Cada país tem o seu massacre


As balas são acessíveis, custam cerca de euro e meio por litro em qualquer gasolineira. As rajadas são traiçoeiras, feitas de ultrapassagens à segurança dos outros.

Dia após dia, cruzo-me com eles no asfalto de batalha. Têm pressa, mal podem esperar pelas importantíssimas insignificâncias que os esperam. Ontem encontrei um no IC19. Veio da esquerda, cruzou em diagonal três faixas, forçou a existência de um espaço à minha frente, para finalmente, já em cima do risco contínuo, enveredar por uma saída. Fiquei fascinado com tamanha proeza, plena de audácia e de destreza. No vídeo-jogo, em que aquele condutor vive, depois gastas as três vidas basta recomeçar. Mas na vida real que lhe parece ser estranha, game over traz sangue e lágrimas.

Cada país tem o seu massacre, seja pela mão de pessoa colectiva ou individual.

Comments

  1. Konigvs says:

    As balas são acessíveis, mas é uma chatice, enfiam-se uns balázios em alguém mas depois dependemos do “totoloto” da justiça como diz o Marinho Pinto!! O meu conselho para quem quer assassinar alguém, sem depois ter complicações com os cábulas dos juízes, é desde logo conhecer bem os horários do alvo a abater, e as horas certas em que passa em determinado sítio. Depois é só pegar num carro e arrear uma boa pantufada em cheio e mandá-lo para os anjinhos. Temos aqui o crime perfeito!!

    Exemplos são muitos. Relembro só o caso da psicóloga que foi apanhada no radar, numa zona de 50 a 120km/hora no Terreiro do Paço e que matou três mulheres e levou pena suspensa.

    Cruzar as auto-estradas da esquerda para a direita pouco antes das saídas é o pão nosso de cada. Aqui no Porto é vê-los na entrada para a A4 e pronto de quando em vez lá temos os choques em cadeia.

    Outra coisa muito interessante, é ver o quanto é bem aceite pela sociedade portuguesa os aceleras na estrada. Ao lado do álcool, da fuga ao impostas, os aceleras são muito bem visto, principalmente porque ninguém cumpre os limites de velocidade. Ainda há umas semanas atrás, num jantar de amigos, mal especulei sobre a velocidade que a estrela dos morangos devia ir quando teve o acidente logo ouvi vozes incomodadas e me questionaram – e tu? Não me digas que andas a 120 nas auto-estradas?

    Só para concluir, há uns meses fui a Espanha precisamente no dia em que o governo limitou a velocidades a 110km/hora. Estava numa loja com uma amiga, e enquanto ela procurava uns recuerdos para a família, eu fiquei a conversar com o dono da loja. Falamos da crise, da idiotice dos pagamentos das SCUT – o homem não fazia ideia como pagá-las – e depois perguntou-me se eu sabia que agora em Espanha só podia andar a 110. Disse-lhe que sim e ele exclamou:

    “Agora até Portugal 110 despues 170”.

  2. luispt84 says:

    Situações dessas no IC19 são muito comuns infelizmente.

  3. Dario Silva says:

    Para tudo na vida é preciso a fruta certa; no caso: tomates.

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