O Jornalismo e o sensacionalismo – 2

A discussão é interessante e o diagnóstico não se esgota nas visões representadas por estes dois artigos. Nem pode, talvez, ser desligada da discussão sobre o declínio de outros “campos” próximos do jornalismo, como sejam a política tal como é hoje praticada. Diria que jornalismo e política, outrora pilares essenciais da democracia, estão hoje em crise e com eles  também a democracia  está em criseEstrela Serrano

Obviamente, a discussão não se esgota nestas duas premissas apresentadas tanto por mim como pelo Nuno Ramos de Almeida. Aproveitando para agradecer a Estrela Serrano tanto a citação como o contributo para a análise do tema.

Eu não afirmo, taxativamente, que o declínio do jornalismo deriva da força da internet. Considero, isso sim, que uma parte dos seus consumidores se limitou a migrar de plataforma, se assim se pode dizer. E concordo, quando Estrela Serrano coloca mais um problema em cima da mesa: o declínio do jornalismo não pode ser analisado esquecendo o declínio de campos “conexos” e exemplificado pela autora com a política. Eu diria, perdoem-me o atrevimento, que existe mesmo uma relação directa.

[Read more…]

O Jornalismo e o sensacionalismo

O Nuno Ramos de Almeida, no i, escreveu um artigo sobre o jornalismo que muito agradou a dois velhos amigos meus. Foram eles os culpados por eu ter ido ler e, indirectamente, causadores de eu ter de escrever a discordar (nas conclusões) com o Nuno Ramos de Almeida – o que me custa, confesso.

Vou começar pelo fim. O Nuno Ramos de Almeida (NRA) recorda a tiragem do “Diário de Notícias” e de “O Século” nos inícios do século XX (100 mil exemplares/dia cada um) e compara com a realidade actual afirmando que não foram eles, os leitores, que desapareceram mas, “os jornais, a comunicação social e os jornalistas que não estão a cumprir devidamente o seu papel de informar com qualidade. O que fazem não serve“. O NRA aqui ignorou, olimpicamente, a realidade. Ou seja, os jornais no início do século XX não concorriam com a internet, as redes sociais, a televisão, etc.

[Read more…]

O ‘5 Dias’ em perseguição ao Belenenses

Três jogadores belenenses recusam saudação fascista (1938)

Está um calor de fazer estoirar os miolos. Porém, vou ser o mais temperado possível com dois ilustres blogueres do ‘5 Dias’.

Um é autor do ‘post’ com o odioso título  P’ra baixo é o caminho! (Carlos Guedes). Considera o Belenenses o clube mais fascista de Portugal que, a partir da data do escrito, passou a ter um presidente à altura – João Almeida, deputado do CDS. O outro é o Intendente do ‘5 Dias’, Nuno Ramos de Almeida, que em comentário acrescentou:

Achas que vão recuperar o antigo nome do estádio?

Com esta “inócua” pergunta, o citado Intendente, ao que percebo arrebatado sportinguista, vinculou-se automaticamente ao tom grosseiro e ofensivo do texto de CG.

Coisa diferente, fez há tempos António Figueira em relação a um ‘post’ semelhante de Renato Teixeira, também no ‘5 Dias’. Disse-lhe: “tu atacaste por atacado e agora ficas sujeito às consequências. Deixa lá o Belém…”.

A diferença entre as duas reacções é a demonstração inequívoca entre o civismo e o bom senso de um senhor (AF) e a injúria grosseira e reles que o comentário de NRA amplia e solidifica. E reles comportamentos só podem ser lidados com linguagem apropriada. Tanto assim é que a decifraram num ápice.

Com efeito, como belenense e de esquerda – características herdadas do meu pai – senti-me ofendido com o insulto de pertencer ao ‘clube mais fascista de Portugal’. O Belenenses tem 90 anos de história. É anterior ao Estado Novo.

A minha escolha não foi o João Almeida. Mas por ter sido alvo de torpe aleivosia de ignorante ou de deliberada difamação do autor do ‘post’, com certificação do Intendente, lembrei que também o deputado do PCP, António Filipe, esteve presente na votação e, por ser belenense e fascista, talvez fosse recomendável NRA propor a sua expulsão do partido.

No comentário ao odioso ‘post’, falei em Mariano Amaro e na saudação comunista que este jogador azul fez no Estádio das Salésias, num jogo internacional em 30 de Janeiro de 1938. Mas acrescento agora que também o belenense Artur Quaresma a fez, como se comprova na fotografia acima publicada. De resto, outro jogador do Belém, Simões, recusou-se a fazer a saudação fascista, permanecendo em posição de sentido. Apenas os três jogadores do Belenenses recusaram cumprir o ritual do regime.

[Read more…]

E davam grandes passeios ao Domingo…

Em devido tempo e no local correcto, a caixa de comentários, já me pronunciei sobre este «post» do Tiago Mota Saraiva: acho vergonhoso que um Partido político, como é o caso do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, ande a pagar viagens a bloggers para que eles possam visitar gratuitamente Bruxelas e possam ver, «in loco», como se vive bem na Europa.
Soube na altura, por fonte que me solicitou sigilo, que Fernanda Câncio também esteve presente nessa passeata, a par de outros que o assumiram, como Maria João Pires, também do Jugular, ou um tal de Paulo Pena. Não o revelei exactamente por causa desse pedido, mas agora que o Nuno Ramos de Almeida o tornou público, fui libertado do compromisso.
Não sei, nem me interessa, se o convite partiu de Rui Tavares ou de outro Deputado europeu do Bloco de Esquerda. Também não me interessa muito o súbito amor entre Fernanda Câncio e o Bloco. O que me interessa, isso sim, é que o meu dinheiro – sim, o meu e o de todos os contribuintes – seja desperdiçado por Partidos políticos que julgam que na Europa se pode gastar à tripa-forra. Nem que seja para convidar pessoas para darem grandes passeios ao Domingo – pessoas cujo interesse é completamente nulo para Portugal no contexto do Parlamento Europeu.
Um discurso, o do Bloco de Esquerda, que contrasta muito com a prática que acabamos de ver. Começo a pensar que, um dia no poder, o Bloco acabaria por ser mais do mesmo.