Eduardo Mãos Largas

Porque a 15 de Junho foi feriado e foi 5.ª Feira, a 16 de Junho não se trabalha na Câmara de Gaia. Tolerância de ponto. Um mãos largas, este Eduardo Vítor Rodrigues.

Deixai vir a mim as criancinhas

O Primeiro Ministro, António Costa, decidiu responder a uma provocação feita por um jornalista, que nas páginas do jornal onde escreve criticou a tolerância de ponto dada pelo governo por ocasião da visita do Papa, queixando-se de que, com as escolas públicas fechadas, não teria quem tomasse conta dos seus filhos. Antonio Costa decidiu assumir pessoalmente o babysitting e as crianças passaram parte do dia com ele, aparentemente felizes. A fotografia da praxe correu as redes sociais, com direito a canal Panda em fundo, e no subconsciente dos mais velhos reluziu a famosa imagem da sala oval, com o petiz gatinhando sob a secretária de pau preto, enquanto o Presidente Kennedy invadia a Baía dos Porcos.
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Fátima, Futebol e Festival da Canção…

 

… onde Portugal é representado por um Salvador cujo coração carece efectivamente de salvação, correndo o risco iminente de colapsar.

Com esta conjugação cósmica, o fim do mundo português será pois a 13 de Maio, com o Governo, Autarquias Locais e empresas públicas a tolerarem o ponto à malta no dia prévio para que – eis a razão – possa arrumar as suas coisas em Paz. Resta saber se terá epicentro no joelhódromo, no Marquês ou em Kiev, com a milagrosa conversão da Rússia à ilharga.

Porém, nihil obstat. Está tudo bem assim e não podia ser de outra forma.

Uma República Laika

laika

Laika como a cadela russa conhecida por ter sido o primeiro ser vivo terrestre a ser lançado no espaço. E não laica por assumir uma posição oficialmente imparcial no domínio religioso, não apoiando nem descriminado nenhuma religião.

De acordo com as versões oficiais, Laika morreu, como aliás antecipadamente se sabia, cerca de uma semana após o lançamento do Sputnik 2, em 3 de Novembro de 1957. No entanto, a experiência, que visava testar a capacidade de resistência animal no espaço, não traria grandes contributos para o conhecimento científico da época, tanto mais quanto a cadela morreu, afinal, devido ao pânico e ao sobreaquecimento, algumas horas depois de o satélite ter sido lançado.

O Sputnik 2 viria, com o cadáver de Laika a bordo, a dar 2.570 voltas ao redor da Terra, até incendiar-se na atmosfera no dia 14 de Abril de 1958, depois de 162 dias em órbita. Menos, é certo, do que o Governo que pretende decretar agora, a pedido dos bispos, tolerância de ponto na função pública, no dia 12 de Maio.

Não depositando grande expectativa na fundamentação desta decisão, seja ela assente no respeito pelos sentimentos religiosos maioritários do povo, em razões de segurança ou nas eleições autárquicas que se avizinham, todas elas ilegítimas e desapropriadas, e não obstante a aparente complacência da esquerda, resta saber quanto tempo demorará a tornar-se cadáver um Governo que comete o pecado de violar os princípios republicanos em que se diz sustentar.

 

A tolerância

No quiosque onde por vezes vou fazer o Euromilhões só para poder dizer Alea jacta est!  qual impetuosa estratega, enquanto a dona do quiosque deixa cair o boletim na máquina, sem cuidar da importância do momento, alheia à frágil tessitura onde se entrecruzam acaso, sincronia, sorte, mirabolantes coincidências, e tudo redunda no invariável resultado de um número e uma estrela, no quiosque, dizia, discutia-se hoje o Papa e a tolerância. A dona do quiosque, que de todos os assuntos pensa que nada vai mudar mas que tudo acabará por ficar pior, dizia que é muito a favor da tolerância mas que há limites e que há gente que abusa. Olha aquela da farmácia, por exemplo, que vem aqui muitas vezes, lê as revistas das telenovelas todas e nunca paga nada, eu sou tolerante mas às vezes apetece-me mandá-la àquela parte. E o Papa, ora o Papa… A Igreja fala muito de dar a outra face mas quando é com eles é outra história, não é? Falar é muito lindo – concluiu, com um gesto amplo, abarcador do mundo, a dona do quiosque.

Fez-se silêncio. [Read more…]

Uma decisão vergonhosa de um Governo ridículo

A decisão do Governo de dar tolerância de ponto aos funcionários públicos por causa da visita a Portugal do chefe de Estado do Vaticano é das decisões mais vergonhosas e mais ridículas dos últimos anos.
Podia relembrar que é apenas um chefe de Estado em visita a Portugal – um entre muitos. Podia relembrar que Portugal é um país laico segundo a Constituição da República que este Governo jurou respeitar. Podia destacar que todos têm o direito de ir a Fátima se quiserem – metem um dia de férias e, se for autorizado, lá vão eles.
Podia ainda informar que nesse dia os meus alunos tinham um teste marcado. Que outros meus alunos iam ao teatro. Que havia um Dia Aberto para os alunos das Escolas Básicas irem conhecer a Escola Secundária. Que havia consultas e operações marcadas nos Centros de Saúde e nos Hospitais. Julgamentos nos Tribunais. E por aí fora.
Podia dar um sem-número de argumentos, mas acho que não vale a pena. Esta decisão não tem ponta ponta por onde se lhe pegue.
A patranha das visões, uma das maiores patranhas do último século, fica para depois, porque não é isso que está em causa. Tiago Barbosa Ribeiro percebeu-o e merece por isso os maiores elogios. Infelizmente, o Governo não o percebeu, porque eleitoralmente lhe interessa não perceber. Da mesma forma que o Presidente da República e a Direita não o perceberão, porque são beatos.
Como eleitor da Esquerda, espero que pelo menos o Bloco e o PCP condenem firmemente esta decisão. Se não o fizerem, mostrarão que são tão hipócritas como todos os outros.

Já estamos outra vez no 1.º de Abril?

Tolerância de ponto para ir ver o Papa?????????

Outro campeão da falta de vergonha na cara

Roubar feriados porque sim, para depois dar tolerâncias de ponto porque sim. Se fossem catar macacos não iam mal.

Parlamentares do PCP e do BE estão bem uns para os outros

Calaceiros
Não passam de uns calaceiros que tudo fazem para não trabalhar.
Envergonham qualquer trabalhador digno desse nome.
Mas o Parlamento, quer estes senhores queiram quer não, vai estar a trabalhar, mesmo que falem, e falem, e falem, e falem.

Outro almoço Aventar

Hoje domingo, dia de descanso de trabalhadores, junto à ponte do Freixo, beneficiados pela tolerância de ponto dada pelo governo vigente, reuniram-se em assembleia ordinária os aventadores do Norte, que começa no Mondego, convenientemente acompanhados pelo mais genuíno lisbonense desta casa. Representantes de várias cores, do norte ao sul de África e até da terra onde nasceu D. Afonso Henriques.

Ficou decidido, a pedido de dois ilustres portuenses que, a partir de agora, o Aventar vai deixar de bater no Governo…… aos dias feriados. Por falar nisso, a conta ainda não veio. Estamos à espera da próxima declaração do Grande Gaspar a anunciar uma descida do IVA, a pedido da Ângela.

Um de nós tem mesmo fundadas esperanças de que o seu destacamento numa escola do Grande Porto se prolongue por mais 4 anos. Para não ter de voltar a Cinfães. E nesse sentido está disposto a tudo. Nuno, amigo, esta parte do Aventar está contigo.

Para memória futura, e enquanto dura o monárquico comboio e caminho-de-ferro, demos e vamos continuar a dar o mote: metade de nós chegou cá sobre carris; não há mesmo outro meio de transporte-cultura tão amigo de almoços bem conversados e regados com Douro. Ah, o Douro…

De comboio, viajei de Lisboa até ao Porto. Uma viagem que adoro, ainda por cima até à beira do Douro. Do Tejo ao Douro, para almoçar com os amigos aventadores. Que felicidade sinto ao visitar este Porto de um Portugal sem igual.

E como já não tenho mais tempo ou espaço para escrever, por aqui me fico, depois de todos os outros o terem feito.

Todos, não. Falto eu e gostava que ficasse aqui, devidamente, registado que acho que estas “tolerâncias de ponto” ao domingo são, manifestamente, “piegas”.

Carnaval

Por JOÃO PINTO

Carnaval é um “conjunto de brincadeiras e festejos que ocorrem nesses dias” ou por “grande divertimento ou festa”. A fazer fé nesta definição, o Entrudo, ao contrário do que se diz nos órgãos de comunicação social, já começou e foi antecipado pelos partidos políticos.
Em vez do tradicional dia de Carnaval, os partidos políticos decidiram que haverá 15 dias de Carnaval. A comunicação social, os sindicatos, o Governo e muitos portugueses não quiseram ficar de fora desta brincadeira. Se correrem bem estes 15 dias, os partidos políticos, acompanhados pelos sindicatos, comunicação social e muitas personalidades importantes da nossa sociedade, prometem continuar a fazer palhaçadas e brincadeiras depois do dia de Carnaval.

Com tantos dias para gozar a verdadeira folia (ainda faltam 15 dias para o dia de Carnaval), como é que alguém pode ter a coragem de pedir mais um dia?

Será que, ao tomar a decisão de não dar tolerância de ponto no dia de Carnaval, o Governo apenas quis dizer “vamos arregaçar as mangas, já brincaram muito este ano”? Será que esta atitude do Governo tem como objetivo principal proibir as palhaçadas em Portugal? Será que os partidos da oposição e os sindicatos consideram que as brincadeiras são um direito adquirido? E a Constituição, será que prevê as palhaçadas?
Será que esta medida é anticonstitucional? Estas perguntas sugerem, em forma de brincadeira, mais umas conversas carnavalescas.

Denúncia criminal visa Sócrates

Isto quando o dinheiro em caixa escasseia, todo o cuidado é pouco.

Foi ontem anunciado no Diário Económico, que Alfredo Castanheira Neves apresentou uma denúncia do foro criminal visando José Sócrates, por eventual administração danosa.

A base terá sido a tolerância de ponto dada à Função Pública na Quinta-feira Santa.

Se isto pega moda…

A intolerância pica o ponto

Ainda a propósito de uma tarde de tolerância de ponto, referi o patrão dos patrões, António Simões, um homem que veio do grupo Mello esse grande beneficiário das parcerias público-privadas em particular na área da saúde. À porta do FMI não teve pejo em fazer queixinha, que não podia ser, era uma vergonha, devia estar tudo a trabalhar, etc. etc.

Apesar das críticas públicas à iniciativa do Governo, enquanto empresário António Saraiva foi ainda mais longe ao dar tolerância de ponto aos seus funcionários que ontem não trabalharam durante todo o dia. Confrontado pelo PÚBLICO, o patrão dos patrões acabou por confirmar que tinha dispensado todos os seus funcionários. “Dei tolerância de ponto, porque acabo por ter ganhos em termos energéticos e de transportes. Se não fosse assim, não teria dado”, justificou, para acrescentar: “A actividade privada fará de acordo com a avaliação empresarial; a actividade pública tem responsabilidades”.

São estes os nossos gestores de topo. É esta a coerência dos que vivem encostados ao estado, dele e dos seus funcionários tudo exigindo. Em troca, em média um terço das empresas portuguesas declara ter tido prejuízo, e dois terços não pagam IRC. É por causa desta gente que estamos como estamos. O resto são mentiras.

Outra vez a mentira dos feriados

Sendo certo que tolerância de ponto nem é feriado, volta a mentira de sermos o país da Europa com mais feriados.

Não é verdade: temos 12 feriados por ano, a média europeia é de 11,92.

Certo, não conto com as 3 tolerâncias de ponto habituais (Natal, Carnaval e Páscoa). Duvido muito é que sejam um exclusivo nacional.

Quanto ao que Pedro Passos Coelho hoje diz é de uma hipocrisia espantosa: sabe perfeitamente que se chegar ao governo fará o mesmo. Como sabe perfeitamente que o problema da produtividade tem outras causas: empresários analfabetos, por exemplo.

Vai ser uma semana santa (obrigado sr. Papa, volte sempre)

Vai ser uma semana santa, aquela que tem início a 10 de Maio. No dia 11, tolerância de ponto da parte da tarde em Lisboa. No dia 13, tolerância de ponto o dia inteiro de norte a sul. No dia 14, tolerância de ponto de manhã no Porto.
Visto que na sexta-feira à tarde não tenho serviço, a minha semana acabará na quarta-feira. Umas mini-férias bem merecidas e tudo graças ao Papa. A partir de hoje, como é que posso voltar a dizer mal de Bento XVI?
Já me estou a imaginar no dia 13. Uma esplanada na Foz, o sol de Primavera quentinho, uma cervejinha fresca, uns amendoins. E no dia 14, dormir até tarde e depois ir passear para longe do Porto e da confusão que vai estar nesse dia.
Também vou aproveitar para reler a Constituição da República. É que estava mesmo convencido de que Portugal era um país laico…