Deputada Isabel Moreira contra os “populistas” e “raivosos”

A nossa forma de organização social e política, o modo como a Constituição da República consagra a separação de poderes e a responsabilidade de cada um deles, os direitos que a mesma Constituição estabelece no âmbito da liberdade de pensamento e de expressão de que é legítima usufrutuária a chamada sociedade civil – os cidadãos -, parecem, por vezes, ser um enfado, uma chatice, para a senhora deputada Isabel Moreira.

É verdade que a senhora deputada é uma das mais inteligentes – e influentes – figuras do Partido Socialista, conhecedora profunda dos mais acertados métodos de unir inteligência e influência, mas por vezes parece que o nosso regime fica algo aquém da sua potência esclarecida e da suprema razão que detém sobre tudo o que diz e que tantas vezes, com tanto sacrifício, tenta explicar aos mortais republicanos que cegos vagueiam na sombra da sua saia.

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É preciso fechar a torneira aos partidos

Entre 2014 e 2017, os contribuintes entregaram 120 milhões de euros aos partidos políticos, sendo que a esmagadora maioria desse montante foi parar aos cofres da São Caetano e do Largo do Rato.

Podia aqui argumentar sobre a importância de financiar a actividade dos partidos, como forma de os manter imunes a interesses privados, algo que não corresponde nem nunca corresponderá à verdade, em particular no seio do PS, PSD e CDS-PP. Podia escrever linhas e mais linhas sobre a importância dos partidos numa sociedade democrática e plural, que é inegável, como se o valor que para eles transferimos fosse usado em prol do esclarecimento da população. Mas prefiro não me pôr para aqui com merdas e paleio de saco. [Read more…]

Natal dos partidos – alterações pontuais e necessárias?!

Extracto do DRE – clicar na imagem para ampliar

Sérgio de Almeida Correia, no Delito de Opinião, publicou um minucioso sumário das mudanças na lei do financiamento dos partidos, colocando uma questão central sobre se estas se tratam de “alterações pontuais” e “necessárias”, tal como indica a exposição de motivos presente no projecto de lei.

Além dos pontos mais focados na comunicação social (remoção do tecto para a receitas de angariação de fundos, isenção de IVA e uso  gratuito de espaços e imóveis detidos pelo Estado ou por IPSS), o autor disseca o vasto elenco de alterações, deixando a nu o regime de ainda maior excepção ao nível da transparência e benesses que os partidos arranjaram para si mesmos.

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Mais notas sobre o natal dos partidos

Porco feliz depois de um trabalho bem feito

Em jeito de continuação do post: “O Natal dos partidos“.

O projecto de lei 708/XIII, cozinhado à socapa, subscrito por gente de todos os partidos (com a ausência do PAN e a ausência inconsequente e quase de certeza interesseira do CDS), foi aprovado em vésperas de Natal, é uma demonstração da competência e eficiência dos nossos eleitos!

Esta unanimidade não é inédita. Em 2015 os partidos também se uniram pelo direito a usar as subvenções do parlamento em actividades políticas.

Como se vê os pactos de regime não são impossíveis em Portugal.

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Portugal tem dos partidos mais ricos da Europa

Notícia do Diário de Notícias.

2015-10-04 Eleições - 230_deputados

Composição do parlamento resultante das últimas eleições

O combate político deveria ser o combate de ideias, não deveria ser o combate de orçamentos de propaganda. E se houvesse uma reforma do financiamento partidário que colocasse em primeiro lugar as ideias?

Proponho o seguinte:

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As contas dos partidos

O JN noticiou que o PS estará falido, andará inclusive a pedir dinheiro aos militantes. Olhando para as contas do PS ao longo dos últimos anos, de certeza que eu não queria ser fornecedor deste partido. Está em falência técnica há três anos, seguindo uma trajectória preocupante. O PS já veio negar a falência, se formos estritamente correctos não está falido, enquanto os credores aguentarem a situação pode permanecer como está (algo me diz que o PS não terá dificuldade em encontrar quem compre esta dívida e não se importe de a manter…).

Deixando de lado estas questões, a situação é esta:

PS
2015 2014 2013 2012 2011 2010
Activo 15 411 702 14 049 518 27 781 206 10 989 719 12 359 989 14 429 389
Capital (6 260 353) (4 804 742) (1 269 233) 2 403 136 4 384 697 7 248 345
Passivo 21 672 055 18 854 260 29 050 439 8 586 583 7 975 291 7 181 044
Resultado (1 044 243) (3 533 709) (3 837 136) (589 886) (3 152 075) 1 324 001

Valores em EUR

Como estarão os outros partidos?
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Administradora da Arrow Global é Vice-Presidente do PSD

Só uma mente retorcida e anormalmente conspirativa concluiria que a escolha de Maria Luís Albuquerque, deputada à Assembleia da República e Administradora da Arrow Global, para Vice-presidente do PSD, resulta da estratégia de financiamento do Partido Social Democrata. É claro que isso é um absurdo e até uma ofensa. O PSD jamais engendraria um estratagema desse calibre, que passasse pela cedência de informação privilegiada do Estado português a uma multinacional financeira, a troco de financiamento da sua própria actividade política e partidária. O PSD já deu provas, até recentes, de colocar o interesse nacional acima do seu próprio interesse, além do que esse seria, como é evidente, um procedimento completamente ilegítimo. Na política não vale tudo.

A política no ” grau zero “.

grau-zero
Virgílio Macedo tomou hoje posse como secretário de estado da administração interna do novo governo. Talvez seja uma boa desculpa para mais um ” golpe palaciano ” na Distrital do PSD do Porto.

Há cerca de 10 anos que nenhum presidente da distrital do PSD do Porto completa o seu mandato. Foi assim com Agostinho Branquinho, Marco António Costa e Virgílio Macedo. Esta é sempre uma forma de apanhar desprevenidos os seus antagonistas, não permitindo que haja tempo necessário para que possa aparecer uma alternativa política com tempo efectivo para apresentar uma candidatura credível e para fazer uma campanha séria e verdadeira junto dos 30.000 militantes do PSD no distrito do Porto.

Defendo, por várias razões, que o financiamento dos partidos deve ser exclusivamente público. Este é um passo importante para o fim da corrupção. Até agora só ganha eleições internas quem tem recursos financeiros para pagar as quotas aos ” seus ” militantes. E este dinheiro para pagar quotas de militantes de onde vem? De alguma árvore das patacas ou aparece após um toque de midas? Está provado que não se ganham eleições internas por mérito, mas ganha quem tem dinheiro. Por isso os dirigentes políticos são aqueles que conhecemos. Não se discutem ideias ou projectos, apenas prometem-se e oferecem-se ” tachos “.

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A palavra legitimidade

Rajoy também não se demite.