Paulo Trigo Pereira

na sua primeira intervenção como deputado independente pelo PS, lembrando a legitimidade democrática não apenas  do Governo cessante como do que se posiciona para ser empossado, e fazendo a Passos Coelho duas perguntas fundamentais. Aqui.
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A palavra *confiança*

é muito recorrente na propaganda política. Já foi escolhida pelo PSD (em 1995, com Durão Barroso, por exemplo) e também pela CDU, nas autárquicas de 2013. Há certamente muitos mais exemplos, de campanhas de todos os partidos políticos, em que a palavra *confiança* foi a estrela. É uma palavra muito apetecida pelo marketing político. Mas a nós, aos eleitores, dá-nos para desconfiar dela.

Num momento em que o PS está especialmente exposto à (compreensível) desconfiança que lhe dedicam tantos eleitores (e não, não me refiro à estafada história mal-contada da bancarrota do País, que a actual coligação e demais odiadores profissionais do PS lhe atribuem, como uma saca de culpas que apenas aos socialistas coubesse carregar), sobretudo desde a detenção de José Sócrates, é caso para perguntar: não se arranjava mesmo mais nada? Uma palavra normal e honesta, como por exemplo *recomeçar*?

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Há uma distância cada vez maior, e até mesmo dolorosa de ver, entre o discurso político (velho) e os anseios dos cidadãos. Está tudo errado, nessa comunicação. Penso mesmo que a escolha da palavra *confiança* espelha o projecto eminentemente desconfiável do PS. Do PS bloco-centralista, que prefere sempre aliar-se aos outros sociais-democratas do PSD – e até mesmo aos seus neoliberais -, em vez de viabilizar (através de uma prática política diversa da que tem seguido) consensos à esquerda, que é onde, ainda assim, estão os únicos outros socialistas portugueses. O PS tem essa natureza híbrida.

Urge uma ruptura com toda esta linguagem, de que é exemplo também a frase inacreditável que afirma que *Sócrates Sempre*. Não há reforma possível, dado o adiantado estado de decadência deste discurso. [Read more…]

A palavra legitimidade

Rajoy também não se demite.

“Eleito com 50% dos votos”,

diz o Primeiro-ministro turco Erdogan, para usar o argumento da legitimidade democrática. Resta saber quantos votaram, isto é, o que representa 50% desses cidadãos eleitores. Não há volta a dar-lhe: a democracia representativa não funciona em lado nenhum.

Allô Passos Coelho?

Perante vários dias de protestos populares nas ruas, o primeiro-ministro búlgaro demitiu-se e disse: “Nós temos dignidade e honra. Foi o povo que nos deu o poder”, acrescentando que não participará “num Governo quando a polícia bate no povo e as ameaças de protestos substituem o debate político”.