Alvorada fabril

2010-01-07-13h04m17

Fábrica de peletes Pinewells, Serzedo, Arganil. Fotografia JJC.

O cobarde entrou pela porta do cavalo

Está mais parecido com Sócrates a cada dia que passa. Já não bastavam as mentiras, as promessas não cumpridas, a desfaçatez, a falta de vergonha e a «coragem» de ser forte com os fracos, que não com os fartos.
Agora é também a cobardia e o medo do povo. Tanta cobardia e tanto medo que não tem qualquer problema em entrar pela porta do cavalo para fugir a uma manifestação pacífica.
Pela porta do cavalo! Que atitude tão indigna por parte de um primeiro-ministro! Será que não tem vergonha?
Também hoje, o Álvaro da Economia cancelou uma visita a Cinfães, onde também tinha à espera uma manifestação pacífica. A cartilha do chefe faz escola. Vão andar os próximos 3 anos a fugir do povo?

O desastre em Bhopal !

Uma fábrica de pesticidas na Índia, há vinte e cinco anos, matou vinte e cinco mil pessoas nos primeiros dois dias e calcula-se em cem mil as pessoas que ficaram a sofrer de doenças crónicas. Seicentas mil  serão as pessoas que terão sido afectadas.

Ao fim deste quarto de século, realizou-se o julgamento dos responsáveis que apanharam dois anos de prisão, alguns deles, e multas os restantes. O chefe máximo na India nem sequer foi pronunciado e é hoje o presidente do fabricante de automóveis Mahindra Mahindra. O chefe máximo americano, apesar dos pedidos de extradição pela India, nunca foi encontrado.

Este desastre causou mais prejuízos que o desastre de Chernobil, foram muitos milhares os que sofreram e depois dessa data  o ‘número de cancros e má formações nas crianças subiram em flecha.

É com indignação que a população de Bhopal, reagiu à sentença, considerando-a um insulto e dizendo que o desastre foi encarado pelo tribunal como se de um acidente rodoviário se tratasse. As indemnizações nunca chegaram à maioria das famílias afectadas e é certo que os responsáveia vão recorrer das sentenças, pois têm dinheiro e poder para o fazer.

O problema foi causado por má concepção da fábrica e práticas negligentes de manutenção, conhecidas da direcção mas negligenciadas por razões económicas.