Sarita, a bailarina

adão cruz

Acordei às seis da manhã, eram sete em Santander.

Sem ponta de sono, fui à janela do pequeno Hotel Central, na Rua General Mola, paralela ao Passeio que ladeia o mar. Caía uma chuva miudinha e a rua estava escura e completamente deserta.

Preparei-me e saí. Pequeno almoço só a partir das oito. [Read more…]

O que temos aqui é uma falha de comunicação

Compreendo a revolta do nosso Jorge quando pede ao Governo para não cortar mais na despesa porque a sua carteira já não aguenta mais.

Afinal de contas,  estava tudo à espera que este Governo se referisse à despesa pública quando fala em cortar na despesa.

Talvez não seja bem assim.

O Governo parece estar preocupado, sim, em cortar na despesa privada. E não há melhor modo para isso do que tirar o dinheiro da carteira das pessoas.

Sem dinheiro o pessoal não gasta. A não ser que peça emprestado e se endivide ainda mais, além do tutano, e se agudize ainda mais a crise financeira e tal e coisa…

Pois…

Teoria dos bolsos

Desengane-se quem pensa que vou falar de corrupção. É já assunto muito “varado”.

Vou falar acerca dos bolsos na indumentária masculina, e em como isso reflecte as nossas diferenças para com o sexo oposto.

Aos homens, os bolsos servem para compensar a ausência de espaço que as carteiras proporcionam às mulheres.

As mulheres possuem um saco mágico onde conseguem ter tudo quanto faz falta (e o que não faz). Mas nós somos obrigados a espalhar a tralha pela nossa roupa: porta-moedas, chaves do carro e de casa, tabaco, isqueiro, óculos, carteira, telemóvel, caneta (por vezes em parelha com um daqueles pequenos pentes de plástico oferta de hotel), documentos, agenda, livro de cheques, lenço, etc.

Ora, em média um casaco tem cerca de 7 bolsos: três exteriores e quatro interiores. Se somarmos três bolsos (no mínimo) das calças, passamos a ter 10 bolsos. Se o fato for de colete, acrescente-se mais 2, e temos 11 bolsos. Mas deixemos os coletes, e fiquemos pelo fato mais usual de 10 bolsos. São 10 esconderijos em que nos habituamos a espalhar, ao longo das vestes, a palamenta com que vivemos diariamente.

Um visão radiográfica, faria de nós expositores andantes.

Mas além de nos habituarmos, faz parte da nossa mentalidade masculina: a partir do momento em que algo está guardado para nós está arrumado, finito, missão cumprida. Para as mulheres, não: as coisas têm de estar guardadas e arrumadas. Se para os homens estar guardado e arrumado são a mesmíssima coisa, para as mulheres são duas realidades distintas. Daí que o homem aprecie mais um armário e as mulheres uma vitrina.

Sossega-me, no entanto, que a evolução da espécie será na direcção do homem deixar de precisar de esconderijos: nos filmes de ficção científica as roupas não têm bolsos, pois tudo está concentrado num aparelho que fica preso à cintura ou aperta no pulso, e que além de ter a nossa identidade, telefone, televisão e computador, também dispara raios-laser.