Conversas vadias 10

Na décima edição das “Conversas vadias”, vadiaram António Fernando Nabais, Francisco Miguel Valada, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando de Sousa e João Mendes, à volta de: gravidez masculina, vacina, agulhas, barba, concorrência, sotaques, Brasil, José Mourinho, galones, Carlos Queiroz, fusos horários, pandemia, Baleares, Marega, super-liga, capitalismo, mercado, mérito e comentadores.

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Conversas vadias 10
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Pepe: A legitimidade de criticar


A ingratidão é fodida.

Luiz Felipe Scolari foi despedido pela Federação Portuguesa de Futebol


O seleccionador nacional, Luiz Felipe Scolari, foi hoje despedido pela Federação Portuguesa de Futebol. O Presidente Gilberto Madaíl, responsável pela sua contratação, leu o comunicado.
Este despedimento vem na sequência de uma agressão bárbara protagozinada em directo pelo treinador brasileiro no final do jogo Portugal – Sérvia. Milhões de pessoas, em todo o mundo, testemunharam um soco tão certeiro quão inesperado ao atleta sérvio Dragutinovic. Na altura dos acontecimentos, Scolari começou por negar tudo, vindo depois a assumir a agressão com a desculpa de que estava a defender «o minino».
A UEFA começou por castigar de imediato Scolari por 4 jogos (dois meses e meio), mas a Federação recorreu do castigo. No entanto, acabou por voltar atrás e optou pelo despedimento do seleccionador brasileiro. Uma atitude tão mais coerente quando se sabe que estamos em plena fase de qualificação para a fase final do Europeu de Futebol e que este despedimento vem pôr em causa a qualificação da nossa selecção.
Alguns estão habituados a prevaricar e são sempre desculpados. Se fosse um treinador português, decerto que se passaria de imediato uma esponja sobre o assunto. Felizmente, não foi o caso com Luiz Felipe Scolari, que teve o castigo que merecia pela forma como envergonhou os portugueses perante todo o mundo.
Gilberto Madaíl está de Parabéns pela atitude tomada, bem como o Secretário de Estado, Laurentino Dias, que foi o primeiro a exigir a demissão do seleccionador brasileiro. Bem esteve ainda aquele que realmente manda na Selecção Nacional, Cristiano Ronaldo, que nos jornais da manhã dava a sua aprovação à escolha do novo seleccionador, o carismático Paulo Bento. «Forever Paulo Bento» terá então dito o inteligente capitão da «Selecção de todos nós», que ressalvou, ainda assim, não saber o significado de forever.
Tudo está bem quando acaba bem.

A cona da mãe de Luis Horta

Pelos vistos, a ofensa de Carlos Queirós a Luis Horta, durante o estágio da Selecção, resumiu-se a algo como isto: «Se fosses fazer o controlo anti-doping na cona da tua mãe!»
Compreende-se que Luis Horta não tenha gostado e que tenha ido fazer queixinhas ao seu superior. Afinal, mãe é mãe e, imaginando-se a frase no seu sentido literal, a cena não se torna lá muito agradável.
Mas sejamos sinceros: em nenhuma parte do mundo essa frase seria justa causa para despedimento, sobretudo num mundo com as características do futebol (e já se esqueceram quem é Luis Horta?). Nem sequer uma razão atendível, seja lá isso o que for.
Querem despedi-lo por maus resultados e mau futebol? Força, mas então não inventem outras razões.

Mau selecionador, mas bom negociador

Fiquei hoje a saber que o contrato de Carlos Queiroz prevê um prémio de dez por cento do valor pago pela FIFA à Federação Portuguesa de Futebol pela presença no Mundial 2010. O homem pode errar a torto e a direito dentro do campo, mas é bom na secretaria. Já Madaíl, como negociador, apresenta-se ao nível a que joga futebol a Coreia do Norte. Resultado: uma cabazada das antigas.

Obrigado, rapazes… e agora que ganhe a Espanha

       

Na verdade, só estão de Parabéns os das fotografias. Foram os únicos que lutaram do princípio ao fim e que, pelo menos, dignificaram a camisola da Selecção.

No fim de contas, podia ter sido pior. Com um treinador sofrível, um conjunto de jogadores banalíssimo e um dito melhor do mundo completamente inexistente (como sempre na Selecção), cumprimos os mínimos. Somos maus em tudo, por que razão havíamos de ser os maiores no futebol, ainda por cima contra o Campeão Europeu?

Os crentes em S. Scolari bem podem andar todos contentinhos, mas a verdade é que neste Mundial fizemos exactamente o mesmo que no Europeu de 2008. Nem mais nem menos. Qualificação na fase de grupos (onde há dois anos se incluiu uma humilhante derrota contra a miserável Suíça por 2-0) e eliminação logo no primeiro jogo a doer.

Haverá sempre o Mundial de 2006 para comparar, claro. Um excelente quarto lugar, é verdade, mesmo tentando esquecer a copiosa derrota contra a Alemanha, as estrondosas vitórias contra esses potentados que dão pelo nome de Angola, Irão e México e o heróico festival de cacetada nos holandeses que nos permitiu chegar às meias-finais. Quanto aos jogadores, basta comparar e juntar-lhes mais quatro anos nas pernas.

 

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Agora se percebe por que razão determinados jogadores são chamados à Selecção

«Vocês [jornalistas] não sabem o número de vezes que eu chamo deteminados jogadores ao meu quarto.», Carlos Queirós, em conferência de imprensa após o jogo com a Espanha.

Uma perguntinha inocente…

…ou, talvez, duas.

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Deco não joga.

“- E o burro sou eu?  Hum, hum?”

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José Mourinho nu em Madrid…

…era capaz de encantar muita(o)s fãs.

Basta-lhe seguir os passos de Maradona e vê-lo-emos em pelota na Praça de Cibeles festejando títulos.

Já se Carlos Queirós prometer despir-se e desfilar nu no Rossio, deixo aqui um aviso: mal por mal, prefiro que Portugal não seja campeão. Livra!

Sá Pinto faz escola!


Carlos Queirós e jornalista Jorge Baptista à batatada no avião.
E agora, o que é que se faz? Não se faz nada. Jorge Baptista não é muito recomendável em termos de objectividade e isenção, mas o seleccionador não pode responder ao sopapo. Quem ele pensa que é? O Scolari?

Obrigado Carlos Queirós

É hoje o sorteio da fase final do Campeonato do Mundo da África do Sul. Com quem vamos jogar? Não interessa.

Para já, devemos agradecer a Carlos Queirós. Porque vamos ao Mundial.

Sem a fantochada das bandeiras nas casas e nos carros.

Sem a palhaçada das Nossas Senhoras dos Caravaggios, das rezas e dos santinhos.

Sem precisar de atiçar contra um clube toda uma nação.

Sem precisar de hostilizar símbolos do nosso futebol.

Sem precisar de «inventar» outros jogadores para a mesma posição dos hostilizados.

Sem precisar de idolatrar quem sai e regressa quando lhe apetece.

Sem precisar de andar ao murro aos adversários.

Sem precisar da parolada do discurso e do fato de treino.

Estamos onde queremos sem ter precisado de nada disso. É por isso que hoje, dia do sorteio para a fase final, só me ocorre mesmo dizer «Obrigado Carlos Queirós».

 

Os militares portugueses vao à bola

Hoje de manhã, ouvi na TSF uma alta patente do Exército português, destacado na Bósnia, a dizer que gostava muito que Portugal jogasse contra a Bósnia no «play-off» de acesso ao Mundial da África do Sul e que fazia questão de receber os jogadores no seu quartel-general.

Nem de propósito, a Bósnia vai ser mesmo o adversário de Portugal. Presumivelmente, porque nestas coisas nunca se sabe, era o melhor adversário que a nossa Selecção podia encontrar, juntamente com a Eslovénia.

Estamos a uma distância muito curta de chegar ao Mundial. Acredito que vamos estar lá, por mais que Scolari peça à Senhora do Caravaggio para que tal não aconteça.