Ne me quitte pas

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Foi ao som de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel que Bono Vox, ajoelhado,  fez a homenagem dos U2 a Paris e encerrou a iNNOCENCE Tour.

Ver Bono ajoelhado fez-me pensar na política francesa e europeia. Está quase a fazer um ano que regressei a Paris e voltei a ver/sentir o que já tinha visto e sentido poucos anos antes. Desconforto.

Desconforto de muitos franceses, portugueses, africanos ou asiáticos que se sentiam (e sentem) “abandonados” por um conjunto de políticas internas descuidadas que os atiram para os braços da Frente Nacional, uma espécie de “lado negro” da política francesa. E as últimas eleições em França (tanto as europeias como agora as regionais) são disso testemunha.

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Que procuras tu Bono Vox?

Afinal, é bem pior do que imaginei: a pregação do capitalismo como solução para a pobreza mundial não é sequer comparável à parceria com os terroristas ambientais da Monsanto. Quando há umas horas atrás, a propósito desta conversa, um amigo me falou desta amizade do vocalista dos U2 com os vampiros agro-alimentares, nem quis acreditar. Não sou fã da banda mas até gosto de umas músicas. E apesar de achar “excessiva” a defesa do capitalismo (até pode ser um dos bons que eu nunca tenha ouvido falar) como solução para eliminar ou, vá lá, reduzir drasticamente a pobreza, respeito o artista e um homem que também já ajudou muita gente. Dinheiro eu até percebo. E ele nem deve estar particularmente necessitado mas percebo. Mas a Monsanto? Os gajos dos químicos que dão cabo dos legumes? Foda-se Bono, que desilusão.

Capitalism Bloody Capitalism

Bono

Se calhar o homem até tem razão. Mas se tem, o capitalismo de que fala não deve ser o mesmo que sacrifica milhões em países sub-desenvolvidos por quem Bono corre o mundo a pedir ajuda. Talvez não fosse precisa tanta ajuda se o capitalismo que temos não fosse tão selvagem e não deixasse um rasto de exploração e destruição tão grande atrás de si. Será que um dia veremos o vocalista dos U2 presidir a uma importante organização internacional?

Sons do Aventar :: U2 :: Songs of Innocence II

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O tempo é bom conselheiro. Escrevi aqui sobre o último trabalho dos U2 logo após a sua publicação no iTunes. Agora, passados uns dias e depois de ouvir “Songs of innocence” várias centenas de vezes (sim, centenas delas) julgo estar mais habilitado para uma análise mais “profunda”.

Para início de conversa: é o melhor álbum dos U2 desde 1991. Ou seja, desde “Achtung Baby”. Nunca me tinha acontecido tal. Nas primeiras audições gostei, apenas e só. Quanto mais vezes ouvia e ouço, cada vez gosto mais. Talvez tenha começado por ouvir ainda com os dois anteriores em mente, os que menos gosto da banda. Um preconceito errado. Mea culpa.

As primeiras músicas que me despertaram a atenção foram “Every breaking wave”, “California”, “Song for Someone”, “The Troubles” e “Raised By Wolves”. Ao longo dos dias e das várias audições despertei para “Iris, hold me close” e “Sleep like a baby tonight”, “Cederwood road” ou “This is where you can reach” e assim de repente temos praticamente todo o álbum. Portanto, estou rendido. Algumas vão “explodir” ao vivo graças ao seu enorme potencial em concerto. Outras vão ficar para sempre coladas ao corpo. Ok, não estamos perante um “War”, “Inforgettable Fire”, “The Joshua Tree” ou mesmo “October”. Mas não fica muito longe de alguns deles, não senhor. Arrisco mesmo que é um renascer.

Agora é esperar, ansiosamente, que arranquem os concertos! E enquanto isso, mais umas centenas de vezes a ouvir estes “songs of innocence” enquanto não chega o “Songs of Experience”…

Every breaking wave on the shore
Tells the next one “there’ll be one more”
Every gambler knows that to lose
Is what you’re really there for
Someone I was fearless
Now I speak into answer phone
Like every falling leaf on the breeze
Winter wouldn’t leave it alone
Alone

If you go?
If you go your way and I go mine
Are we so?
Are we so helpless against the tide?
Baby, every dog of street
Knows that we’re in love with defeat
Are we ready to be swept off our feet
And stop chasing
Every breaking wave

Aconteceu em Dublin

Pelo quarto ano, o grande Bono, vocalista dos emblemáticos U2, animou as ruas da «fair city» Dublin. Aqui, acompanhado por Lisa Hannigan e Glen Hansard. Quem também alinhou nesta cantoria solidária foi a fantástica Sinead O’Connor, juntamente com outros artistas. Todos ele fizeram da bela Grafton Street, símbolo do consumismo, uma rua solidária. Estes seres humanos admiráveis juntaram-se a fim de angariar fundos para instituições de ajuda a pessoas sem abrigo, no que já se tornou uma tradição da noite de Natal de Dublin.

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