Um Governo swap

Santana Castilho*

1. O fim da greve dos professores, primeiro, e a demissão de Gaspar, depois, atiraram para o limbo do quase esquecimento o escândalo do exame de Português do 12º ano. Mas a consciência obriga-me a retomar o tema, no dia (escrevo a 2 de Julho) em que se branqueia a iniquidade. Que teria feito a Inspecção, que aparecia sempre e este ano sumiu, se verificasse que se efectuaram exames sem o funcionamento regulado dos respectivos secretariados? Que houve vigilantes desconhecedores das normas básicas, socorridos no acto … pelos próprios examinandos? Que se realizaram exames sem a presença de professores coadjuvantes? Que professores de Português vigiaram exames? Que não foi garantida a inexistência de parentesco entre examinados e vigilantes? Que não houve um critério uniforme para determinar quem fez e quem não fez o exame a 17 de Junho? Que o sigilo, desde sempre regra de ouro, foi grosseiramente quebrado pela comunicação, em ambiente de tumulto público, entre o exterior e examinandos? Que se prestaram provas em locais inadequados e proibidos pelas regras vigentes? Que não foi respeitada a hora de início da prova? Que teria feito, afinal, a Inspecção, se … existisse? O óbvio, isto é, a recomendação da anulação do exame e o apuramento dos responsáveis pela derrocada do que se julgava adquirido. Consumada a trapalhada inicial, transformada a Inspecção em submissão, prosseguiu a farsa com o Despacho 8056/2013, que, preto no branco, contrariou a lei e mandou admitir à repetição da prova todos, sem excepção, que a não tinham feito, independentemente do motivo. A última palavra, corrigindo o despacho, deu-a … o Gabinete de Imprensa do ministério. Tudo brilhante, em nome do rigor, sob a responsabilidade política do ministro do rigor. Espanta isto no dia em que Maria Luís Albuquerque substitui Gaspar? Claro que não. Este é um Governo swap. Um Governo que troca o que lhe dá jeito, particularmente a ética, pela sobrevivência a qualquer custo. [Read more…]

As aulas acabaram há 17 dias

E continua sem haver notas para ninguém…

Mostruário dos tiques anti-professor (3)

Os professores não são diferentes dos outros trabalhadores

A claque anti-professor e alérgica aos funcionários públicos, de uma maneira geral, parte deste princípio para criticar qualquer reivindicação. Para a referida claque, se a maioria das pessoas tem 40 horas no contrato de trabalho, a que propósito é que outros reclamam contra a inclusão do mesmo número de horas no seu contrato.

É claro que os decisores políticos pretendem passar a ideia de que estão a realizar uma reforma do Estado, espalhando a ideia de que é preciso acabar com as diferenças entre privado e público. Os professores, essa manada de privilegiados, têm de aceitar que terão de ser iguais a outros, embora se descubram excepções com demasiada frequência, pelo que os professores vão perdendo direitos, à medida que outros os vão mantendo.

Em princípio, ainda assim, não custa concordar com a frase: os professores não são diferentes dos outros trabalhadores, porque são trabalhadores como os outros. É certo que há muitos elementos da claque que, na realidade, pensam que os professores não são sequer trabalhadores, pela simples razão de que aquilo que fazem é tão pouco ou tão insignificante que não pode ser considerado trabalho.

Por outro lado, também é verdade que os professores são diferentes dos outros trabalhadores, até porque, continuando a explorar truísmos, é fácil descobrir especificidades que tornam as profissões incomparáveis, no sentido mais neutro de que não é possível compará-las. [Read more…]

Uma perguntinha

1242

Porque é que os funcionários públicos não podem ter o mesmo número de dias de férias e o mesmo número de horas de trabalho semanais que os outros trabalhadores?

A chave desta greve está nas reuniões do 12.º ano

Já todos percebemos que o Ministério está pouco preocupado com a greve às avaliações porque sabe que mais cedo ou mais tarde nos cansamos. Nenhuma bolsa aguenta mais de 3 ou 4 semanas de greve.
Assim sendo, temos de ser mais inteligentes do que eles. Realmente, o adiamento das reuniões do 5.º ao 11.º ano não fazem grande mossa. Com maior ou menor atraso, as notas saem e o trabalho acumulado é despachado a seguir. Sobretudo nos anos não-terminais, as matrículas para o próximo ano até já estão feitas…
A chave da greve passa precisamente pelos Conselhos de Turma do 12.º ano. Porque aí jogam-se outras questões fundamentais, nomeadamente o acesso ao ensino superior. E enquanto não houver notas de 12.º ano, não há Universidade para ninguém. Já aconteceu isso em 1989, é verdade, mas aí os tempos eram outros. Neste momento, nenhum ministro aguentaria tal situação. Nuno Crato ruiria como um castelo de cartas.
E é neste contexto que os Fundos de Greve podem desempenhar um papel fundamental. Com o fim das greves do 5.º ao 11.º ano, todos esses professores ficam libertos do ponto de vista das tarefas profissionais e também do ponto de vista monetário. E com um pequeno esforço de cada um, podem contribuir para que a greve dos colegas do 12.º ano – ou melhor dizendo, de um único colega do 12.º ano em cada escola – se mantenha sem qualquer problema até ao fim de Julho e mesmo depois disso.
Em termos históricos, foi assim que se conseguiram muitas das grandes conquistas dos trabalhadores ao longo dos últimos séculos. Vamos a isso!

As aulas acabaram há 14 dias

E continua a não haver notas para ninguém…

Momentum

index

Depois de ler este post do vitorcunha no Blasfémias, resta muito pouco para dizer sobre o que os sindicatos andam a fazer ao País, aos Alunos, aos Pais dos Alunos e aos próprios Professores.

Não tenho dúvidas que surgirão argumentos para tentar desmontar o indesmontável. Serão mais ou menos rebuscados, mais ou menos lógicos, mais ou menos estultos consoante o grau de cegueira, de desinteresse ou de comprometimento do seu autor. Para ajudar, deixo já aqui alguns que podem usar sem qualquer limitação: Marte está no signo de Capricórnio, foi o Pinto da Costa, isto tem dedo da CIA ou só falo na presença do meu Advogado.

[Read more…]

Contributo para um Memorando de Entendimento entre Governo e Sindicatos – Uma proposta de comunicado

«Após análise da complexa situação que a escola pública está a viver e da necessidade de preservar os alunos e a preparação do próximo ano lectivo, a Plataforma de Sindicatos dos Professores decidiu cancelar a greve às avaliações, com efeitos a partir do dia de amanhã.
O Governo e a Plataforma Sindical de Professores decidiram que:
– o horário de trabalho dos professores passará para 40 horas semanais, incidindo esse aumento de horário apenas na componente não-lectiva. A componente lectiva continuará a ser de 22 horas.
– o cargo de Direcção de Turma continuará a fazer parte da componente lectiva e corresponderá a 2 tempos semanais.
– a mobilidade geográfica a que os professores estarão obrigados terá um raio máximo de 60 quilómetros.
– o processo de Requalificação dos professores [Mobilidade] irá prosseguir conforme planeado. Nesse sentido, será constituída em data a anunciar uma Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo de Requalificação, da qual farão parte, em igual número, representantes do Ministério da Educação e dos Sindicatos de Professores. Esta Comissão Permanente será a responsável pela elaboração de um relatório sobre todo o processo de Requalificação e terá uma duração de 36 meses a partir da data da sua constituição. Qualquer uma das partes poderá solicitar o prolongamento dos trabalhos por mais 12 meses. Após a recepção deste relatório, que não será vinculativo, o Governo tomará a sua decisão relativamente ao Processo em causa. O Governo compromete-se a não tomar qualquer decisão antes da recepção deste relatório.»
[Read more…]

Crato obnubilado pela coisa turva

«Nunca deixei de me espantar com a desfilada insana de certos homens para o abismo da sua perdição moral e intelectual» diz Baptista Bastos numa sua crónica recente, atento ao gato escondido com o rabo de fora que constitui efectivamente esta guerra do ministro da Educação Nuno Crato aos professores e à Escola. Mas a desinformação prossegue, e esta manhã no Fórum da TSF debatia-se acaloradamente a questão dos direitos dos alunos, falava-se do respeito que merecem, das suas expectativas e do seu futuro, como se a greve às avaliações fosse na génese e no seu fim um ataque aos alunos, que assim vêem as suas férias estragadas coitados, e o seu futuro ameaçado – e a palavra futuro é aquela bandeira desarmante para os incautos sempre confiantes nele, como se não dependesse da sua acção presente, os incautos e adormecidos à sombra do destino sempre prontos para defendê-lo na sua abstracção bestial, enquanto outros o enformam numa coisa esquisita onde o Estado não tem responsabilidades sociais, o futuro tornado algo cujos desfechos dependeriam essencialmente do Altíssimo, pois tratando-se de governação, e da governação dos homens, Ele, que os criou, é que sabe e é capaz de tomar as melhores decisões.

E pronto, estamos nisto – no debate ao lado, enquanto Nuno Crato prossegue a sua caminhada, de bandeira na mão e de peito aberto às balas, como um verdadeiro revolucionário, empenhado em defender o que ainda quero acreditar ser algo que não compreendeu inteiramente, obnubilado que parece estar pela coisa sempre turva do exercício do poder, esse corruptor de homens vacilantes, como parece ser Crato. Ou, como diz Baptista Bastos, «a vontade de ser ministro de um desprezível Governo como este parece tê-lo obnubilado.»

Crato cumpriu, Crato implodiu

Por Santana Castilho

Em 17 anos de exames nacionais, dos 39 que já leva a democracia, o país nunca tinha assistido a tamanho desastre. A segunda-feira passada marca o dia em que um ministro teimoso, incompetente e irresponsável, implodiu a cave infecta em que transformou o ministério da Educação. A credibilidade foi pulverizada. O rigor substituído pela batota. A seriedade submersa por sujidade humana. Viu-se de tudo. Efectivação de provas na ausência de professores do secretariado de exames, com o correlato incumprimento dos procedimentos obrigatórios, que lhes competiriam. Vigilantes desconhecedores dos normativos processuais para exercerem a função. Vigilantes do 1º ciclo do ensino básico atarantados, sem saber que fazer. Examinandos que indicaram a professores, calcule-se, que nunca tinham vigiado exames, procedimentos de rotina. Exames realizados sem professores suplentes e sem professores coadjuvantes. Exames vigiados por professores que leccionaram a disciplina em exame. Ausência de controlo sobre a existência de parentesco entre examinandos e vigilantes. Critérios díspares e arbitrários para escolher os que entraram e os que ficaram de fora. Salas invadidas pelos “excluídos” e interrupção das provas que os “admitidos” prestavam. Tumultos que obrigaram à intervenção da polícia. Desacatos ruidosos em lugar do silêncio prescrito. Sigilo grosseiramente quebrado, com o uso descontrolado de telefones e outros meios de comunicação eletrónica. Alunos aglomerados em refeitórios. Provas iniciadas depois do tempo regulamentar.
O que acabo de sumariar não é exaustivo. Aconteceu em escolas com nome e foi-me testemunhado por professores devidamente identificados. [Read more…]

A bandalheira do exame de Português

Quem dá aulas numa escola secundária sabe como são aquelas reuniões intermináveis – dezenas de professores numa sala abafada – em que nos dão a conhecer, pela enésima vez, a Norma enviada pelo Júri Nacional de Exames.
Uma Norma que começa por dizer que «A função de vigilante de provas de exame é uma das mais importantes e de maior responsabilidade de todo o processo das provas finais de ciclo e os exames finais nacionais, já que o não cumprimento rigoroso por parte dos professores vigilantes numa única sala poderá pôr em causa toda uma prova a nível nacional. A normalidade e a qualidade do serviço de vigilância das provas nas salas de exame são fundamentais para a sua validade e para a garantia de tratamento equitativo dos alunos.»
Essas reuniões consistem basicamente na leitura da Norma, sendo que os professores vão sendo alertados para todos os imprevistos que podem acontecer e para exemplos de aspectos que em anos anteriores correram mal. Tudo é analisado ao pormenor e até os sapatos que os vigilantes usarão no dia do exame são debatidos. Sobretudo os tacões das professoras, que são proibidos porque podem perturbar o trabalho dos alunos. [Read more…]

Isenção para quê?

Perceber a greve de ontem pelas capas dos jornais de hoje, é como ler sobre o FCP na Bola ou no Record.

E a greve continua

Visibilidade actual das pautas finais do ano lectivo de 2012-13:

pautaQuantos conselhos de turma por realizar?

Mais normal do que isto não há

A normalidade dos exames.

Declaração de derrota

Apreciem a mímica das duas personagens que compõem o cenário. Em Portugal para se chegar a ajudante de ministro basta uma vida sexual passiva nos meandros do poder.

Quanto à argumentação de Nuno Crato, no seu tempo, tinha-lhe garantido uma viagem a Tirana. Sim, a capital da sua Albânia do coração. Os que se piram da esquerda para a direita cultivam, é curioso, os tiques da juventude.

A maior derrota laboral deste governo. Qualquer resto de dignidade que restasse a Nuno Crato e teria aproveitado para se demitir.

O dia nacional do copianço

papagaio

Parece que agora se estuda para os exames. Eu pensava que o estudo visava aprender. E que demonstrar o que se sabe se faz hoje, amanhã ou noutro dia qualquer, em qualquer exame.

É verdade que o sistema de ensino-avaliação que foi sendo construído estimula esse vício: o de estudar/memorizar para despejar numa prova e esquecer no dia seguinte. É verdade que para Nuno Crato a memorização é uma tarefa fundamental, mesmo que não sirva para mais nada: é o sistema de ensino mais adequado para a formação de imbecis, incapazes de entenderem o que declamam, mais próximos do papagaio do que do humano. Mas era escusado fazer prova disso no dia em que por terem o seu exame adiado os alunos viraram coitadinhos.

Ficamos conversados sobre o conceito de rigor e exigência de Nuno Crato, onde se permitem exames à porta fechada ou em refeitórios, vigiados por quem não faz a mínima ideia de como se copia nos dias de hoje.  O dia nacional do copianço, um presente deste governo que aumentará a sua popularidade entre os cábulas e batoteiros de costume.

Hoje há greve dos professores

a greve - pacheco pereira - teaserHoje os professores fazem greve e compreendo que a façam. Já aqui me manifestei contra algumas greves, as que há anos a fio, sejam de vacas gordas, sejam de vacas magras, têm ocorrido com a regularidade de um relógio em algumas empresas de transportes. Sobre essas digo que quem as faz está no seu direito e quem delas discorda também. Mas nestas greves dos professores, além de compreender os seus motivos, concordo com eles. [Read more…]

Confiança em Quem?

velo-tramway
Eu confiaria a minha vida e todo o meu património nas mãos da imensa maioria daqueles que foram meus professores.

A uma imensa maioria dos deputados e ministros, eu não emprestaria sequer a minha cafeteira, quanto mais a minha bicicleta.

Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito

 

Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito.

via Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito.

O que realmente importa

080613a

Nuno Crato, a dama de lata

nuno thatcher

Por entre a pura e madura mentira, a Nuno Crato coube a tarefa governativa de partir a espinha aos professores, o maior corpo profissional da função pública. A ideia é simples: derrotados estes não haverá mais resistência à minimalização do estado e  abertura do ensino, da saúde e não só às maravilhas do mercado e das negociatas à sombra do governos.

Chegamos a um ponto em que se estica a corda, cantando uma vitória de Pirro antecipada: com uns 5000 professores, de todos os graus de ensino, a maior parte dos exames vão-se realizar amanhã, desvalorizando uma greve que nesse caso chegaria aos 95% de adesão.

O problema desta gente é que toma os outros por parvos, ou seja, coloca-os ao seu nível. E como se pensa acima da lei (é significativo que vários comentadores tenham passado à descarada defesa da proibição das greves), imagina que tudo lhes é permitido. Chega a meter dó o esforço que se faz por encontrar “provas” de que esta greve prejudica os alunos, como se um exame adiado fosse um problema para quem arranja mais tempo para estudar. [Read more…]

Carta da APRE

A todos os professores

Estamos convosco

Meus amigos:

Amanhã, de olhos postos em vós, estamos convosco – nós, aposentados; nós, funcionários públicos; nós, quantos tememos pelo que vem a seguir; e nós, todos os outros, os que bem sabemos os males que nos espreitam: os que vemos como os direitos e a Lei, feita para nos defender a todos, tem sido letra morta – e já se chegou ao ponto de nos virem publicamente ameaçar de que logo a seguir hão-de tratar de a pôr a jeito.
Este é o ponto, meus amigos – o cerne da questão. Do que se trata aqui é de se estar a semear o terror no que era terreno sagrado, pelo preço de sangue que custou.
Em Democracia, ninguém pode impor unilateralmente – e ninguém é obrigado a aceitar – condições de trabalho impróprias. Ninguém pode aumentar arbitrariamente – e ninguém é obrigado a aceitar – horários, só para poder depois despedir mais gente. Ninguém pode mandar às malvas a própria decisão do colégio arbitral que solicitou e integrou (queria-a, sim, que foi quem a requereu – mas só se fosse a seu favor…). Ninguém pode, por ter errado todo o tempo, por não ter conseguido fazer o que lhe competia, e por não ter sido capaz de controlar o défice, apesar de tudo aquilo a que sujeitou o povo – para quem só deve trabalhar e a quem só deve o mandato – violar tão declaradamente as regras que suportam a sua própria legitimidade. Ninguém pode, finalmente, mudar o nome das coisas. [Read more…]

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros

Inês Gonçalves

Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.

Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.

As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida aí a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro! [Read more…]

Agora somos nós ou eles

Passos+Coelho+e+Nuno+Crato
«Quantas artes quantas manhas que sabe fazer nosso amo» – a frase de Gil Vicente, recordada numa caixa de comentários do Umbigo, aplica-se por inteiro à última façanha do Ministério.
Não há serviços mínimos nem hipótese de requisição civil? Não há problema, passam a existir serviços máximos. Convocam-se todos os professores do agrupamento e, mesmo que a adesão à greve seja de 90%, os 10% que comparecerem hão-de ser suficientes para garantir a sua realização. Não interessa que sejam professores da disciplina em exame, ou que tenham filhos a fazer exame, ou que não tenham tido sequer a formação habitual para vigilantes, ou que sejam educadores de infância a vigiar 12.º ano. O que interessa é que, no fim, o ministro possa dizer que tudo decorreu dentro da normalidade e que parta para a fase seguinte, a da vingança contra os que ousaram afrontar o seu poder. Tem sido sempre assim com este Governo.
Tudo o que agora se pede é um dia de greve. Apenas um. Se para alguns dois dias já serão demais, então pede-se apenas um. E esse dia é na segunda-feira, dia 17. É essa a nossa luta.
É por isso que chegou a hora da decisão. Um falhanço na greve de dia 17 irá pôr em causa as restantes greves às avaliações e daí à desmobilização geral será um pequeno passo. Uma vitória do ministro no dia 17 irá significar para milhares de professores a mobilidade, ou seja, o despedimento já no próximo ano lectivo.
Ao invés, uma vitória dos professores é o princípio do fim de um ministro e de um Governo arrogante que teima em ignorar a lei e fazer tábua-rasa de todo e qualquer princípio ético.
Agora somos nós ou eles.

De regresso ao Estado Novo?

Prepotências, métodos tortuosos e embustes deste governo não se afastam dos padrões de dirigismo e das acções políticas características do Estado Novo. O mais grave e inquietante da citada postura é notório na comunicação, em certas deliberações e eventos de iniciativa da coligação governativa. O fenómeno intensifica-se a um ritmo progressivo. Sinto-me a viver o período do maior desassossego antidemocrático do regime pós-25 de Abril, PREC incluído.

Gaspar justifica a quebra do PIB com a chuva. Quem nos governa ousa desrespeitar as deliberações do Tribunal Constitucional e a lei em vigor ao tempo do acórdão, pagando fora do prazo subsídios de férias da função pública. Começou por invocar uma falsa insuficiência de meios.

Vencidos no campo das relações laborais e do direito à greve dos professores, a despeito de contrariarem o Colégio Arbitral que reprovou a hipótese de requisição civil, recorrem ao Júri Nacional de Exames para requisitar administrativamente a presença de todos os professores nas escolas, na próxima 2.ª feira, dia 17, a fim de fazerem a vigilância dos exames.

[Read more…]

Querem guerra, vamos à guerra!

Fazendo troça do Colégio Arbitral que não decretou serviços mínimos, Governo convoca todos os professores para o serviço de exames.

Os sindicatos de professores andam a dormir?

Num momento em que a greve dos professores está no auge e o ministro da Educação acaba de esticar a corda, num caminho sem retorno, os sindicatos parecem ter adormecido na luta. Se esta já está extremada da parte do Governo, cumpre aos sindicatos fazer o mesmo.
Não é pedir mais negociações suplementares. Já se percebeu que o Governo nada tem para oferecer. Não é deixar que os prazos para novos pré-avisos se esgotem.
A partir do dia 24 de Junho, não haverá greves, pelo menos até agora – e já não há muito tempo para fazer o pré-aviso. E depois? Correrá tudo normalmente como se nada tivesse acontecido? Meia dúzia de dias de atraso, é isso que querem? E ficamo-nos por aqui?
Deixei de ser sindicalizado em 2008, no dia em que a Fenprof assinou o Memorando da Traição com a Ministra da Educação, a prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues. Estava disposto a dar uma segunda oportunidade aos sindicatos, mas infelizmente não vejo sinais assim tão positivos.
Era agora, com greves próximas dos 100% diariamente, que os sindicatos tinham de mostrar a sua força. E o que fazem? Abandonam a luta?

Capatazes à solta

O primeiro chama-se Calado. Parabéns Maria de Lurdes Rodrigues, capachos a dirigirem escolas resultou.

A propósito da greve dos professores,

Passos Coelho, naquele seu estilo altaneiro e paternalista a que jamais nos habituaremos, afirmou e reafirmou que os professores não têm o direito de lançar o caos na vida das famílias, fazendo com que deixem de saber com o que contar no futuro. Pergunto: alguma família sabe com o que contar desde que o Governo de Passos Coelho subiu ao poder?

Governo apoia a greve dos professores

Não pagar o subsídio de férias este mês foi uma ideia genial, ao nível do mau perder quanto aos serviços mínimos, mantendo os exames marcados para 2ª feira.

Com ministros assim os professores nem precisam de sindicatos (de passagem, a relação entre o grupo profissional e o sindicalismo foi muito bem explicada pelo Paulo Guinote, no decorrer da imensa carga de porrada que ontem deu na SICN a um tal de Couto dos Santos, em tempos ministro cavaquista e de cuja existência nem me recordava, é ver o vídeo, continua mentiroso e demonstrando uma inteligência ligeiramente superior à das formigas).

Hoje nas escolas os indecisos perdiam a indecisão, os que ontem não iam fazer greve passaram a indecisos, e algures num universo de 100 000 professores devem existir, muito algures, firmes apoiantes de Nuno Crato, do Passos Coelho e do meteorologista Gaspar mas em rigorosa clandestinidade, que a vergonha quando nasce por vezes é para todos.

É isto a meritocracia, a nata da direita no governo, a coisinha mais incompetente que me foi dado até hoje ver. Abençoada pátria que tais filhosdaputa tem.