Big Bang ou Fiat Lux?

Big Bang  ou  Fiat Lux ?

 Não sei se alguém teve a infelicidade de ouvir hoje na Antena 2 o programa Quinta Essencia, em que o amigo João Almeida entrevistou um tal Senhor Luís Archer, jesuita tido e apresentado como brilhante cientista e homem de fé.

 Deus meu!!!

Logo ao fim do primeiro rol de disparates, eu mudei de estação. Mas vocês sabem como é, quando a asneira e o disparate atingem um tal grau de estupidez, nós sentimos uma necessidade quase masoquista de ouvir, embora façamos todos os trejeitos e sintamos todos os arrepios que a situação nos causa.

 Quanto á entrevista de João Almeida, acho muito infeliz a escolha do entrevistado e acho a entrevista desumana e até cruel, por três razões principais:

 1-Com tanto cientista a sério, que daria tanto gozo e prazer ouvir, gasta tão nobre tempo de antena, enfiando-nos nesta insípida caldeirada de asneiras e disparates.

2-Penso que é desumano fazer espectáculo com a estupidez, seja em que circunstância for, e ridicularizar a este ponto o entrevistado, por mais simpático que João Almeida procurasse ser na sua argumentação.

3-Penso que é cruel o amigo João Almeida, inteligente como é, argumentar com tanta sagacidade perante uma inépcia quase total. É quase como se eu, pessoa de alguma cultura, ridicularizasse a ignorância do Sr. António lá da minha aldeia. Até faz doer a alma. Isso não se faz, João Almeida. Creia que a determinada altura eu até já tinha pena do homem. Fiquei chocado!

 Nota: Se tiverem a oportunidade e a possibilidade de ouvir a gravação, não deixem de o fazer. Por puro masoquismo.

Comments

  1. xico says:

    Realmente, quando os cientistas não estão de acordo com o nosso pensamento ou não se guiam pelo politicamente correcto, é mais fácil chamá-los ignorantes.
    O tal jesuíta (coisa horrorosa) tem um péssimo currículo, de homem absolutamente inculto:
    Luís Archer
    Licenciado em ciências biológicas Universidade do Porto
    Licenciado em Filosofia na faculdade de teologia de Braga
    Licenciado em Teologia na mesma faculdade
    Doutorado em genética molecular pela universidade de Georgetown dos EUA
    Doutorado em biologia pela faculdade de ciências
    Instituiu e chefiou o laboratório de genética molecular do Instituto Gulbenkian de ciência
    Professor visitante no Massachusetts Institute of Technology dos EUA
    É sócio honorário de seis sociedades científicas, portuguesas e estrangeiras, membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa, da European Academy of Sciences and Arts, de Salzburgo, e da New York Academy of Sciences, dos E.U.A.

  2. Luís Moreira says:

    Não sei o que o Adão ouviu, mas Luis Archer é um brilhante cientista.


  3. Tenho muita gente amiga e conhecida, com elevadíssimos curricula, gente que
    sabe muito mais do que eu e com quem eu me delicio e aprendo, e que não
    estão de acordo, em muitas coisas, com o meu pensamento.
    Muito se engana a meu respeito, amigo Xico.
    Todavia, porque é gente para quem a cultura não é um cesto de licenciaturas
    e doutoramentos, mas é muito mais do que isso, nunca na vida mostraria numa
    entrevista da rádio uma tal incapacidade de dizer o que quer que seja.
    O meu curriculum é muito inferior, passado ao papel, mas eu sentiria
    vergonha se estivesse no lugar desse Senhor na entrevista que deu. Não
    porque divergisse da minha forma de pensar, dado que ele não foi capaz de
    pensar e dizer nada de concreto e entendível, mas pela pena que me deu a sua quase
    indigência mental. Uma aflição!
    Em termos de curriculum gostaria de acrescentar o seguinte: Tenho uma pessoa muitop amiga que é super, mas super inteligente, com uma lucidez mental que encanta e faz inveja. Pois essa amiga resolveu, por questões curriculares, tirar o mestrado de Bioética. No fim do curso, disse- me com mágoa, e referindo-se às pessoas, ditas cultas, que lhe ministraram o curso, que nunca viu gente com tal pobreza mental.

    • Luís Moreira says:

      O Luis Archer não é o presidente da “comissão para a ética e para a vida”? Profundamente conservador, claro, mas julguei que não dizia barbaridades…


  4. Creio que é.
    Luis, quanto ao Senhor ser um homem de fé, eu não meto prego nem estopa. jámais. E nem digo que o homem proferiu barbaridades. O que digo é que o Senhor não diz nada, não tem qualquer fio de pensamento, faz tal salgalhada de ideias, se é que se pode chamar a isso ideias, que mete pena, mete dó. Entrevistas destas não deviam ser permitidas porque se tornam demasiado ridículas e cruéis. Mete pena.

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