Vai ao fundo!


Era de esperar. Após a especial promoção do nome de Portugal em terras do Tio Sam, há quem queira criar um “fundo especial” para a defesa de uma causa que a ser classificável, é no mínimo, “exótica”.

O próximo passo poderá ser a convocação de uma marcha de rastos, a realizar-se entre o Rossio de Cantanhede e a porta da embaixada norte-americana em Lisboa. Pouco falta. Entretanto, a nossa imprensa vai fazendo passar a ideia de que a justiça americana, é parecida com aquela supina referência mundial, ou seja, a portuguesa que tão bem se conhece. Os deuses devem estar loucos!

Não Há Fiança!

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Detido no hospital pelo menos até ao próximo dia 1 de Fevereiro por determinação do Juiz de Nova York que o ouviu, Renato tem sorte pois que está a ter todo o apoio que se lhe pode dar. Já tem advogado nos states e uma outra em Portugal que afirma que apesar de ter confessado o crime ele é apenas um suspeito, já tem apoio consular, já tem a mãe, já tem namorada, já não tem o apoio de Carlos Castro nem dos amigos dele nem dos familiares dele mas não se poderia esperar outra coisa, já não é maricas, já não sairá dos EUA nos próximos vinte e cinco anos, já vai tendo o apoio dos quatrocentos amigos que em Cantanhede fazem cordões humanos em sua honra, e já não tem, nem terá jamais, a vida que sonhou e que o levou a fazer o que disse que fez. [Read more…]

E se o moço for culpado?

Não, claro que não. Claro que não tenho a certeza de que foi Renato Seabra que assassinou Carlos Castro. Não estava lá. O que sabemos acerca de uma eventual confissão terá sido soprado aos jornalistas pela polícia. E a polícia de Nova Iorque, como toda a gente sabe desde A Balada de Hill Street, não é de fiar. Ainda se o interrogador tivesse sido o Frank Furillo… Assim, nunca se sabe quais as reais intenções dos polícias.

O comportamento alegadamente suspeito do jovem pretendente a manequim, o sangue na roupa, a alegada tentativa de suicídio são tudo coisas que se podem explicar ou, não podendo ser clarificadas, podem sair da fértil imaginação de detectives com muito tempo livre ou dos poderosos adversários do ex-concorrente de programas televisivos. Uiii, que segredos não terá ele a revelar?

Não, não sei se Renato Seabra é ou não o assassino. Não estava lá. Não sei eu nem sequer as boas pessoas que, pelos vistos, sairam à rua na sua terra. Para, alegadamente, se solidarizarem com um eventual homicida. Se tiverem razão e o moço for inocente, podem cantar vitória. Se for culpado, quero vê-los a promover uma sessão de homenagem a Jack, o Estripador, Charles Manson, Ted Bundy ou o Estripador de Lisboa.

De Carlos Castro a Renato Seabra, um Portugal com a boca no cu

cu_na_mao As caixas de comentários estão cheias deles. O diagnóstico é simples: pessoal com a vida sexual mal resolvida, seja por uma coceira anal que pudor e preconceito impedem de assumir, seja por outra razão menos complexa e mais delambida. O crime passional do momento soltou-lhes a voz e abriu-lhes a alma. Uma bicha deixou de ser um humano: passou a ser a aberração que temem assumir ser, mas mesmo assim são. A prostituição masculina deixou de existir, foi promovida a fazer-se à vida. Quanto mais sórdido melhor. E como lembra o Eduardo Pittamuita gente se espanta que heterossexuais conspícuos e respeitados pais de família levem no cu.”

É assim Portugal. Carlos Castro, um tipo que ganhou a vida a cuscar a dos outros, numa das mais repugnantes funções sociais de algum papel pintado de cor-de-rosa, acaba devassado post mortem na sua própria castração, tendo a morte que merecia. Renato Seabra, o gandarês que os jornais confundem com bairradino numa geografia etílica, pode ser assassino mas homossexual nunca foi, esquecendo-se quem assim o avalia que nesse caso desce para a categoria de prostituto, uma profissão muito pouco respeitada entre nós, convenhamos.

Com isto anda entretido o país que adora meter o nariz no cu dos outros. Um país de castrados em vida, já sabíamos, sempre prontos a mandar palpites sobre a boa e má vida dos outros.

E andam p’los cafés como as pessoas / e vestem-se na moda como elas, / e de tal maneira domésticos / que até vão às mulheres / e até vão aos domésticos.

Porque como tão bem e também escreveu Almada Negreiros:

É que a Natureza é compensadora: / quem não tem dinheiro p’ra ir ao Coliseu / deve ter cá fora razões p’ra se rir.

De borla.

O país da avestruz, ou o caso Carlos Castro versus Renato Seabra


Vejamos:

1. Um garoto minúsculo de seu nome Renato Seabra e com 1,90m de altura, decide defender-se de Carlos Castro, um ancião musculadíssimo e bastamente capaz de aparar todos os golpes, do alto do seu metro e meio. Durante uma hora, o miúdo consegue usar o dito oponente, como se um saco de boxe fosse. Após porfiado esforço, matou-o.
2. Como uma clara reminiscência do passado das lutas entre índios e cow-boys, o boy decide-se a rematar a sua vitória. Não retirou o escalpe ao “cara-pálida da morte”, mas cortou-lhe o órgão sexual, para isso se servindo do saca-rolhas, que por sinal, já usara para espetar no olho do vencido. Uma espécie de troféu espanta-espíritos.
3. O infantil vencedor da refrega, declarou à policia que se ligara o velhote, para dele se aproveitar monetariamente. Tudo bem e “nos conformes”, rege-se pela muito louvada lei da oferta e da procura. É uma profissão como outra qualquer.
4. A mãe do menino desloca-se a Nova Iorque e a sua obsessiva preocupação, é declarar que o rebento não é homossexual. Corroborando a certeza, a médica-irmã fala às televisões, tentando justificar o ocorrido, como qualquer coisa de “força maior” e que sobretudo, o rapaz não é, não é, não é de forma alguma, gay.
5. Apareceu de rompante, uma até agora desconhecida namorada.

Conclusão apressada e sem grande fundamento policial: aparentemente, os parentes e amigos, estão-se nas tintas para que o dito cujo seja acusado de assassínio ou de ser um modelo de rent-boy. O que os preocupa, é a questão das alegadas práticas sexuais do “miúdo” e convivas.

Tempos estranhos, estes… A coisa assim cozinhada, nem sequer servirá para um CSI New York.

Desculpem lá, Mas, Sou Só eu, ou Há por aí Mais Quem Não Entenda?

RENATO SEABRA CONFESSOU O CRIME
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Estava a fazer um esforço para não comentar a notícia da morte de Carlos Castro. Toda a gente e mais alguma entendeu ter alguma coisa a dizer sobre o assunto. Uns a falar da vida que Castro escolheu, outros a falar da vida que Renato abraçou, muitos a falar da violência e outros tantos a tentar branquear o que foi feito. Muitos também a dizer asneiras em cima de asneiras sem ter em conta os familiares dos envolvidos.
Mas acabei por não resistir ao ler que  a morte de Carlos Castro mais não era que um crime de violência doméstica e mais nada. Não percebi. Não deveriam estes senhores e senhoras levantarem-se e gritarem a uma só voz a sua revolta? Fiquei a saber que esta morte não abalou o mundo LGBT. Para o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, “Carlos Castro terá sido unicamente vítima de violência doméstica”, algo que “infelizmente” também acontece entre casais “heterossexuais”. [Read more…]

Carlos Castro, Renato Seabra, o saca-rolhas e a capa do JN

Ah, quem não se lembra das fantásticas capas que O Independente nos proporcionou? Naquele tempo Paulo Portas tinha em Cavaco Silva o seu odiozinho de estimação, não havia governante que não tremesse à quinta-feira à tarde, com medo de uma chamada daquele jornal, e até o Expresso lançava manchetes que dominavam as agendas informativas durante alguns dias.

Hoje não temos nada disso. Mas, de vez em quando, temos o JN. Às vezes consegue surpreender. Hoje, por exemplo, à boleia do caso Carlos Castro / Renato Seabra oferece-nos uma capa de elevado humor negro. Ao nível do melhor humor britânico. Aposto que amanhã trazem um saca-rolhas.

Carlos Castro teve a morte que merecia


Ouvi no supermercado um homem dizer que Carlos Castro teve a morte que merecia, sendo que, na conversa com o amigo, nunca o tratou pelo nome mas antes pela «bicha louca».
Embora por razões diferentes, sou obrigado a concordar com aquela frase. Carlos Castro foi uma pessoa diferente das outras, não foi uma pessoa dita «normal», por isso não podia ter tido uma morte «normal», na cama de um hospital ou na passadeira de uma rua.
Num país mesquinho, cheio de preconceitos e invejas, Carlos Castro viveu como quis e como lhe apeteceu. Aproveitou bem a vida e, até ao fim, fez-se rodear do prazer. A ironia de ter sido precisamente esse prazer a conduzi-lo à morte não passa disso mesmo, de uma ironia.
A morte num quarto de hotel de luxo da cidade amada, Nova Iorque, às mãos do seu último amor – uma relação de «faca na liga» que foi notícia em Portugal, em Espanha, nos Estados Unidos, no Brasil. Um mito. Quantos não dariam a vida para ter uma morte assim?

Morreu Carlos Castro

Morreu o “jornalista” e cronista social Carlos Castro. A RTP abriu o jornal da tarde com a notícia da morte violenta deste cidadão português e a SIC dedicou ao tema os nove primeiros minutos do seu noticiário das 13h.

Seguem-se as honras de Estado? – o seu imenso trabalho “social”, o seu altruísmo, a sua abnegação e a sua relevância cívica assim o exigem.