O desgoverno dos bem-sucedidos

250px-Ohiggins.jpg

Todos sabemos quem é o senhor da imagem: Bernardo O´Higgins Riquelme, o denominado libertador do Chile. Nascido em Chillán, a 20 de agosto de 1778 e falecido em Lima, a 24 de outubro de 1842) era um político e militar chileno. Era o único filho do Governador do Reino do Chile y de uma dama que, como diz a Ata de Nascimento que estudei e analisei e copiei na Casa-Museu

O´Higgins  de Talca, cidade a 350 quilómetros do Sul da Capital do Reino desses tempos, e de uma dama, dizia eu, que por causa da sua elevado posição na sociedade chilena, vamos ocultar seu nome. Mais tarde na vida soubemos que essa Dama era Isabel Riquelme y Meza (Chillán, Reino de Chile, 1758Lima, Perú, 21 de abril de 1839), quem teve amores com o governador. Desses amores nasceu este filho Bernardo como ilegítimo desses pais.

Foi rapidamente escondido na fazenda Quepo e criado pelo comerciante português Albano Pereira, baixo estrita vigilância do seu pai o Governador, mais tarde elevado a categoria de vice-rei da Espanha, sedeado o vice-reinado na cidade de Lima da hoje República do Perú. Os pais no podiam casar por causa da lei da monarquia espanhola, lei que proibia o matrimónio dos seus representantes nas colonias, com mulheres de corte não nascidas na Espanha e assim evitar favores especiais para esses grupos domésticos e amigos. O segredo foi bem guardado, Isabel Riquelme casou Posteriormente, se casó con Félix Rodríguez Rojas, con quien tuvo una hija, Rosa Rodríguez y Riquelme. O pai o reconheceu como filho, em cumplicidade com Albano Pereira e o Registo Civil da cidade de Talca. Mais tarde na vida, pelos oito anos do filho sem pais, Albano Pereira recebeu a visita de oficiais do Regimento Talaveras que guardavam o Vice-Rei e mantinham as colonias calmas. Os dois oficiais tinham a ordem de levar o rapaz para o colégio de filhos sem pais, sítio em que recebeu uma educação esmerada por parte dos franciscanos que a governavam. Esteve nesse colégio dois anos, mantendo sempre uma séria correspondência com o seu pai, o vice-rei Ambrósio O’Higgins, irlandês, sendo-lhe outorgada a nacionalidade espanhola pela monarquia dos Bourbom de Madrid, por ser um excelente gestor e legislador, uma mais-valia para essa coroa. Não podia casar com a mãe do seu único filho, o que Don Ambrósio mais desejava, mas podia mudar de nacionalidade no interesse económico de todos e legal dos súbditos da coroa que governava a metrópole da Europa e o vasto império construído no mundo, em vários continentes. Os Talaveras apareceram mais uma vez e embarcaram a Bernardo O’Higgins para continuar a sua educação em Lima e, a seguir, num internato de Londres e, mais tarde, na Universidade de Richmond como tenho explicado em outros textos sobre O’Higgins. Outra parte da sua educação foi na França revolucionada, onde aprendeu rebeldia ensinada a ele, a José de San Martín e a Simón Bolívar, todos libertadores das suas colonias de origem: a de Nova Granada, hoje Colômbia, onde tinha nascido Simón Bolivar, a do Rio da Prata de San Martín, vice-reinados destruídos por forças das novas pátrias que eles formaram, tendo aprendido como se revolucionar de Benjamin Franklin, Embaixador dos novos estados unidos de américa, de Thomas Jefferson e de Francisco de Miranda, o filósofo pai de todos os libertadores. Tornou ao Chile em 1808, nos seus 24 anos e passou a ser proprietário da fazenda Las Canteras, herdada do seu pai Ambrósio, com uma avultada suma de dinheiro para a gerir e outras terras que seu pai possuía na Espanha. De huacho, passou a ser um magnate e homem de grande riqueza. Levou para sua casa de Las Canteras a sua mãe, viúva jovem, e sua meia irmã Rosa Rodríguez e Riquelme. Mal soube do que acontecia no Chile pela libertação da Colónia de Espanha, de imediato ofereceu os seus serviços aos novos governadores do Chile, foi armado brigadeiro e, mais tarde, com José de San Martín, organizaram um exército para libertar a nova Nação. Em 1818, a vitória foi conseguida, os realistas expulsos do Chile após de uma cruenta guerra e prolongada guerra, que durou até 1822.

Bernardo O’Higgins foi eleito para governar a nova República, com o título de Diretor Supremo. Formou um Congresso bicameral como tinha aprendido em Londres, para legislar, redigiu a Carta Fundamental do Estado ou Constituição de 1818 que o dotava de grandes poderes para vetar leis, organizar o orçamento da Nação, encarcerar os que não estiverem de acordo com ele e a sua ideologia britânica aprendida das histórias do Lord Protetor da Grã-Bretanha, Oliver Cronwell, que fechara o Parlamento para ser ele só a governar a loura Alvião, o que conseguiu após ter morto um Rei Lancashire e durante cinco anos organizou a nação inglesa com grande sucesso. O’Higgins queria imitar esses comportamentos e mandava assassinar os seus opositores, afiliou-se a Lógia Lautarina, uma maçonaria nacional que ditava as leis que o Diretor Supremo devia assinar e mandar cumprir. A primeira, foi atacar à aristocracia, abolindo os títulos nobiliários, a seguir, acabou com o direito à Primogenitura ou herança de todos os bens pelo primeiro varão nascido de uma família de bens, instauro um imposto elevado para os mais ricos e outro para o povo trabalhador, com a sua ambição de manter cheias as arcas do tesouro do Estado Chileno, pagar a sua Guarda Pessoal, investir em bens para o Estado e enriquecer a Nação armada que sempre teve o seu dispor. Dinheiro que investira na aventura de libertar o Perú, com José de San Martín, derrubando o derradeiro vice-reinado da nova América. Obrigou a Nação Mapuche que habitava o Chile antes da chegada dos conquistadores, os verdadeiros proprietários do solo a ser chilenos o que eles não queriam e rejeitaram esse tratamento. O’Higgins os encurralou na província mais fria e distante da metrópole, a Araucanía, palavra retirada do livro de versos sobre os Mapuche de Alonso de Ercilla (Madrid, 7 de agosto de 153329 de noviembre de 1594) , escrita em verso e acabada em Madrid a 7 de dezembro de 1533. Relatava a forma brava da luta Mapuche contra os que se apoderavam do seu território, O’Higgins ignorou o facto e manteve uma guerra permanente contra eles.

Os triunfos de O´Higgins em libertar ao Chile e ao Perú, bravos e valentes como todo o mundo reconhece, expondo o seu corpo e fortuna para libertar a pátria das garras do governo espanhol, fizeram dele um ditador. Os melhores soldados do Chile estavam sempre na fronteira, baixo o mando do general Ramón Freire, companheiro de Armas de O’Higgins na libertação do Chile. Mas o objetivo do agora ditador, era manter longe de si um general que tinha consciência e admoestava a O’Higgins pelas traições cometida contra o povo.

Como hoje em Portugal. O Pai da Pátria chilena, roubava aos cidadãos qualquer importância que ele estimava fosse demais, obedecia ordens mandadas de fora do país pela sua Lógia, como se for o FMI, indicava as leis que deviam ser impostas sobre o povo para retirar esse dinheiro que ele considerava lucro excessivo e o investia no cofre fiscal. Para as suas lutas e conveniências. Os louros ganhos na guerra levava-o a pensar que podia governar a seu amanho, a sua maneira. O povo, enfurecido, rebelou-se e queriam matar ao Diretor Supremo, que abandona-se o seu cargo, por ninguém estar certo o que ia acontecer a seguir. Até a sua companheira, a Dama de Corte. Rosário Puga, com quem teve um filho que reconheceu mas não casou com ela, o abandonou. Apenas ficaram com ele a sua mãe, a sua irmã e o seu filho.

Reparou no que tinha feito e teve a consciência de que um alçamento podia-lhe custar a vida, tal era a fúria dos chilenos, que nem a rua saía para não ser morto ou assassinado por eles. Freire ficou farto das felonias do seu antigo colega e amigo nas armas e avançou sobre Santiago com o seu Exército. O’Higgins preparou o seu, mas recapacitou para evitar uma guerra civil. Não enviou nenhuma milícia contra os sublevados. Solicitou ao Congresso audiência e disse: vejo que não gostais da minha forma de governar, nem da minha pessoa, pelo que deposito cá a banda que me foi entregue por vós e a piocha, símbolo de mando e vou-me embora em exílio ao país que me quiser acolher.

Foi-se embora para o Perú onde mandava o Protetor, San Martín, foi-lhe entregue uma fazenda, Motalbán, da qual viveu até a sua morte. Ao exílio foram com ele a sua mãe, sua meia-irmã, Pedro Demétrio e duas nativas adotadas por ele. E nunca mais tornou ao Chile. Foi o seu filho Demétrio O’Higgins que o levara num sarcófago de mármore oferecido ao governo do Chile na Presidência do herói da guerra contra a Confederação Bolívia- Perú, o General Bulnes. Manuel Bulnes Prieto (Concepción, 25 de diciembre de 1799Santiago, 18 de octubre de 1866). Militar y político chileno, Presidente de la República entre 1841 y 1846, siendo reelegido para el periodo inmediatamente siguiente entre 1846 y 1851. Recebeu os restos de O’Higgins em 1948 e fez um funeral digno, honras fúnebres para o antigo Presidente da República.

O povo, unido, pode causar estas destituições como deve ser. Os louros bem conseguidos na guerra da liberdade, foram perdidos pela sua forma ditatorial de governar….Um povo que marcha contra os abusos de poder, pode derrubar a quem entenda…

Raúl Iturra

22 de Outubro de 2012.

lauyaro@netcabo.pt

Comments

  1. carlo says:

    oiça lá
    o desterro da terra
    dos vermes inundaram o país cíume
    a vergonhosa campanha de abolir a fama
    foi intimo de lamúrias , nas vaidades de infame
    açoitou o povo de enganos
    açoitou o alimento de veneno
    vilão que nasce vilão sempre vilão será
    ainda que das pedras se cubra de musgo
    um dia a sua mentira desvendará
    foram muitas colheitas, e anos perdidos
    sinos destronados, igrejas vazias
    a rebiques uns ouvia, outros acudia
    oiça lá
    ainda vindouros serão de cobiça
    desfrutar alheia vertigem da maldade
    cair no ridiculo das penas quebradas
    sair do enfermo da moléstia
    sucumbir ao sarcástico da avareza
    oiça lá
    quantos abutres se compoem uma manada
    quanta caça se faz uma caçada
    além de melancolia, fica a nostalgia
    de nada ter ganho, nada a criar para o ganho
    oiça lá
    se ouvir satisfaz a trombeta do avenir
    se ouvir faz a gorjeta do lucro
    se tudo assim se acabou de se prostituir

    albert caluanda

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.