A Praxe integra

Ou havia dúvidas?
Desfile do Enterro da Gata em Braga, 17 de Maio de 2017.
© FB Alex Liberall

“Churrasco junto ao muro da morte”

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Depois disto, isto.
Geração Desenrascada
!

Fujam, Fujam p’ra Longe

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A geração que nos vai governar a seguir está em breve a sair das faculdades; é o caso desta estudante de Direito em Coimbra – uma talvez-futura-juíza ou mesmo presidente-da-assembleia, – Cecília Gonçalves. Ouvida pelo Público, a promissora doutora deita cá p’ra fora o que lhe vai na alma. Por exemplo…

– “(…) a praxe não é humilhação mas está presente” (está presente o quê?) (…) é normal, é aceitável, é compreensível”;
–  “ao longos das nossas vidas vamos ser humilhados das mais diversas formas”;
– “um dia, num futuro emprego, o meu patrão poderá chamar-me de incompetente e eu terei de saber aceitá-lo”;
– “os nossos professores chamam-nos ignorantes e nós temos de limitarmo-nos aos silêncio”;
– “a praxe ensina-nos (…) que na vida há uma hierarquia natural e que nós vamos ter de aceitá-la”;
– “a praxe ensina-nos (…) a igualdade para com os nossos semelhantes caloiros e a desigualdade perante o superior“;
– “Todos os anos morrem pessoas afogadas em rios (…) e até nas suas banheiras”;
– “Eles morreram na sequência de uma onda e não no ritual de praxe porque embora estivessem numa actividade praxista, podiam não o estar e morrerem na mesma”;
– “A praxe envolve humilhação, envolve gritos, envolve estar de quatro (…)”;

Posto isto, pergunto-me duas coisas: o que ensinaram a esta gente nas escolas secundárias? Há ainda gente sana e razoável no ensino superior ou são todos assim?

Festas e Tainadas na UM…

… de Setembro a Junho! Porque não?

A propósito das praxes académicas

Luís Manuel Cunha

enjoy-praxeDe momento, é o que está a dar. Bater nas praxes académicas exigindo a sua extinção tornou-se o objectivo principal do lixo jornalístico chamado Correio da Manhã, da esquerdalhada convertida ex-MRPP (Maria José Morgado, por exemplo), dos resquícios intelectualóides de outros ex-esquerdistas agora refundados no PSD (Pacheco Pereira) ou do snobismo queque da inutilidade autoconvencida do eixo Lisboa-Cascais (Paulo Teixeira Pinto, Constança Cunha e Sá), sem esquecer o moralismo “fracturante” da “esquerda caviar” em que se transformou o BE. Para citar apenas alguns destes “actores” de opereta convertidos em corifeus da “sua” moralidade e dos “seus” bons costumes. Sem deixar de referir os audiovisuais nomeadamente a TVI, que deveria preocupar-se mais em resguardar os telespectadores (se bem que estes, se calhar, até sejam os mais culpados) da exposição pública dessa verdadeira “sala de ordenha” que é a Casa dos Segredos – Desafio Final, um exercício de voyeurismo de um bordel em plena laboração 24 horas sobre 24 horas, um verdadeiro lupanar com “meninas” a “quecar” (releve-se a originalidade do neologismo utilizado por uma dessas “meninas” intervenientes activas na queca visualizada) perante um país inteiro que só não assiste se não quiser! [Read more…]

Praxas-me?

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Obrigado.

Nota: aparentemente, a foto é oriunda do site “Rebel Bingo” não tendo, por isso, nada a ver com praxes académicas. A verosimilhança é alguma, não obstante.

Praxe é Isto…

 
… agora cá mulheres desnudas e noitadas na praia de mar revolto

A minha praxe

Ainda a propósito das praxes no Meco, tentei esforçar-me para me recordar de como foi a minha própria praxe académica.
Há dois episódios que recordo de forma relativamente pormenorizada. Um deles foi uma «aula-fantasma», «leccionada» por um veterano na disciplina de Civilizações Clássicas. Fizeram-nos escrever uma extensa lista de livros a consultar, entre os quais «A Arqueologia Espacial aplicada ao Império Romano», de Robert Aldrin, e muitos outros que nos fizeram duvidar da veracidade daquela aula.
O segundo episódio ocorreu nos jardins da Faculdade de Letras. Em fila, os caloiros foram conduzidos até um espaço mais amplo. Um a um, os «doutores» deram-nos ordem para cantar individualmente. A mim, mandaram-me cantar muito alto uma música do Quim Barreiros. Eu não sabia quem era o Quim Barreiros (fui um adolescente estranho) e, mesmo que soubesse, não estava disposto a cantar em frente a tanta gente. Naturalmente, recusei.
Insistiram e, como viram que dali não levavam nada, disseram-me que estava expulso da praxe e que até ao fim do curso não podia participar em nada.
– «Está bem». [Read more…]

A praxe da praxe

Embora me tenha oposto, e muito,  à restauração da praxe (a de Coimbra, é claro, fotocópias bem ou mal tiradas não merecem nem uma linha) devo dizer que deixei de o fazer com grande empenho. Posso agora gozar com os meus amigos então praxistas, com o clássico “estás a ver o que vocês arranjaram?” de preferência quando eles e elas passam assegurando aos gritos que querem é foder. O deprimente espectáculo da Queima das Fitas também serve, para qualquer humano que tenha bebido menos de duas cervejas antes e a quem reste o mínimo de bom senso. Em segundo porque tenho coisas mais importantes para fazer.

Se calhar é altura de fazer esse história. A da ilegal restauração do que formalmente continua suspenso, do empenhamento na altura do comércio local hoje em vias de extinção, das forças vivas da direita conservadora, que hoje coram ao verem passar o vómito generalizado e a queca pública.

Há um aspecto que  não mudou na praxe, e no fundo é a sua essência: a divisão de um universo de iguais entre mais velhos e mais novos, a iniciação voluntária ou constrangida  à submissão pública, a penitência vá-se lá saber de quê pela humilhação, e o treino para um grupo, neste caso um curso, que se julga superior aos outros.  Essa é a verdadeira questão, foi isso que se criticou ao longo de séculos (sim, séculos, sempre houve por um motivo ou outro quem se opusesse a esta barbárie) e é isso que continua para mim em causa, embora pouco empenho.

Com o tempo entendi e compreendi que a vocação nacional de muitos para serem enrabados pelos governantes e outros poderes tem direito a treino. O sado-masoquismo necessita de uma certa aprendizagem. Se gostam das troikas, dos Relvas, dos isaltinos (não é por acaso, é por isto mesmo que Oeiras é o concelho com mais licenciados), merecem o meu respeito. Praxem-se uns aos outros. Mas não se queixem depois do desemprego jovem, da emigração, e outras cenas assim. Desamparem a loja e não chateiem.

Aviso à navegação: pensem bem antes de comentarem. Mentirosos serão tratados abaixo de caloiro, estado que como é sabido está uns graus abaixo do de polícia e outros tantos abaixo do de cão.

Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não

Hugo Ferreira

Tomada de posse como membro do Conselho Fiscal da AAC Janeiro de 2011

Na semana em que toda a gente fala de praxe, lembrei-me do meu primeiro dia de aulas na Faculdade (2006).

Aula de Direito Romano e História do Direito Português, Professor Santos Justo, sala cheia. Subitamente, e ainda antes da chegada do Professor, uma data de histéricos invade a sala ao berros, insultando tudo e todos, exigindo que saíssemos da sala para ir para a praxe.

Os primeiros berros só intimidaram os mais frágeis e a sala permaneceu cheia. Depois vieram as ameaças: “Suas bestas, vamos ficar à porta da sala a recolher os nomes de quem não vier à praxe! Não vão ter amigos em Coimbra! Não vão usar o traje e se o usarem nós vamos rasgá-lo!”.

Aí a sala esvaziou. Fiquei eu e mais uns dois ou três colegas. Não houve aula.

À saída cercaram-me e exigiram que me identificasse para sentir na pele “as consequências dos meus actos“. Como acontece sempre que alguém não lhes baixa a cabeça, sentiram-se vexados quando questionei o seu poder e autoridade – de onde vinha? que fundamento tinha? em que valores assentava? – e quando lhes disse, cara a cara, que por mais longínqua e patética que fosse a sua tradição, não tinham legitimidade nenhuma para tratar alguém daquela forma. [Read more…]

Uma Geração Equivocada

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Ainda há poucos meses alguns “estudantes” se manifestavam e indignavam porque a Reitoria da UM proibira certas praxes dentro do campus de Gualtar. E nos fora da especialidade, os adolescentes mostravam-se muito descontentes. E insultavam quem deles discordava.
Perguntei se se manifestariam quando, lá para fevereiro, houvesse colegas a desistir das aulas pelo não pagamento atempado das bolsas de estudo.
Não me responderam. E ainda não me convidaram para uma manif solidária
Geração na merda!