sido estes trinta e oito anos de ‘democracia’ partidocrata e impunitária, verificamos ter havido uma corrida entre o PS e o PSD, cuja meta vitoriosa foi a disputa pelo título de partido mais daninho aos interesses gerais, o mais ávido com dinheiros públicos, o mais hibridado Partido-Estado nesse oportunismo glutão sobre o Erário. [Read more…]

Programa de governo do PSD: sempre a matriz empresarial

O PSD pediu a 55 empresários contributos para um programa de governo cuja elaboração está a ser coordenada por Eduardo Catroga. António Horta Osório ( novo CEO do Lloyds Bank), Faria de Oliveira ( CGD), José Maria Ricciardi ( BES- Investimentos), Ferreira de Oliveira ( Galp), Vera Pires Coelho ( Edifer), são alguns dos empresários, de várias áreas da vida económica, que colaboraram com esta iniciativa. Desse pedido resultaram 365 ideias que serão publicadas em livro, com prefácio de Pedro Passos Coelho, que já declarou que o partido não está vinculado a essas ideias, mas que não deixará de “as ter em boa conta.”

Longe de mim desprezar em bloco qualquer contributo constituído por tantas partes. Não posso, no entanto, deixar de começar por notar a omnipresença de Catroga, o homem que cozinhou em sua casa o Orçamento de Estado que está a ser aplicado pelo governo que o PSD critica. Para os mais distraídos, é o mesmo Eduardo Catroga que já foi Ministro das Finanças, no último governo de Cavaco Silva. É o que se chama, certamente, uma lufada de ar fresco no mundo bafiento da política portuguesa.

Finalmente, a matriz dos últimos anos mantém-se. Na opinião de muitos políticos, da extrema-direita à esquerda aparente, a resolução dos problemas do país reside, apenas ou sobretudo, na visão empresarial. Trata-se de um paradigma em que vivemos há vários anos e que, ao que parece, não tem contribuído grandemente para resolver os problemas do País. Segundo esse paradigma, são os empresários que detêm as soluções milagrosas e desinteressadas, porque um país não seria, afinal, mais do que uma empresa.

Sabe-se que chegarão mais contributos com os estados gerais. Não sei se aí, ainda que em segundo lugar, serão ouvidas outras classes profissionais e auscultados outros quadrantes da sociedade. O que se sabe é que o coordenador é António Carrapatoso, gestor e um dos promotores do Compromisso Portugal.