Um sinal do princípio dos tempos

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Ondas gravitacionais poderão ter sido detectadas neste padrão de luz dos primórdios do universo, podendo ajudar a explicar como este começou.

A importância desta descoberta reside em, pelo menos, dois aspectos. Por um lado, é a primeira detecção de ondas gravitações, tal como previstas na teoria da relatividade geral de Einstein. Mas mais importante é que, acreditam os cientistas, poderá ser a primeira prova directa que o universo ter-se-á expandido exponencialmente apenas uma fracção de segundo depois deste ter surgido (artigo completo na WIRED). (post scriptum: link para este assunto no Público)

A confirmar-se com mais experiências, isto será literalmente uma janela para os inícios dos tempos. Politólogos portugueses concluíram também que não será possível encontrar responsáveis pelo buraco financeiro em que nos encontramos antes desse big bang. Temos, portanto, uma boa janela temporal para apontar dedos a responsáveis mas, mesmo assim, acredita-se que eventuais culpas apuradas acabarão por prescrever devido a insuficiente tempo de preparação processual.

O big bang de Rubem Alves

Livro curioso é, sem dúvida, Do Universo à jabuticaba (2010) de Rubem Alves e que tem vindo a acompanhar-me nas últimas horas do dia!

É «ave rara» este brasileiro. Escreve cada coisa, mas eu gosto:

Onde estive eu, durante esse tempo imenso, bilhões de anos, que vão do big bang até o meu nascimento? (…) Para mim, o mundo foi criado quando eu nasci. O big bang aconteceu para mim quando minha mãe me pariu. Foi grande a demora? Custou-me esperar bilhões de anos? Não. Foi menos que um segundo. E agora, que a morte se aproxima, sei que vou voltar para o lugar onde estive. De novo, a espera vai ser grande? Não. Não esperarei mais que um segundo…

Lembro-me agora da visão da Física sobre este assunto, como não poderia deixar de ser. S. W. Hawking, o físico inglês que escreveu a célebre Breve História do Tempo (1988) dedica dezenas de páginas ao big bang:

(…) o tempo começou com o big bang, no sentido em que os primeiros momentos não podiam ser definidos. (…) não há necessidade física de um começo.

P.S.- O título deste post foi difícil de escolher! Foram muitas as hipóteses: «O meu big bang»,«o big bang importa», «o big bang que importa» ou «o big bang, que importa isso?»

Que deus?

(Dedico este post à nossa simpática Maria Monteiro)

Apoiado nas leituras de Pepe Rodriguez, doutorado em psicologia pela universidade de Barcelona, e um dos mais categorizados conhecedores e especialistas em matéria de seitas e religiões, permitam-me que construa algumas das minhas opiniões àcerca da ideia de deus.

Deus é um conceito recente dentro da evolução do nosso processo cultural. Mas a força deste conceito tornou-se tão poderosa que permitiu às instituições religiosas, que governam a presunção da sua realidade, a mudança radical dos comportamentos individuais e colectivos das relações humanas.

Há mais de dois milhões de anos a espécie humana sobrevivia e morria sem deus, num planeta inóspito, no meio de uma total indiferença em relação ao Universo. Há noventa mil anos atrás, uma parte da humanidade parece ter começado a pensar na ideia de uma possível existência para além da morte. Há trinta mil anos deus ainda não existia. Por essa altura começou a esboçar-se a ideia de um deus, mas a sua imagem e características eram as de uma mulher todo-poderosa. Daí o dizer-se que deus nasceu mulher. Só depois do terceiro milénio a.C. começou a surgir a ideia de um deus criador/controlador, mais ou menos como é imaginado pela humanidade actual. [Read more…]

Resumo resumidíssimo do que me ficou de Dawkins

 (Texto enviado por uma amigo, colega oftalmologista, José Maria Soares)

 

Qual a maior ambição de um ser humano?

A vida eterna. Ao concluir ser essa aspiração impossível, de que se serviu para a manter? Das diferentes religiões que duma ou doutra forma lha prometem.

 Porque ambiciona o homem uma vida eterna’

Porque tem memória e uma vida afectiva. Quer encontrar e perpetuar os seus afectos terrenos numa outra vida já que nesta tem de se submeter ao nasce, cresce, reproduz e morre. A única maneira que tem o homem para justificar a morte é a existência de uma outra vida, a extra-terrena.

 Como nasceram as religiões?

Alguém a par daquelas e de outras ambições, de acordo com os interesses da comunidade, do estado civilizacional dos seus comparsas e da sua capacidade de digerir ficções, criou-as com mais ou menos sofisticações. Nasce assim uma religião, uma profissão e uma classe social : o clero.  [Read more…]

Big Bang ou Fiat Lux?

Big Bang  ou  Fiat Lux ?

 Não sei se alguém teve a infelicidade de ouvir hoje na Antena 2 o programa Quinta Essencia, em que o amigo João Almeida entrevistou um tal Senhor Luís Archer, jesuita tido e apresentado como brilhante cientista e homem de fé.

 Deus meu!!!

Logo ao fim do primeiro rol de disparates, eu mudei de estação. Mas vocês sabem como é, quando a asneira e o disparate atingem um tal grau de estupidez, nós sentimos uma necessidade quase masoquista de ouvir, embora façamos todos os trejeitos e sintamos todos os arrepios que a situação nos causa.

 Quanto á entrevista de João Almeida, acho muito infeliz a escolha do entrevistado e acho a entrevista desumana e até cruel, por três razões principais:

 1-Com tanto cientista a sério, que daria tanto gozo e prazer ouvir, gasta tão nobre tempo de antena, enfiando-nos nesta insípida caldeirada de asneiras e disparates.

2-Penso que é desumano fazer espectáculo com a estupidez, seja em que circunstância for, e ridicularizar a este ponto o entrevistado, por mais simpático que João Almeida procurasse ser na sua argumentação.

3-Penso que é cruel o amigo João Almeida, inteligente como é, argumentar com tanta sagacidade perante uma inépcia quase total. É quase como se eu, pessoa de alguma cultura, ridicularizasse a ignorância do Sr. António lá da minha aldeia. Até faz doer a alma. Isso não se faz, João Almeida. Creia que a determinada altura eu até já tinha pena do homem. Fiquei chocado!

 Nota: Se tiverem a oportunidade e a possibilidade de ouvir a gravação, não deixem de o fazer. Por puro masoquismo.