Nestes dias, banqueiros, super-banqueiros, governantes e super-governantes têm dado um espectáculo obsceno a que assistimos perplexos e, para quem tinha ilusões, desiludidos. A trafulhice, a mentira, a guerra e o respectivo salve-se quem puder, põem-nos frente à evidência de que muitos dos ídolos da finança e da governança, que tantos louvam como se fossem gigantes, não passam de pigmeus morais. E nem sequer, pelo que se vê, se distinguem pela competência. Quem se vai distinguindo neste descaminho são, é bom que se diga, os deputados da Comissão Parlamentar. Nem faço aqui distinções ou exclusões, sabendo, quem me conhece, da minha óbvia preferência pela parte esquerda (alta…) da mesa. Sempre é refrescante, para crédito da Democracia, ter a percepção que os eleitos estão, diligente e competentemente, a fazer aquilo para que os elegemos. No meio do lamaçal, é bom encontrar algum terreno firme, alguma segurança que se possa atirar à cara dos que dizem que os políticos são todos iguais. Sabemos bem, sobretudo quem visita com alguma frequência o canal AR, que é nas comissões que se passa algum do trabalho mais nobre do parlamento. Mas ver deputados a aguentar, concentrados e intervenientes, 18 (!!) horas de sessão – alguns foram sendo substituídos, outros fizeram o pleno -, escancarando à nossa frente este sinistro enredo, tem de ser saudado. Precisamos de sentir que, nesta encruzilhada, alguém nos representa.
Eu é que não fui
Depois da maratona da comissão parlamentar (18 horas a ouvir Salgado e Ricciardi! Já houve quem fosse canonizado por menos), os telejornais da manhã estão em grande, com os mais diversos figurões a sacudir comichões quais cães com pulgas. Ele é o Costa do Banco de Portugal, ele é o viscoso Passos do Conselho (de ministros, claro) e, até, um encavacado Cavaco. Os temas são: não digo nada que é confidencial, não tenho nada a ver com isso, a culpa não é minha, é do outro menino, etc. e tal. Vão ver que a culpa é nossa. Pelo menos os patos que pagam a conta, somos.
Defesa da honra?
Isto arrastou-se durante quase uma hora, antes de começarem a trabalhar. Defesa da honra!? Qual honra?
Ética em que sentido?…
Olhando para todo o mediatismo que circunda a famosa “Comissão parlamentar de ética” , não deixo de sentir algum desprezo pelo que lá se passa.
É uma mera comissão permanente do Parlamento. Mais propriamente, chama-se “Comissão de Ética, Sociedade e Cultura“. E, no entanto, está-se a fazer dela uma espécie de Santo Ofício para resolver os nossos republicanos males, o que, por si só, em termos conceituais é, desde logo, uma insanável contradição.
Tudo se passa no âmbito do julgamento político, enquanto a realidade jurídica e legal é arremessada para segundo plano. Cada vez menos importa o que faz a Justiça, ou tenta fazer, porque já nem se acredita. E, ali, naquela Comissão parlamentar de ética, temos festim todos os dias, há sempre alguém em palco para para manter o espectáculo em cena.
Quando olho para trás, recordo-me, por exemplo do Dr. Pina Moura ser Deputado da Nação e ao mesmo tempo presidir a interesses estrangeiros (Iberdrola). Algo que a Comissão de ética de então achou que não era motivo de incompatibilidade. Porque nada na Lei impedia tal acumulação.
Comissão parlamentar de ética?!








Recent Comments