Sou contra a *co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo

Estava sossegado a tomar o meu café, depois de umas páginas sobre o Cícero e o Timeu de Platão, quando, sei lá bem porquê, comecei a ler as notícias do dia e me deparei com um título fundador (já S. Tomás de Aquino lembrava, no De Ente et Essentia e bem acompanhado pelo Estagirita, que “[q]uia parvus error in principio magnus est in fine”). Decidi, muito rapidamente, trazer de novo ao Aventar aquela que é, aparentemente, uma das mais enigmáticas bases do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90): a XVI.

Segundo o Público, «[d]epois de Áustria, Finlândia, Alemanha e Israel, Portugal é o quinto país onde a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada». Acrescentaria que, sendo o quinto país em que a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada, Portugal será muito provavelmente o primeiro a não saber escrevê-la. Salvo honrosas e excelentes excepções, como o Público.

Efectivamente, segundo a base XVI do AO90, «[n]as formações com prefixos (como, por exemplo […]  (co- []), só se emprega o hífen nos seguintes casos: a) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: […], co-herdeiro […]; b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento […]; Não se emprega, pois, o hífen […] Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente […] coeducação».

Ora, sabendo nós [Read more…]

A pobre democracia

No Dia da Liberdade, olha-se para a democracia portuguesa com mais atenção e reparamos que não anda de boa saúde, está frágil, tristonha e sem graça como o tempo metereológico. Este diz que está em crise, o outro “com baixa intensidade”, aquele outro que “os interesses do povo não estão à frente de coisa nenhuma” e ainda que “não há condições para uma democracia plena”. Que “temos hoje uma democracia autoritária” que “a negociação social desapareceu” que os que nos governam estão a fazê-lo “sem norte, sem um plano estratégico para o futuro”. Que “até os direitos dos cidadãos passaram a ser problemas para a economia”. Que a sociedade civil não é ouvida nem achada, numa sociedade de obscenas desigualdes.

Freitas do Amaral pergunta, através das palavras de Cícero: “até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência”.

Já não há pachorra para comemorações e seus discursos furados e vazios de verdade.