A vã-glória de um atirador furtivo

Santana Castilho *

Sobre a PACC (Prova de Avaliação de Conhecimentos e Competências) dos professores já me pronunciei sobejas vezes, a primeira das quais nesta coluna, em 7 de Fevereiro de 2008. O que passo a escrever tem duas finalidades: apelar à memória escassa da maioria, para melhor compreendermos a atitude ignóbil de Nuno Crato, e denunciar com frontalidade que a fixação do ministro no papel sacro dos instrumentos de avaliação é demencial.

Com o truque que todos conhecemos, para impedir que os sindicatos pudessem apresentar um pré-aviso de greve, o ministro da Educação actuou sem educação nem escrúpulos. Usou o capote da desfaçatez para bandarilhar uma lei da República, que protege um direito fundamental. Portou-se como um caçador furtivo a atirar sobre cidadãos que o Estado enganou, com dolo agravado por habilidades grosseiras. E foi a primeira vez que assim se desvinculou da ética política e da lealdade que deve àqueles que governa? Não, não foi! Os exemplos repetem-se e há muito que vêm desenhando um carácter. [Read more…]

Avaliação docente: a revogação que revoga a revogação anterior

Na revogação de sexta-feira quanto à avaliação dos professores consta:

Artigo 1.º
(Norma revogatória)
É revogado o Decreto Regulamentar 2/2010, de 23 de Junho.

 

Acontece que o Decreto Regulamentar n.º 2/2010 de 23 de Junho, no artigo 40º, havia revogado, entre outros, o Decreto Regulamentar nº 2/2008:

Artigo 40.º
Norma revogatória
Sem prejuízo do disposto no n.º 3 do artigo 11.º do Decreto -Lei n.º 75/2010, de 23 de Junho, são revogados os Decretos Regulamentares n.os  2/2008, de 10 de Janeiro, 11/2008, de 23 de Maio, 1 -A/2009, de 5 de Janeiro, e 14/2009, de 21 de Agosto.

 

Portanto, se estou a perceber bem, a revogação de sexta-feira passada cancela a revogação do primeiro decreto regulamentar sobre a avaliação dos professores, ficando assim em vigor a primeira versão da avaliação. Aquela mesma que era feita com titulares. Wow! É uma abordagem com elevado potencial sado-humorístico mas de tal forma extravagante que me pareceu melhor perguntar uma opinião ao pessoal do meio docente. O Paulo Guinote adiantou  uma perspectiva interessante: uma revogação não deverá colocar em vigor um terceiro documento. Creio que faz sentido. Mas antecipo animados desenvolvimentos.

Um titular por cada Manif -1 a 3

O Post é curto porque corro o risco de escrever o que penso  – prefiro a técnica Dalby do foge que te apanho!

A malta tinha uma divisão na carreira. Fez a luta que fez.

O governo perde a maioria.

Agora… segurem-me:

"Apresenta 3 divisões na carreira".

Mas… será que estão a brincar ou é mesmo a gozar?

 

Nota: ouvi disto: "Professores estão satisfeitos… ME cedeu"… MENTIRA! A proposta da Isabel é pior, muito pior que o ECD da LURDES!

Cheira a bloco central

Ao apresentar as suas propostas sobre a avaliação dos professores o PSD deixou cair a suspensão da aplicação do modelo em vigor.

No mínimo estranho. A avaliação que ainda decorre além de patética varia conforme as escolas e a interpretação que os seus directores fazem das leis. Acabará na pior das hipóteses a entupir tribunais administrativos.

A não aprovação das propostas no sentido da suspensão, como ponto de partida para um novo modelo, seria um mau prenúncio, entre promessas eleitorais e realidade parlamentar. Para os lados do PSD parece que a lição está mal estudada. Ainda chumbam.