Festival da Canção.

Não vi o festival da canção e só hoje ouvi a canção vencedora. Anda por aí uma gente que acha que canções não são cantigas, sempre à espera de encontrar Mozart num disco da Ágata, Camões numa letra do José Cid, Pavarotti na voz do Zé Cabra.

Este ano, depois da vitória dos Homens da Luta, vai por aí um desassossego de virgindade ofendida, gentinha que diz não se sentir representada, pindéricos que acham pelintra a cantiguinha que vai à eurovisão envergonhar o país, críticos iluminados que falam em falta de qualidade “artística”. Devem estar a gozar (e eu pensava que os homens da Luta é que estão no gozo): um país que põe no topo das vendas de discos Tonys Carreiras, Quins Barreiros e afins ficar próximo da apoplexia com o resultado de um festival que ninguém segue e a que ninguém liga, exceptuando os envolvidos, é giro e dá prazer ver.

Vamos lá a ver a última dúzia de lálálás que ganhou o Festival:

Estas sim, eram canções a sério, com estas sentia-mo-nos representados, estas de pelintra não têm nada e estão cheias de qualidade artística, topa-se logo ao primeiro acorde.

Pró ano também concorro com uma composição séria, rica, artística e de elevada complexidade conceptual, dedicada ao mar e a quem labuta. Vou chamar-lhe Os Homens da Lota. Vai ser uma alegria.

Comments

  1. Artur says:

    Vou gostar de ver os Homens da Luta no festival, não porque tenham uma mensagem revolucionária a transmitir (sempre achei que eram uma paródia precisamente aos revolucionários) mas sim porque vão ficar bem como contraste no mundo barbie, plastificado, seliconizado e sillyconizado do Eurofestival da canção. Gostei de ver à uns anos uns metaleiros que lá foram também destoar da chapa 5 do festival. O Eurofestival da canção vai ter mais uma vez o que merece.


  2. Meu caro Pedro Correia, em vez de escrever sobre o mar e os pescadores, que já nada dizem aos portugueses, devia escrever sobre algo querido ao nosso também querido partido no poder: um ode aos sucateiros e podia lhe chamar os Homens da Lata.

    Aposto que os Abrantes não lhe iam chamar parvo!


  3. Realmente, é de ficar arrepiado (ou será que não?) de tanta virgem ofendida – leia-se intelectuais armados em defensores da qualidade (??) das canções que devem representar Portugal na Eurovisão – com a vitória dos Homens da Luta, que não são mais que uma paródia dos irmãos Vasco e Nuno Duarte a Zeca Afonso e afins.
    Esses mesmos intelectuais esquecem que os tempos mudam e agora o Zé Povinho (dos 8 aos 80) já tem acesso a uma ferramenta que não é só para privilegiados – casos da TV, jornais, rádios. Sim, agora além do voto nas urnas (coisa que ainda um dia deste vai dar um abanão aos sistema político em Portugal, se a incompetência não se repetir…), também há a força da sms e, claro, da fundamental rede social.
    Os portugueses podem ter sido submissos toda a vida – basta ver que nem o 25 de Abril de 1974 foi feito pelo povo-, mas um dia a coisa vai estourar. Devagar, devagarinho enche a galinha o papo, certo?
    Pessoalmente, espero que nas próximas eleições o bloco central seja severamente castigado ou será que ainda se quer mais de gentalha que tem no ADN Soarismo (o que se auto proclama pai da democracia, mas devia ser pai de recreio de Caxias), Cavaquismo (o rei das banalidades como disse Saramago) e Socratismo (o homem de tantas trafulhices, mas só a pseudo-licenciatura diz tudo).
    Não me importo que seja o Bloco de Esquerda ou o PP no governo (ou os dois juntos, que tal irmãos Portas?), mas tudo menos a escumalha que atirou este país para o lodo. Vá lá, temos imensos e fabulosos centros comerciais e estradas…


    • ehehehehehehe, adorei. Ainda por cima, deleito-me a ver no youtube os videos dos homens da luta. Estimo especialmente, o Russo e o Reco, aqueles dois agarrados diplomados. também gosto imenso do gozo que fazem nas manifs, chegando de limusina e depois, “mandando” as bocas do costume. Acabada a faina contestatária, falam em ir comer umas santolas ao Gambrinus. Geniais!

  4. miguel dias says:

    Cumé kota pedro? Tou a linkar ou quê e esse manbo só tá dar wikipedia. mas como então wi? Kero mesmo ouvir esses manbos falados da tuga que ganharam prémio não se é de sei mais é do quê mesmo.

  5. José Pereira says:

    “…que não são mais que uma paródia dos irmãos Vasco e Nuno Duarte a Zeca Afonso e afins.” Perdão mas ao ler uma azamboada destas salta-me o testo co a fervura no panelo… Quem chama àquilo uma paródia ao Zeca e afins, não percebeu nada do que a cantiga trata. Eu pessoalmente acho que o texto se tivesse levado uns arranjos à Zeca e/ou afins, teria muito mais pujança (qualidade ele tem).
    Que o festival da canção sempre foi uma manobra de “gente bem” qualquer um devia saber. A “tourada” de dois “afins” na minha modéstia opinião, sem querer armar em intelectualóide de lado nenhum foi um marco de irreverência nesse tal festival, muito aplaudido (o marco ;))por muitos que nem sequer a letra entenderam.
    O festival continua a ser para mim uma espécie de futebol para “desperate housewives”. Mas respeito, se o merecem, as obras que nele participam… recordo, por exemplo, “Ein bisschen Frieden” que representou em tempos a Alemanha.
    E parafraseando o senhor Geraldo Vandré (Para não dizerem que não falei das flores – ver no youtube) “a vida não se faz só em festivais”!


    • Desculpe se feri a sua sensibilidade, mas é o próprio Jel, na entrevista dada à SIC – julgo que possível de ver por aqui – que fala de Zeca Afonso e José Mário Branco. “Azamboada” é não falar do essencial que eu escrevi: “Pessoalmente, espero que nas próximas eleições o bloco central seja severamente castigado ou será que ainda se quer mais de gentalha que tem no ADN Soarismo (o que se auto proclama pai da democracia, mas devia ser pai de recreio de Caxias), Cavaquismo (o rei das banalidades como disse Saramago) e Socratismo (o homem de tantas trafulhices, mas só a pseudo-licenciatura diz tudo)”.

      Ou será que o José Pereira tem cartão rosa e laranja e custa admitir que também sofre de tacho no currículo? Pois, no seu dicionário não mora a palavra mérito…

      • José Pereira says:

        Falar de Zeca Afonso e de José Mário Branco não é parodiá-los como a frase que eu transcrevi afirma. Quanto ao mérito no meu dicionário é capaz de ter outros sinónimos, ou expressões equivalentes e portanto não me ver obrigado a escrever obrigatoriamente aquilo que os outros querem ler mas sim aquilo que quero dizer e da forma como achar conveniente.
        Perca um segundo (ou ache-o) e interprete a frase: “teria muito mais pujança (qualidade ele tem).” E diga-me se o que está em parêntesis (qualidade ele tem) não será reconhecer mérito…
        Quanto ao joguinho cromático com que procura insultar-me, digo-lhe no mesmo tom: Sou conimbricense e adepto da Briosa. Sou preto!!! Se souber o que isso quer dizer dentro do âmbito cromático, fico feliz. Mas não fôra eu denegrido de alma seria branco; isto dentro do mesmo -âmbito.
        E continuo a afirmar, independentemente de quem o disse e de quem o repita: achar a música em causa uma paródia a dois grandes da música e afins, é curto da extremidade que desejar, que eu até à burrice dou opção de escolha.
        Mas eu não desejava enveredar pela ruela do insulto… além do mais o meu dicionário tem palavrras que vão de mérito a meretriz… e destas tenho o vocabulário quase todo.
        E o essencial que escreveu, se não o mencionei, é porque concordei com tal. Eu pronuncio-me contra o que vejo errado, ou assim considero… O senhor pronunciou-se não por ver algo errado, mas sim porque se sentiu ofendido e, provavelmente por isso, veio com insultozinhos à boca calada.
        O senhor não quer passar a vida toda a pagar uma casa e eu não quero passar a vida toda em discussões de treta onde argumentos capazes escasseiam. (viu a palavra mérito subentendida? Eu também tenho jeito para desenho, sa caso for).
        Desculpem os “Aventares” mas saltou-me mesmo o testo.

  6. José Pereira says:

    Tenho que malhar o ferro enquanto quente.
    Eu decidi ir achar tempo e ver o postado por João José Cardoso e na entrevista a “Jel” o que ouvi foi: “para brincarmos um bocado com as figuras iconográficas do 25 de Abril”, é certo que se poderá entender tal como uma paródia… aceito. No entanto, minha modesta opinião, ele não afirma estar a (ou a querer) parodiar o Zeca e o Zé Mário, ele está a parodiar, isso sim, uma situação usando para isso referências que advêm dos ilustres citados.
    É tudo. 😉

  7. José Pereira says:

    Artur, claro que dou o braço a torcer… Acha que eles (Homens da luta) estão a parodiar o Zeca? Se achar isso, apresente argumentos válidos e eu darei a torcer o braço, a perna, o pescoço, recolocarei o testo no panelo, enfio a viola no saco e até vou votar “no Pinheiro de Azevedo se ele tornar a ir pró hospital”.
    Agora indivíduos armados em contestatários por trás de alcunhas “adeuzóbaitemboraqeupassoporcámaislogo” que em vez de argumentar insultam, não me farão calar. Estou farto de gentinha sem rosto. Esses tipos noutra altura eram chamados bufos.
    Mas pronto, Artur. Eu nem sou advogado dum nem de outro. Regresso à minha pseudo-intelectualidade seguro de ter cumprrido o meu direito de eleitor e consciente que estes políticos lá estão sem o meu voto.
    Peço desculpa se abusei do espaço deste blogue, não tive essa intenção.


  8. Artur e José Pereira, e que tal passar à frente e falar do discurso do Cavaco, da Moção de Censura – de amanhã – ou da manif de sábado? Também podemos falar do super Barcelona:)

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