Rankings que lideramos

Migrants

Segundo este artigo da Forbes, que cita um estudo da OCDE, Portugal é o membro desta organização que ocupa o terceiro lugar no ranking referente à percentagem da população nativa a viver no estrangeiro: 14%. Na União Europeia lideramos o ranking dos países com a taxa de população emigrada mais alta. Resta agradecer a Pedro Passos Coelho e restante tropa que fez o que pôde para expulsar a piegada toda daqui para fora. Já agora, aquela treta eleitoral do programa VEM, chegou a dar em alguma coisa ou confirmaram-se as previsões e não passava mesmo de propaganda barata?

VEM para onde?

Lomba

Foto@Arrastão

Há umas semanas atrás,  o Secretário de Estado dos saudosos briefings veio apresentar o programa VEM, programa que pretende atrair meia dúzia (vá lá, 40 ou 50, estava a ser mauzinho) de emigrantes da vaga passista que, formados e bem preparados, não tiveram alternativa que não fosse seguir o conselho de Pedro Passos Coelho e abandonar o país. Importa frisar que, a julgar pelas palavras de Pedro Lomba, esta medida atingirá cerca de 0,02% do total de emigrados durante a era Passos Coelho. Não havia memória de tamanho altruísmo.

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Que giro!

Apresento-vos o primeiro emigrante português residente longe da pátria. É dos lados de Ourém e disse-me pelo telefone que estava com pena de ter perdido o filme, da responsabilidade de Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos, sobre as malfeitorias que vários países, incluindo o seu, fazem à Natureza. Informo que o filme está no cineminha do meu bairro e que eu, por falta de tempo, também ainda o não vi. Acertámos ir os dois nesse mesmo fim de tarde. E fomos. As falas do Al Gore eram claras. O filme, em si, era barulhento a valer:desabamentos, ventanias, estrondos, sirenes. Nós, de olhos colados no ecran. E as sirenes que não se calavam. Até que a imagem desapareceu, as luzes se acenderam, e se ouviu uma voz calma e bem timbrada a pedir-nos que, sem pânico, mas rapidamente, saíssemos porque havia um incêndio no prédio. Íamos a meio da escada rolante quando pelo altifalante fomos avisados que devíamos ir à bilheteira receber outro bilhete, para o caso de querermos ver os quinze minutos de filme que que nos faltavam, ou para receber o dinheiro do bilhete se não estivessemos interessados. O de Ourém disparou a pergunta: “precisa de ver mais filme para saber quem são os gajos que andam a lixar o mundo?”. Reconheci que não, não precisava. Chegados ao átrio, o rapaz foi direito à bilheteira e veio de lá com o dinheiro.
Tínhamos ido ao cinema de borla. Este é o português desenrascado.

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VEM dar-me o teu voto, diz o governo, ou a compra dos votos à custa dos emigrantes

Esta invenção do VEM é escandalosa. Primeiro, Passos Coelho convidou (na verdade, obrigadou, face ao clima económico agravado pelo seu ir mais além do que a troika), dizia, “convidou” os portugueses a emigrarem e era se queriam ter emprego. Fizeram-no em 4 anos quase meio milhão de eleitores, perdão, portugueses. Ao saírem, contribuíram activamente para que as estatísticas de desemprego não fossem ainda piores e o governo, na malandrice, sempre fez as contas ao desemprego como se estas pessoas não existissem.

Até agora. Com a proximidade das eleições, o governo quer aliciar mais uns poucos e, simultaneamente, fazer passar a mensagem que estamos melhor, já que até tem condições para que voltem ao país. Propaganda, claro. Basta estar-se atento, por exemplo, ao que diz o INE.

Agora é esperar que a oposição faça o seu trabalho e desmonte a demagogia, já que, é sabido, os observadores-insurgente-blasfémos, só para citar os mais óbvios mas sem esquecer os opinadores da situação espalhados pela comunicação social, não se farão rogados ao seu habitual papel de caixa de ressonância. Por exemplo,  é só adaptar um qualquer eco: “Com pequenas ajudas pecuniárias dadas a um grande número de pessoas, aqueles que necessitam mais, recebem menos, mas o PS[D] atinge o seu objectivo: comprar votos.

No meio disto tudo, tem razão Cavaco Silva (alguma vez teria que ser). Cheira a eleições e o governo, esse mesmo que se estava nas tintas para elas, tresanda a eleitoralismo.