“É preciso carro para dar aulas de Inglês.”

O Inglês passa a ser obrigatório a partir do terceiro ano do Primeiro Ciclo (terceira classe, para os mais desactualizados). Os professores de Inglês do Primeiro Ciclo, na maior parte dos casos, terão de dar aulas em várias escolas pertencentes ao mesmo agrupamento (essa entidade que Nuno Crato criticava antes de ser ministro).

Uma vez que essas escolas podem estar a quilómetros de distância umas das outras, é fácil imaginar que muitos destes professores de Inglês serão também motoristas de si próprios, sendo que terão de pagar do seu bolso todas as despesas decorrentes dessas deslocações, ao contrário de qualquer ministro ao serviço do governo ou de qualquer futebolista a caminho de um jogo.

Os professores, como muitos oficiais de outros ofícios públicos, são, na realidade, os grandes financiadores do próprio patrão. Aos dados que, preguiçosamente, reuni num texto de 2010, podemos, ainda, juntar pormenores como o congelamento das carreiras, os cortes salariais, os despedimentos ou a supressão de pagamento na classificação de exames.  Há quem lhe chame poupança, o que me leva a imaginar que, doravante, um ladrão, ao analisar o que roubou, possa dizer “Olha o que eu poupei hoje!”

Assim, pelas estradas de Portugal, a partir deste ano lectivo, andará mais um grupo de profissionais que, para benefício dos alunos, pagará para trabalhar.

Privatização dos exames

ingles cambridgeNotícia: Público

Aqui está o que se adivinhava. Privatização dos exames, agora em segunda etapa, a seguir alargando a mais anos e outras disciplinas.

O que é que leva um estado a passar a um país estrangeiro uma competência sua, passando um atestado de incompetência aos seus profissionais e colocando-se numa posição de perda de soberania? Nada, excepto criar negócio onde ele não existia. Pior do que um incompetente, só um incompetente com poder. Nuno Crato, com o seu saco de vaidade, faz o pleno.

Não PETes!

Peta. Peta era um vocábulo usado há uns tempos entre os putos reguilas do grande Porto. É da palavra Peta que me lembro quando penso no PET, o famoso exame que o rigoroso Crato resolveu meter na Escola Pública. E, esta brincadeira, tem várias notas de interesse:

a) coloca empresas privadas a obter lucros das suas actividades na Escola Pública, paga com os nossos impostos;

b) promove um exame que não serve para nada, que custa 25€ e que daqui a dois anos é lixo;

c) suspende aulas, quer do ensino regular, quer do profissional, de muitas disciplinas que daqui a uns dias estarão verdadeiramente a exame;

E, para além disso, há aqui uma outra questão: não seria também muito interessante dispensar os professores de Educação Física e trocar por uma qualquer multinacional dos ginásios, uma coisa tipo Solinca ou Virgin? Ou, melhor ainda, acabar com as aulas de informática e colocar a Apple e a Microsoft à frente dessa área.

Ficam estes contributos que, estou certo, Nuno Crato irá subscrever.

Por mim, não PETo!

 

Ligações Perigosas na Escola Pública

i-learn-english-online
Como convencer famílias carenciadas a assinarem contratos de fidelização de 36 meses?
O “esquema” é simples:
– com a conivência de alguns Directores de Escolas Públicas, as famílias dos alunos começam por ser contactadas telefonicamente;
– “doutoras” extremamente simpáticas convidam as famílias a comparecerem na escola, durante o fim de semana e no horário mais conveniente;
– com tamanha disponibilidade e simpatia, debaixo do tecto da Escola Pública, ninguém duvida da idoneidade das empresas envolvidas e muito menos dos objectivos que se propõem atingir;
– com a promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos seus filhos e de os preparar convenientemente para o “importantíssimo” Exame de Inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais quase assinam de cruz um contrato de fidelização de 36 meses com pagamentos por débito directo!
Sim, leu bem, 36 (trinta e seis) meses!!! [Read more…]

A inconsistência de Nuno Crato

Santana Castilho*

Não há nada como o querer do candidato autárquico Luís Filipe Menezes. Bastou o concorrente do PSD prometer que, se ganhar, todas as crianças do Porto terão Inglês no Básico, para Nuno Crato dar a pirueta da semana. O inconsistente ministro afirma agora que pretende tornar o Inglês obrigatório, incluindo-o no currículo do 1º ciclo do Ensino Básico. Num dia desvalorizou a disciplina (anulou a obrigatoriedade de inclusão nas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º Ciclo e reduziu-lhe a carga horária no 2º e 3º). No outro promoveu-a a fundamental. Depois disto e das mentiras que nos ofereceu na recente entrevista à SIC, alguém sensato pode confiar neste ministro catavento?

Para além da espuma da inconsistência, que produziu notícias, parece-me necessário fixar a substância da incompetência, que marca a realidade.

A incontinência conceptual caótica de Nuno Crato permite que tenhamos hoje crianças que poderão concluir o 1º ciclo do Básico com 4, 3, 2, 1 ou nenhum ano de Inglês. Tudo em nome da “livre escolha” e de uma cínica “autonomia”. E é nestas condições de “igualdade” que se prepara o percurso, a medir por mais um exame. [Read more…]

Ana ina não

ficas tu eu não.

Hoje é dia de querer inglês.

Amanhã logo se verá.

Nota: se esta merda continua assim, chamo o Jesus para resolver isto!

Ainda o inglês

Se há coisa que eu detesto é quando um político, nomeadamente estes de última geração, nos tentam fazer de burros! E Nuno Crato está nesse registo. O de um telelé de nova geração, daqueles que em três tempos é trocado por um outro qualquer .

Vejamos:

– com a Escola a tempo inteiro introduzida por José Sócrates o inglês passou a ser obrigatório nas actividades extra-curriculares. Isto é, no 1ºciclo (1-4º ano) os alunos passariam a ter um espaço para a introdução à língua inglesa nas “aulas” depois das “aulas normais”, naquele espaço que ia entre as 15h30 e as 17h30. É verdade que era facultativo, mas a maioria dos alunos passou, realmente, a ter inglês;

– Nuno Crato, no seu projeto de construção de uma Escola Nova , talvez inspirado no Estado novo, resolve retirar ao Inglês esse carácter obrigatório e, ao mesmo tempo, atira para as escolas a possível oferta dessa língua. Possível, porque, na verdade boa parte dos Agrupamentos não terá condições para o fazer e… [Read more…]

Cantar em Português, antes ou depois do AO

Vitorino, numa entrevista ao Jornal de Leiria refere que “Quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”.

O Miguel Guedes, dos Blind Zero, no seu perfil do Facebook não deixou o velho alentejano sem resposta, cujo conteúdo subscrevo totalmente:

“Toda a gente tem direito a frases mais ou menos infelizes puxadas para títulos de jornal. O problema é que o Sr. Vitorino, lê-se na entrevista, pensa mesmo assim. Ele e mais uns quantos que no passado proferiram semelhantes dislates. Tenho respeito pelo Sr. Vitorino e sempre o vi como um homem de liberdade, daí que fique admirado por esta raiz que lhe tolha o pensamento. Não lhe perdi o respeito por isto. Só chego à conclusão de que lhe falta liberdade de espírito. E liberdade estética.

Há muitos anos que, ciclicamente, defendo a liberdade de criação seja em que língua for, seja como for. Contra estas tretas, contra este tipo de discurso, contra esta pacóvia e atávica forma de ver a arte e o trabalho dos outros. Imagine um carro, Sr. Vitorino. O volante é a direcção, a vontade e a paixão são o motor, a língua meras rodas do veículo. O que conta verdadeiramente é o que se diz pela boca e pelo pensamento das pessoas que vão lá entro. Que amam e odeiam em português mas que o podem dizer e expressar de qualquer forma, em qualquer língua.
O que é ridículo para si são só as rodas. Fazem andar e podem deslizar, mas são só as rodas, Sr. Vitorino. E olhe que deslizam em qualquer língua… O que conta verdadeiramente são as pessoas. Nem todos os que cantam em inglês ficam tristemente ridículos. Nem todos os que cantam em português ficam tristemente ridículos. Ficam tristemente ridículos os que ficam tristemente ridículos. Mesmo que por piada paga.”
Miguel Guedes acrescentou, ainda, um vídeo ao seu texto: [Read more…]