Passos Coelho e a reciclagem das metáforas

sapato-mexilhao_21195868Passos Coelho, há dias, resolveu fazer uma revelação. Como já tinha decidido utilizar uma expressão popularucha, compôs, como qualquer mau comediante, um ar de quem está a conter o riso, de modo a que o público percebesse que deveria rir. E o público riu, porque com as piadas do chefe não se brinca.

Passos Coelho revelou, então, que, ao contrário do “que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais (…)”.

O mexilhão, portanto, segundo Passos Coelho, desta vez, não se lixou. Foi nesta altura que descobri que comungo com o primeiro-ministro do mesmo gosto por brincar com a metáfora, a pilinha dos intelectuais e dos cómicos sem talento. De qualquer modo, e seguindo os caminhos desembaraçados do “jargão popular”, quem brinca com o que tem a mais não é obrigado.

Num primeiro momento, pensei que Passos Coelho estivesse a cair no simplismo de considerar que os mais necessitados corresponderiam, como é costume, ao mexilhão, mas não ficaria bem a um primeiro-ministro brincar com a vida de uma maioria de gente que empobreceu. Quando, depois, li que “o fosso entre ricos e pobres está agora no pior nível dos últimos 30 anos”, e tendo em conta quem não se lixou, percebi quem são os bivalves e confirmei que a pedra continua a ser o povo: a água mole continua a desempenhar o seu papel e o mexilhão sobreviverá.

O desgoverno dos bem-sucedidos

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Todos sabemos quem é o senhor da imagem: Bernardo O´Higgins Riquelme, o denominado libertador do Chile. Nascido em Chillán, a 20 de agosto de 1778 e falecido em Lima, a 24 de outubro de 1842) era um político e militar chileno. Era o único filho do Governador do Reino do Chile y de uma dama que, como diz a Ata de Nascimento que estudei e analisei e copiei na Casa-Museu

O´Higgins  de Talca, cidade a 350 quilómetros do Sul da Capital do Reino desses tempos, e de uma dama, dizia eu, que por causa da sua elevado posição na sociedade chilena, vamos ocultar seu nome. Mais tarde na vida soubemos que essa Dama era Isabel Riquelme y Meza (Chillán, Reino de Chile, 1758Lima, Perú, 21 de abril de 1839), quem teve amores com o governador. Desses amores nasceu este filho Bernardo como ilegítimo desses pais.

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ai, mísero de mi, ai, infelice

deprimido

Esforçava-me em esquecer os dramas que hoje em dia vivemos, só, sem amigos, doente e sem dinheiro, esse número de desventuras que podem cair sobre nós, quando as empresas e indústrias, também estabelecimentos de ensino de todos os tipos não cumprem o seu dever, e a pobreza nos agarra como um vento de furacão, que nem comer permite-nos.

Com que dinheiro, com que meios vivemos, qual a água que usamos para não pagar esse 40% mais que começa a ser cobrado? Voltamos as velas para nos iluminarmos e fugir dos impostos? Usamos mantas para nos sentar e agasalhar-mos-nos, fugindo do frio e dos impostos? O título do meu texto explica bem, penso eu, a depressão que o sítio causa, especialmente se o encontro é com a gestora dos meus bens, dos poucos que ficam, porque os outros foram-se com o vento da falência portuguesa e da Europa. [Read more…]

as minhas memórias: netos

as minhas memórias

 ….para a minha neta mais nova, May Malen, que, nestes minutos, voa de volta para sua casa… acompanho-a com a escrita. 

Tenho a sensação que nós, adultos maiores, desejamos uma descendência, como tenho escrito noutros ensaios do nosso blogue, divertida, carinhosa, sem temor, que saiba rir e nos traga felicidade.

Certo está quem escreve, existir uma geração nova, entre os netos e nós, os avós. Essa geração é a que sabe como tratar os seus pequenos, não grita, acompanha-os nas viagens por sítios perigosos, se não estivermos, as duas gerações, de forma silenciosa, a medir essas aventuras. De forma escondida, a observar, não por felonia ou protecção, mas para quem experimenta se se pode sentir seguro das suas aventuras. [Read more…]

Nós é que amamos. Portugal, Chile e os seus costumes

 http://www.youtube.com/watch?v=P-4cWnh-uek

Sonhava, reconheço, sonhava. Parecia-me que o Chile e Portugal, eram dois países semelhantes: debates, desencontros, divertimentos, demissões. Países em festa que parecem ser uma pantomima, como as suas relações todas cortadas, sem se entenderem entre eles, como devem ser, quando se governa: há quem diz, há quem diz que nada disse, toma-se o dito por não dito. Era um sonho, quase pesadelo, porque eram os meus países, especialmente Portugal: correcto ou incorrecto, o seu comportamento político e arte de governo, mas meu país, nos bons e maus momentos. No meu sonho, devo ter pensado que Portugal era como a Nação Mapuche que habita no Chile. O meu sonho, de um quase impossível entendimento entre partidos políticos, muito semelhantes. Faziam a festa e passavam a conta ao povo. Vou contar esse sonho, mudando o nome das hierarquias que nos governam, ao que eu vi no meu sonho. Uma metáfora…de países na sua infância… [Read more…]