Alexandra Leitão e a manipulação da opinião pública

[Santana Castilho*]

É para mim evidente que o momento que se vive no ensino está longe de ser aceitável. Mas era previsível para quem acompanhou a evolução da intervenção do PS, desde a preparação do programa eleitoral até à apresentação do programa de Governo. Os comissários políticos a quem o ministério foi entregue transformaram uma discussão, que se desejaria séria, num exercício populista de conquista da opinião pública. Confundiram opiniões datadas com factos e apresentaram interpretações como evidências.

O conhecimento recente do resultado dos diferentes processos de colocação de professores expôs a existência de um elevado número de docentes dos quadros desterrados para escolas a centenas de quilómetros das residências, porque os serviços do ministério apenas consideraram horários completos, contrariamente à prática dos últimos onze anos, que sempre admitiu, para o mesmo efeito, também, os horários incompletos.

Ora a necessária alteração de muitas práticas da Administração Pública em matéria Educação não pode consistir na sua entrega a expedientes processuais de momento, que não a dignificam. A dignidade da Administração Pública e o conceito que temos de Estado de Direito são visceralmente incompatíveis com iniciativas, ainda que legalmente suportadas, que, sem aviso prévio, mudam os processos seguidos há uma década. [Read more…]

Da série Crato é a escolha certa (6)

“Bloqueio” informático colocou professores em vagas que não existiam

Cavaco Silva não é notícia

Capa do DiaDevo andar muito distraída. Hoje dei-me conta que temos um PR…

Devo andar mesmo muito distraída porque não vejo notícias relacionadas ou em que o PR é o assunto principal, quanto mais capa de jornal, como hoje no Público.

Penso que o PR devia ser um chato. E não é. Chato no sentido de interventivo, crítico, pertinente, que se importa, que tenha resposta na ponta da língua para tudo e que não foge às questões dos jornalistas nem a estes.

Vem agora pronunciar-se sobre a troika: aponta-lhe falhas. E pede ponderação do caso RTP.

Dei-me ao trabalho de ler a primeira página do Público no último mês. Nada. Cavaco não aparece. Excepto uma referência no dia 2 de Agosto a propósito da morte de Eurico de Melo. 

Durante este mês muita coisa aconteceu: teve alguma palavra sobre o cenário de desastre para os docentes contratados? Disse algo sobre o fogo do Algrave (o seu Algrave), o segundo maior de sempre em Portugal? Pronunciou-se relativamente aos 465 mil desempregados que não recebem protecção social há quase um ano? Passou-me despercebida a sua reacção quanto ao escandaloso desfecho do concurso de colocação de professores e do desemprego em massa neste sector? Ele, que foi professor tantos anos, importa-se connosco? Lamentou o massacre dos mineiros na Àfrica do Sul? E quanto ao desemprego que chegou aos 15,7% em Portugal?

Cavaco Silva não chega às primeiras páginas de jornal nem pelos bons nem pelos piores motivos…

Os portugueses não precisam de um PR que se deixa ficar esquecido e à margem dos problemas.