Falar, entender


As crianças, vêem, ouvem e calam, especialmente em dias como estes, em que tudo está a mudar e nós devemos seguir essas pegadas para ultrapassar a miséria.

A criança fala, mas não entende do mundo dos mais velhos, menos ainda de finanças, acordos partidários e convénios políticos e sindicais. [Read more…]

Relectir sobre o país

Um minuto de silêncio para reflectir sobre o que correu mal…

… … … …

… … … …

Já está? Ok, vamos lá fazer essa campanha e ganhar votos. Não se esqueçam de dizer que somos os maiores. Os erros, já sabem, são dos outros. Nós somos os bons.

Não Nos Deixam Em Paz, O Melhor Será Mudar Alguma Coisa Por Aqui

Não há maneira de nos deixarem sossegados.
Toda a gente sabe que vivemos na corda bamba, com o dinheiro com que vivemos a não ser o nosso, e a pagarmos juros usurários por ele. Claro que se os juros estão assim altos, a culpa só nos pode ser assacada, mas isso não convém dizer, ou ainda nos acontece o mesmo que nos países de língua árabe.
Ora por falar neles, olho para o preço do petróleo e vejo que continua a subir. Hoje de manhã, o Brent já ia nos cento e três dólares o barril. Desta vez por culpa da Líbia do senhor coronel. Ora se o preço dos nossos combustíveis já era muito alto e os nossos vencimentos muito baixos, agora com os nossos vencimentos a baixar cinco, dez e mais por cento, lá vão eles voltar a subir o preço da gasolina e a do gasóleo. Que vai ser de nós? [Read more…]

Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva, século XXI

picunches do Século XX, a descansar no seu domigo

Rua Central da Vila Picunche, Pencahue, Província de Talca. Membros do Clã descansando em pleno domingo.

Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados nos últimos anos. A cada um estou intimamente ligado pelas pesquisas e, simultaneamente, pelo prazer que usufrui no convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também que ocorreram mudanças nos três locais, que estão ligadas entre si, não apenas pela economia mundial, como pela memória do tempo. Cada um deles é um lugar diferente. Visitados, também, por um antropólogo diferente. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e no pensamento. Pensei que no Chile era possível falar com liberdade. Enganei-me, eu não estava certo. Os Picunche que conheci outrora como inquilinos e com quem, nos anos 60, do século XX, colaborei na formação dos sindicatos, são hoje em dia pessoas individuais e [Read more…]

Em cinco séculos, nada mudou.


Portugal parece ter despertado de uma longa e ruinosa letargia de mais de duas décadas e o governo tem nos últimos dois anos, mostrado um inusitado afã na promoção das empresas portuguesas no além-mar. Desde o fim do Império, o país habituou-se à miragem de uma Europa pródiga em dinheiros e possibilidades de enriquecimento fácil. A miragem era afinal nada mais que isso mesmo, esgotadas as ilusões de uma caminhada triunfal em direcção a um almejado Estado à imagem das “ominosas monarquias escandinavas”, sempiterno modelo a seguir pelos iniciados nas coisas da política económico-social do defunto século XX.

A decepção avoluma-se há mais de uma década. O país não assistiu ao verdadeiro arranque dos prometidos “Silicon Valley” do extremo oeste peninsular. Portugal debalde esperou pela terminal-central de contentores que veria desembarcar as riquezas da infrene indústria de consumo chinesa. Fecharam fábricas de automóveis e de químicos. Liquidaram-se empresas vidreiras da época do despotismo esclarecido do josefismo-pombalino. O comércio com o antigo Ultramar estiolou numa exasperante inércia e as delegações do ICEP confirmaram aquilo o que delas sempre pensaram os portugueses interessados, isto é, a existência pela necessidade da presença meramente formal. quanto à agricultura, as sapiências de outros tempos condenaram-na a coisa inútil e pronta para o sacrifício em prol do turismo rural, campos de golfe e lotes de terreno destinados ao imobiliário. Viu-se no que deu esta loucura.

[Read more…]