Sabem porque é que algumas pessoas estacionam mal? Porque sempre lhes disseram que 20cm é quanto se cresce numa noite.
Crónicas do Rochedo XVII – É só uma canção?

Nem sei precisar o número de anos sem um simples “deitar o olho” a um festival de canção. Este ano foi diferente por um mero acaso: ter visto/ouvido a canção do Salvador Sobral nas redes sociais e a sua prestação nas meias finais. Ficou aquela sensação de: “será que uma música destas ganha o festival da canção?”. Ganhou para enorme surpresa minha. E depois foi o: “será que consegue o milagre de ganhar em Kiev?”.
Fátima, Futebol e Festival da Canção…
… onde Portugal é representado por um Salvador cujo coração carece efectivamente de salvação, correndo o risco iminente de colapsar.
Com esta conjugação cósmica, o fim do mundo português será pois a 13 de Maio, com o Governo, Autarquias Locais e empresas públicas a tolerarem o ponto à malta no dia prévio para que – eis a razão – possa arrumar as suas coisas em Paz. Resta saber se terá epicentro no joelhódromo, no Marquês ou em Kiev, com a milagrosa conversão da Rússia à ilharga.
Porém, nihil obstat. Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma.
Festival da Canção.
Não vi o festival da canção e só hoje ouvi a canção vencedora. Anda por aí uma gente que acha que canções não são cantigas, sempre à espera de encontrar Mozart num disco da Ágata, Camões numa letra do José Cid, Pavarotti na voz do Zé Cabra.
Este ano, depois da vitória dos Homens da Luta, vai por aí um desassossego de virgindade ofendida, gentinha que diz não se sentir representada, pindéricos que acham pelintra a cantiguinha que vai à eurovisão envergonhar o país, críticos iluminados que falam em falta de qualidade “artística”. Devem estar a gozar (e eu pensava que os homens da Luta é que estão no gozo): um país que põe no topo das vendas de discos Tonys Carreiras, Quins Barreiros e afins ficar próximo da apoplexia com o resultado de um festival que ninguém segue e a que ninguém liga, exceptuando os envolvidos, é giro e dá prazer ver.
Vamos lá a ver a última dúzia de lálálás que ganhou o Festival:
- 1998 Alma Lusa – Se Eu Te Pudesse Abraçar
- 1999 Rui Bandeira – Como Tudo Começou
- 2000 Liana – Sonhos Mágicos
- 2001 MTM – Só Sei Ser Feliz Assim
- 2003 Rita Guerra – Deixa-me Sonhar (Só Mais uma Vez)
- 2004 Sofia Vitória – Foi Magia (em 2004 não houve Festival da Canção, foi através da Operação Triunfo, que se apurou o representante de Portugal).
- 2005 2B – Amar (em 2005 não houve Festival da Canção, os representantes foram escolhidos por uma comissão)
- 2006 Nonstop – Coisas de Nada (regressa o Festival da Canção)
- 2007 Sabrina – Dança Comigo (Vem Ser Feliz)
- 2008 Vânia Fernandes – Senhora do Mar
- 2009 Flor-de-Lis – Todas as Ruas do Amor
- 2010 Filipa Azevedo – Há Dias Assim
Estas sim, eram canções a sério, com estas sentia-mo-nos representados, estas de pelintra não têm nada e estão cheias de qualidade artística, topa-se logo ao primeiro acorde.
Pró ano também concorro com uma composição séria, rica, artística e de elevada complexidade conceptual, dedicada ao mar e a quem labuta. Vou chamar-lhe Os Homens da Lota. Vai ser uma alegria.
Ao voto cidadãos
Neto e Falâncio no Festival da Canção
Homens da Luta – Luta Assim Não Dá
Eu já votei. Está à espera de quê?






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