Plágios

Imagem: movenotícias

Existem dezenas de canções que alcançaram grande fama e sucesso, interpretadas por cantores de muito talento, que são, à luz da acusação que agora recai sobre Tony Carreira, plágios.

Noutro nível, em todas as artes e em todas as ciências humanas há plágios evidentes que só alguns, com “olho clínico”, conseguem identificar, pois copiam códigos mais subtis e profundos da obra matriz inspiradora.

Um dos grandes plagiadores da História universal foi, como é sabido, Platão. Mas há muitos outros, bem mais recentes e menos dados a pensamentos cavernosos. Diz-se, (…mas nada que tu digas acredito – Soneto já antigo), que as Universidades têm um acervo de teses de doutoramento fraudulentas que daria para fazer trinta e três Bibliotecas de Alexandria.

[Read more…]

da Ignorância

Platão conta, no seu famoso plágio do Livro de Filolau, um episódio passado com Sólon, o mais sábio dos Sete Sábios da Grécia Antiga.

De visita ao Egipto, Sólon é admoestado com alguma ternura por um velho sacerdote, que critica a tendência grega para, ciclicamente, se auto-destruir para, logo depois, se reinventar do nada. Diz o Sacerdote no Timeu:

Entre vós [os gregos], porém, e entre os restantes povos, todas as vezes que vos acontece estarem equipados com as letras e todas as coisas de que as cidades têm necessidade, de novo, passados os anos habituais e como se fosse uma doença, caem sobre vós e os outros os fluxos do céu, restando entre vós apenas os iletrados e os ignorantes, de tal maneira que voltais ao princípio, tornando-vos outra vez como que novos, sem nada saberdes, nem do que aconteceu aqui, nem do que se passou entre vós nos tempos primitivos.

El diccionario de Griego

Uma excelente crónica de Juan Cruz.

Prà frente, Portugal

actual RTP

A propósito da base IX, 9.º, do AO90, lembrei-me das eleições presidenciais de 1986.

Durante a campanha, alguém terá dispensado a leitura do imprescindível Tratado de Rebelo Gonçalves:

A exemplo de ‘à’ e ‘às’ ou de ‘ò’ e ‘òs’, recebem o acento grave certas formas que representam contracções de palavras inflexivas terminadas em ‘a’ com as formas articuladas ou pronominais ‘o’, ‘a’, ‘os’, ‘as’ (Bases Analíticas, XXIV). Estão neste número (…) ‘prò’, ‘prà‘, ‘pròs’ e ‘pràs’, contracções cujo primeiro elemento é ‘pra’, redução da preposição ‘para’

(1947: 185)

e

— Prà rua, que é sala de cães! — gritava ele…

(Aquilino Ribeiro, “Terras do Demo”, 1.ª parte, cap. VIII)

(apud 1947: 282).

***

Isto é, em vez de “Prà Frente, Portugal”, adoptou-se

Sou contra a *co-adoção de crianças por casais do mesmo sexo

Estava sossegado a tomar o meu café, depois de umas páginas sobre o Cícero e o Timeu de Platão, quando, sei lá bem porquê, comecei a ler as notícias do dia e me deparei com um título fundador (já S. Tomás de Aquino lembrava, no De Ente et Essentia e bem acompanhado pelo Estagirita, que “[q]uia parvus error in principio magnus est in fine”). Decidi, muito rapidamente, trazer de novo ao Aventar aquela que é, aparentemente, uma das mais enigmáticas bases do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90): a XVI.

Segundo o Público, «[d]epois de Áustria, Finlândia, Alemanha e Israel, Portugal é o quinto país onde a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada». Acrescentaria que, sendo o quinto país em que a co-adopção de crianças por casais homossexuais foi aprovada, Portugal será muito provavelmente o primeiro a não saber escrevê-la. Salvo honrosas e excelentes excepções, como o Público.

Efectivamente, segundo a base XVI do AO90, «[n]as formações com prefixos (como, por exemplo […]  (co- []), só se emprega o hífen nos seguintes casos: a) Nas formações em que o segundo elemento começa por h: […], co-herdeiro […]; b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento […]; Não se emprega, pois, o hífen […] Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente […] coeducação».

Ora, sabendo nós [Read more…]

Apologia de Sócrates (Memória descritiva)

Foram Xenofonte e Platão, sobretudo o segundo, com a sua série de diálogos socráticos, quem deram existência e espessura a uma entidade que, sem os seus escritos quase não existiria. Platão terá feito um retrato justo do filósofo. Diógenes Laércio, séculos depois biografou Sócrates, inspirando-se no que os discípulos e contemporâneos sobre ele tinham deixado escrito. Porque, como Abu Tammam o grande poeta do século IX, nascido em Damasco, na actual Síria, afirmou (e já aqui o citei) só o que é escrito existe – a glória sem palavras é um deserto vão e sem sentido.

De Sócrates não nos ficou uma palavra escrita pelo seu punho. Dele apenas temos o que dele disseram. A maneira como viveu e, sobretudo, o seu pensamento, constituem como disse Sant’Anna Dionísio «uma inexaurível fonte de hipóteses». E constitui também uma das grandes referências culturais daquilo a que se convencionou chamar o Ocidente. [Read more…]