Uma aparente recaída

It was a little melody I had, and I started writing words. They seemed to be very simple and very corny, but they seemed to fit. There was no way I could make them more grammatical. Girl I love you so bad-ly…it had to be Girl I love you so bad.
— Paul McCartney

Shut up and listen. And learn.
— Mike Patton

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Hoje, durante um intervalo para tomar café e depois de ter respondido às mensagens de amigos preocupados com a situação na Bélgica (e na Alemanha), li isto:

Aparentemente, mais uma recaída do Expresso. No entanto, não. Trata-se, isso sim, de uma honestíssima transcrição da informação veiculada pelo excelente Público, onde a diferença entre susceptível [suʃsɛˈtivɛɫ]  e *suscetível [suʃsɨˈtivɛɫ] é conhecida.

O Expresso está de parabéns.

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Os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume

… address the short term attention span syndrome that seems to have infected the world.
— Trent Reznor

After learning about identical vowels in contact, learners could identify word boundaries in the phrases que el and va a acabar, which are monosyllabic and trisyllabic phrases, respectively, in fluent speech.
— Kissling (2018)

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O excelente leitor do costume, a quem agradeço de novo do fundo do coração, enviou-me mais dois excelentes exemplares da naturalidade com que, em português europeu, se vai escrevendo contato em vez de contacto e fato em vez de facto.

Efectivamente, há quem tire o cê medial ao contacto e ao facto com o mesmo à-vontade com que o tira a actuar, à selecção, à redacção, às respectivas e às selecções. Curiosamente, como é do conhecimento geral (aventado e publicado), contato e fato são incompatíveis com respetivas. Mas há quem teimosamente (‘teimosamente’? Onde é que eu já li isto? Ah! Já me lembro) a querer à fina força tirar o cê medial a tudo e a mais alguma coisa: à redacção, a actuar, à selecção, às selecções, às respectivas, ao facto, ao contacto, enfim, vai tudo a eito.

E a culpa disto e daquilo, garanto-vos, não é nem minha, nem do excelente leitor do costume.

Votos de uma óptima semana.

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A sessão ortográfica

It was a new breed of men, created by the Renaissance cult of the individual, who embarked on these hazardous voyages of exploration.
— Gustav Jahoda

You’re perfect, yes, it’s true.
— Mike Patton

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Já aqui se reconheceu a vantagem de sexão em relação a secção, por não haver cê à mão de semear para suprimir. Ou seja, enquanto secção é uma presa fácil, sexão é uma grafia à prova de bala. Há uns anos, secção começou a transformar-se em seção na consciência grafémica de determinados escreventes e chegámos ao ponto de sessão. De facto, no caso aqui apreciado, a doutrina alternativa de 1990 — a do n’importe quoi, estimulada por pérolas como “agora facto é igual a fato (de roupa)” ou “se disser Egito escreve sem ‘p’, mas se disser Egipto escreve com ‘p’” — dividir-se-á entre duas interpretações extremamente sofisticadas: por um lado, a sexão de voto e, por outro, a sessão de voto.

Secção de voto, algures na cidade de Lisboa. Foto: Cristina Carvalho (http://bit.ly/2JGgAo2), cf. Aventar, 26/5/2019 (https://aventar.eu/2019/05/26/sexao-seccao-secao/)

Tudo começou a descambar [Read more…]

A CPLP e os pontos de contato

Kule brzęczą o sprężyny w kanapie. Sprężyny wydają długi, wibrujący ton. […] Zaprowadzili mnie do fotografa, zrobili zdjęcie, wywołali je i natychmiast skonfiskowali.

— Sławomir Mrożek 

Não interessa como, é para a frentex.

— Rodolfo Reis, 22/1/2017

Nobody speaks English anymore.

— Faith No More (*)

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Onde? No sítio do costume.

 

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Por falar em “onde?” e em “sítio do costume”, já assinou a petição? Que petição? Esta.

E a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90? E a Iniciativa de Referendo. Já assinou? Óptimo!

(*) ‘Spanish’, nesta versão.

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O jornal A Bola faz história

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Sometimes laws are intolerable, and need to be changed by organized legal protest if possible—but otherwise by actual resistance and civil disobedience.

— Geoffrey K. Pullum, “The Great Eskimo Vocabulary Hoax and Other Irreverent Essays on the Study of Language” (foreword by James D. MacCawley)

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Ontem, dia em que a Irlanda derrotou os All Blacks, o jornal da resistência silenciosa em tempos de liberdade (efectivamente, A Bola) deu-nos mais um exemplo quer da diferença entre crer e perceber, quer do espectáculo extremamente triste dado pelos desistentes que têm o distinto descaramento de optar pela resistência silenciosa, em tempos e lugares de liberdade de expressão. Cuidado. Muito cuidado.

Desejo-vos um óptimo domingo e votos de glorioso espectáculo, daqui a pouco, no Estádio do Dragão. Viva o Benfica. Viva!