Pimento passa a ser propriedade privada da multinacional suíça Syngenta
Um dia, a vida será propriedade de uma multinacional
Monsanto, ou a história de como fazer um mundo pior
O Supremo Tribunal norte-americano decidiu a favor da Monsanto, permitindo-lhe processar os agricultores cujos campos tenham sido contaminados por sementes da Monsanto GM.
Em causa está a queixa da Monsanto quanto a uma suposta violação de patentes sobre sementes (sim, sementes patenteadas!), devido aos pólenes de campos cultivados com sementes da Monsanto terem contaminado outros campos sem essas sementes (devido ao vento, insectos, etc.).
Chegámos a um ponto da inversão da argumentação, onde é Monsanto que reclama indemnização por uma suposta violação, quando, na verdade, é quem acaba com os campos contaminados que deveria estar a reclamar. Mas estes agricultores não o podem fazer porque a lei protege a Monsanto. E agora, adicionalmente, ainda vai permitir perseguir quem não use as suas sementes.
Eis mais uma boa razão para estarmos contra contra o TTIP, pois, com este tratado, não haverá sequer disputa jurídica perante uma situação como esta. Bastará um tribunal arbitral, onde o Estado será, paradoxalmente, minoritário, decidir a favor de empresas, como a Monsanto, que se queixem por a legislação não lhes ser favorável.
SOS, Contra a proibição das Sementes Livres
Ontem a minha caixa de correio foi inundada com vários mails sobre a questão das sementes. Aqui ficam os mais importantes sobre este escândalo gravíssimo e verdadeiramente anti-natural, já que as sementes são património de todos, apuradas por gerações e gerações de seres humanos.
Indignem-se, divulguem pelas redes sociais, assinem as petições e apelem a terceiros que as assinem. Já chega de empobrecer o património coletivo. Basta.
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Em 2011 a Comissão Europeia vai propor novas regras relativas à reprodução e comercialização de sementes, a chamada “Lei das Sementes”. Esta lei irá impedir os agricultores de guardar sementes e ilegalizar todas as variedades de plantas não homologadas.
Este assunto é gravíssimo e põe em causa a nossa soberania alimentar…
Dou um exemplo muito concreto… vai passar a ser ilegal, o ‘Ti Ferreira guardar as sementes de uma abóbora para semear no ano seguinte… [Read more…]
Foi-se o encanto
Foi-se o encanto
Muito difícil é desembarcar, digo eu que nunca fui marinheiro. Não consigo acostar o barco. Há sempre uma onda e outra e depois outra. Mesmo que o mar esteja manso, ou se é da terra ou se é do mar.
No dia em que eu voltar e vir a figueira com figos e a erva a crescer no merujo reluzente de prata das noites de luar, no dia em que eu voltar, vestido de ilusão, a olhar o mar e acreditar, nesse dia não chames por mim.
Mata-me a memória e a história, não deixes que viva uma hora descrente ou indiferente. São duras as horas e os minutos das palavras descrentes, indiferentes, alheias, adiáforas, frias, incuriosas, passivas. Uma espécie de árvore seca sem frutos nem sementes. Um vento áspero que perpassa por entre os dedos dormentes. É cruel a falta de palavras. São dolorosas as palavras indiferentes.
Na cegueira dos olhos sumidos de chorar sem lágrimas a noite ruidosa dos segredos, não há coisa mais triste do que olhar a chávena sem palavras cheias. Foi-se o encanto, e a poesia não passa de um saquinho de açúcar rasgado sobre a mesa abandonada do café vazio.







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