Os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume

… address the short term attention span syndrome that seems to have infected the world.
Trent Reznor

After learning about identical vowels in contact, learners could identify word boundaries in the phrases que el and va a acabar, which are monosyllabic and trisyllabic phrases, respectively, in fluent speech.
— Kissling (2018)

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O excelente leitor do costume, a quem agradeço de novo do fundo do coração, enviou-me mais dois excelentes exemplares da naturalidade com que, em português europeu, se vai escrevendo contato em vez de contacto e fato em vez de facto.

Efectivamente, há quem tire o cê medial ao contacto e ao facto com o mesmo à-vontade com que o tira a actuar, à selecção, à redacção, às respectivas e às selecções. Curiosamente, como é do conhecimento geral (aventado e publicado), contato e fato são incompatíveis com respetivas. Mas há quem teimosamente (‘teimosamente’? Onde é que eu já li isto? Ah! Já me lembro) a querer à fina força tirar o cê medial a tudo e a mais alguma coisa: à redacção, a actuar, à selecção, às selecções, às respectivas, ao facto, ao contacto, enfim, vai tudo a eito.

E a culpa disto e daquilo, garanto-vos, não é nem minha, nem do excelente leitor do costume.

Votos de uma óptima semana.

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A sessão ortográfica

It was a new breed of men, created by the Renaissance cult of the individual, who embarked on these hazardous voyages of exploration.
Gustav Jahoda

You’re perfect, yes, it’s true.
Mike Patton

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Já aqui se reconheceu a vantagem de sexão em relação a secção, por não haver cê à mão de semear para suprimir. Ou seja, enquanto secção é uma presa fácil, sexão é uma grafia à prova de bala. Há uns anos, secção começou a transformar-se em seção na consciência grafémica de determinados escreventes e chegámos ao ponto de sessão. De facto, no caso aqui apreciado, a doutrina alternativa de 1990 — a do n’importe quoi, estimulada por pérolas como “agora facto é igual a fato (de roupa)” ou “se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’” — dividir-se-á entre duas interpretações extremamente sofisticadas: por um lado, a sexão de voto e, por outro, a sessão de voto.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2), cf. Aventar, 26/5/2019 (https://aventar.eu/2019/05/26/sexao-seccao-secao/)

Tudo começou a descambar [Read more…]

A CPLP e os pontos de contato

Kule brzęczą o sprężyny w kanapie. Sprężyny wydają długi, wibrujący ton. […] Zaprowadzili mnie do fotografa, zrobili zdjęcie, wywołali je i natychmiast skonfiskowali.

Sławomir Mrożek 

Não interessa como, é para a frentex.

— Rodolfo Reis, 22/1/2017

Nobody speaks English anymore.

— Faith No More (*)

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Onde? No sítio do costume.

 

dre2312017a

Por falar em “onde?” e em “sítio do costume”, já assinou a petição? Que petição? Esta.

E a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90? E a Iniciativa de Referendo. Já assinou? Óptimo!

(*) ‘Spanish’, nesta versão.

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O jornal A Bola faz história

a-bola-5112016

Sometimes laws are intolerable, and need to be changed by organized legal protest if possible—but otherwise by actual resistance and civil disobedience.

Geoffrey K. Pullum, “The Great Eskimo Vocabulary Hoax and Other Irreverent Essays on the Study of Language” (foreword by James D. MacCawley)

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Ontem, dia em que a Irlanda derrotou os All Blacks, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade (efectivamente, A Bola) deu-nos mais um exemplo quer da diferença entre crer e perceber, quer do espectáculo extremamente triste dado pelos desistentes que têm o distinto descaramento de optar pela resistência silenciosa, em tempos e lugares de liberdade de expressão. Cuidado. Muito cuidado.

Desejo-vos um óptimo domingo e votos de glorioso espectáculo, daqui a pouco, no Estádio do Dragão. Viva o Benfica. Viva!