ai, mísero de mi, ai, infelice

deprimido

Esforçava-me em esquecer os dramas que hoje em dia vivemos, só, sem amigos, doente e sem dinheiro, esse número de desventuras que podem cair sobre nós, quando as empresas e indústrias, também estabelecimentos de ensino de todos os tipos não cumprem o seu dever, e a pobreza nos agarra como um vento de furacão, que nem comer permite-nos.

Com que dinheiro, com que meios vivemos, qual a água que usamos para não pagar esse 40% mais que começa a ser cobrado? Voltamos as velas para nos iluminarmos e fugir dos impostos? Usamos mantas para nos sentar e agasalhar-mos-nos, fugindo do frio e dos impostos? O título do meu texto explica bem, penso eu, a depressão que o sítio causa, especialmente se o encontro é com a gestora dos meus bens, dos poucos que ficam, porque os outros foram-se com o vento da falência portuguesa e da Europa.

O sítio que me fez pensar estas e outras ideias, foram dinamizados pelo ambiente do lugar de que voltava: o banco. Não o de sangue, onde vendo parte da minha, para comprar pão e comer com carioca de limão. Bem pior, do Banco dos dinheiros, visitado por imensas pessoas para experimentar as alternativas de sobrevivência, vendendo acções, carros, casas impossíveis de para pelos altos juros da hipoteca que o sistema do capital, como forma de vida, nos permite, ou nos permitia usar.

Os Bancos são como as farmácias: no primeiro, procuramos moeda, no segundo, tranquilizantes que ajudem a essa necessidade de não pensar ou, em casos, de veneno para acabar com o sistema de vida a que fomos submetidos pela má gestão dos haveres das indústrias de Portugal. O objectivo passa a ser alugar força de trabalho barata, sem segurança social por ser assim mis barato o investimento que rende mais-valia aos que enganam aos mais dedicados ao seu trabalho e dá lustre e brilho a o lugar de trabalho. Uma outra mais-valia, para um lucro fácil para a entidade que contrata, mas que acaba por empobrecer a quem aceita a felicidade de encontrar esse lustre e brilho, que faz do seu nome o de uma pessoas famosa, reconhecida socialmente, sem reparar o felizardo que o nome mais amplo e importante, é do proprietário ou director do local em que tenciona ser o melhor.

Para me entreter, comecei a ler e cai nas minhas mãos a vida de outro infeliz do mundo, a da personagem de Calderón de la Barca, quem define que a vida é um sono, por causa de não ter cometido delito nem crime e, no entanto, é punido na cadeia do que hoje é a segurança social. Não é a empresa quem paga o fim da vida activa, é o Estado, os que pagam impostos, a vida pública….Eu sonho que estou aqui, destas prisões carregado, e sonhei que em outro estado mais lisonjeiro me vi. Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção, e o maior bem é pequeno:

que toda a vida é sonho, e os sonhos, sonhos são.

O solilóquio de Segismundo é em verso diatónico, mas para poupar espaço, não seja que tenha que para impostos pelo uso do espaço, o passo a letra escrita corrida. Quer o empresário, quer a troika da que falara ontem, podem perseguir-me e fazer de mim um homem enraivecido pela prisão da falência criada pelos Champallimaud, os Azevedo, os Espírito Santo…os Coelho e os Porta, cada um no seu sítio.

Porque de facto, o que a vida tem de feliz, é o seu entendimento e para fugir dos impostos, inventamo-la como um sonho…

%d bloggers like this: