Delírios neofascistas e a direita dita moderada que a normaliza

Assunção Cristas tinha dúvidas entre ele e Haddad. Preferia não votar. Paulo Portas não via nele nada de reprovável. Maria Luís Albuquerque foi apresentar um livro dedicado ao fascista brasileiro, com Passos Coelho na audiência. O livro era de Gabriel Mithá Ribeiro, vice-presidente da sociedade partidária unipessoal de André Ventura, que há dias classificou os jornalistas portugueses de “tumor maligno da democracia”. É isto que a direita dita moderada tem andado a fazer de há uns anos a esta parte: branquear fascistas, apoiar a sua ascensão (como se viu também nos Açores) e defender-se com falsas equivalências, como se a agenda de ódio da extrema-direita fosse comparável às lutas da comunidade LGBT, à fantasia do marxismo cultural ou à não-ameaça da ideologia de género. E esta gente não está só no CH. Alguns estão no PSD, um ou outro no IL e no CDS têm até uma corrente de neosalazaristas que praticamente não se distingue da nova extrema-direita parida por Bannon.

Mas vá, se calhar sou eu que estou a ser mauzinho. E daí se um presidente da República de uma democracia (ou do que resta dela), que é também um fundamentalista cristão, logo negacionista absoluto de todo o conhecimento científico, assina um decreto presidencial para atribuir a si próprio uma medalha de mérito científico, após dois anos a negar a covid-19 e a ver os seus concidadãos morrer, enquanto combatia activamente todas as medidas de controlo da pandemia? Se achas que não tem mal nenhum, vota Chega e, da próxima vez que tiveres um problema de saúde grave, não vás ao hospital. Reza muito e pode ser que vás mais cedo ter com o teu criador, com uma medalha de mérito de cepo na lapela.

Filipa Martins, a atleta que Marcelo não parabenizou

Marcelo não condecorou Filipa Martins, a atleta portuguesa que alcancou os melhores resultados de sempre num Mundial de ginástica artística. Nem os parabéns lhe deu. Estava muito ocupado a imiscuir-se na vida interna do PSD e a interferir nas negociações do OE22. Não dá para tudo. E, de facto, como a Filipa afirma, e bem, a ginástica artística não tem bola. Nem a senhora se chama Ronaldo. Ou Cristina Ferreira. Ou qualquer outra vedeta televisiva a quem Marcelo ocasionalmente liga, em directo, para parabenizar um nada qualquer.

Amar pelos embaixadores

Fotografia: Manuel de Almeida@SIC Notícias

Imaginem o comentador Marcelo, à mesa da TVI com a Judite de Sousa, a comentar esta tirada do presidente Marcelo, durante a condecoração dos irmãos Sobral:

[Salvador e Luísa Sobral são] “embaixadores mais qualificados e mais eficientes do que a generalidade da nossa diplomacia

Havia de ter piada. Quem não achou piada foram os diplomatas, que, recursos estilísticos à parte, foram tratados abaixo de vencedor da Eurovisão, o que em muitos casos não anda muito longe da verdade, ou não estivesse a diplomacia portuguesa bem artilhada de boys partidários, apesar da sua boa fama internacional. Será que o presidente Marcelo se safava com nota positiva?

Ditadores sofisticados

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Bashar al-Assad devolveu a condecoração que lhe foi atribuída pelo estado francês em 2001. Sim, é verdade: os nossos moralíssimos lideres ocidentais têm esse estranho vício de condecorar qualquer merda que lhes apareça à frente, democrata ou ditador, desde que sirva, ainda que momentaneamente, os seus interesses políticos e pessoais. Ou os interesses económicos de quem lhes paga as campanhas e lhes garante as reformas douradas.

Daí não admirar que Kadhafi tenha financiado a campanha de 2007 de Sarkozy, que os EUA armem a Arábia Saudita até aos dentes ou que o polidos britânicos sejam os banqueiros preferenciais dos oligarcas russos, com a sua City repleta de lavandarias de Vladimir Putin. Porque, por trás do falso moralismo e da preocupação fingida com a democracia e com o bem-estar da humanidade, estão quase sempre prostitutas políticas sem escrúpulos. Ditadores mais sofisticados, portanto.

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Quanto é que é mesmo a dívida da Madeira?

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Fotografia via Dinheiro Vivo

E o que é que isso interessa? Para quem em 10 anos “emprestou” 17 mil milhões de euros a bancos geridos por piratas e incompetentes, sabendo que nunca os irá receber de volta, manter o buraco madeirense não dói nada. E Alberto João Jardim sempre fez umas autoestradas e umas praças catitas, já os piratas e os incompetentes comeram tudo e não deixaram nada. Merece ou não merece a mais alta condecoração madeirense?

Algo de siciliano se passa em Vila Nova de Gaia

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Long story short: Eduardo Vítor Rodrigues, autarca socialista da CM de Gaia, condecorou Marco António Costa com a medalha de mérito profissional da autarquia. Sim, esse mesmo: o Marco António Costa que esteve responsável pelas contas do município entre 2005 e 2011 e que foi um dos grandes obreiros da situação de pré-bancarrota em que a Câmara de Gaia se encontra. O mesmo Marco António Costa cujas aventuras despesistas e opacas não fazem manchetes no Observador ou nos restantes jornais, blogues e perfis falsos ao serviço da direita radical.  [Read more…]

Quanto vale uma condecoração presidencial?

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Cavaco Silva condecorou mais uma fornada de ex-governantes. Nada de novo. Não posso, contudo, deixar de expressar a minha surpresa ao verificar que Luís Campos Cunha foi um dos escolhidos pela personagem para ser reconhecido pelo “espírito patriótico e de serviço” no desempenho das suas funções governativas. Até porque o antigo ministro de José Sócrates não chegou sequer a aquecer a cadeira, tendo apresentado a sua demissão quatro meses após a nomeação, o que de resto revela o elevado sentido de patriotismo e de serviço de Campos e Cunha. Mas não me choca. E não me choca por dois motivos: em primeiro porque o acto de condecorar alguém está tão banalizado que não faltam exemplos de políticos suspeitos, maus gestores públicos e altos quadros de bancos e empresas privadas envolvidos em variados esquemas com uma medalhita na estante do escritório. Em segundo porque Campos e Cunha tem sido uma voz activa contra as derivas de esquerda do PS e a direita precisa de pessoas assim.

Foto@Diário Digital

Grande Vhils

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Há medalhados, e medalhados. Alexandre Farto, aka Vhils, soube dedicar a condecoração que recebeu.

Das Lajes à condecoração: a história de Durão, o mordomo

Corria o ano de 2004. Nos corredores burocratas de Bruxelas, discutia-se a sucessão de Romano Prodi e o nome de Durão Barroso surgia como terceira ou quarta opção para o cargo. Barroso não era uma personalidade destacada da cena política internacional mas cumpria requisitos de subserviência que poderiam ser muito úteis, como foi possível verificar, para servir os interesses das principais potências europeias. Algo que de resto tinha já ficado provado quando se colocou no papel de mordomo da Cimeira das Lajes, arrastando o nosso país para uma guerra absurda que não nos dizia respeito e que colocou Portugal nos radares do terrorismo islâmico. Uma guerra sem qualquer tipo de legitimidade e que mais não foi do que uma violação da soberania de um Estado para controlar os seus recursos petrolíferos e um aviso à navegação para outros chefes de Estado que tivessem a ousadia de, tal como Saddam, levantar a possibilidade de transaccionar petróleo em euros ou noutra moeda que não o dólar.

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Continua chamando-me assim cherne

chernia-01Durão Barroso foi, como se sabe, um dos primeiros atletas a trocar um dos três grandes cargos portugueses por um dos maiores clubes mundiais. Pouco antes disso, a sua mulher, recorrendo à obra de Alexandre O’Neill, tinha ajudado o país a arranjar uma alcunha para o próprio marido e Durão passou a ser conhecido por cherne.

Graças às suas qualidades de velocista, Barroso detém o recorde do percurso mais rápido entre Lisboa e Bruxelas. Não fosse já ter sido alcunhado e poderia ter ficado conhecido como “carapau de corrida”, mantendo a referência piscícola e relevando a virtude atlética.

Ora, o cherne foi, esta semana, condecorado por um cavaco, que é, como se sabe, um marisco, facto que ajudou a manter um ambiente de fábula marítima. Marítima, pelos espécimes em causa; fábula, porque só no mundo da fantasia é que é possível acreditar no palavreado absurdo de cada uma das personagens. [Read more…]

A problemática da condecoração socrática

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Alguns jornais portugueses, como o I ou o Diário de Notícias, dão hoje conta desse imperativo do campo da ética e da moral, de singular importância para o país e para os portugueses, que diz respeito às condecorações de antigos primeiros-ministros, neste caso Pedro Santana Lopes e José Sócrates.

Trata-se de uma questão que, a par do problema das contas públicas ou da situação do BES, constitui um motivo de especial preocupação para todos. Países civilizados não deixam primeiros-ministros por condecorar e é sabido que este tipo de condecorações tem impacto directo nos juros da dívida e nas notas atribuídas pelas santíssimas agências de notação financeira norte-americanas. Adiar um problema destes é adiar o futuro do país pelo que este é um debate urgente e central para Portugal.

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Cristiano Ronaldo: pelo teu país

Pelo TEU povo, Recusa receber esta condecoração.

(carta aberta disponível no facebook) [Read more…]

Santana Lopes já é boa moeda


Quem se quer encontra-se sempre.

O que eles dizem

A catástrofe do Haiti continua a fazer primeiras páginas em todo o mundo. O Aventar disponibiliza os dados da AMI na barra direita para quem queira solidarizar-se.

José Eduardo dos Santos perpetua-se na Presidência, diz o Público . Já sabíamos, mas serve para alertar os muitíssimo distraídos.

Sócrates diz que o governo não quer aumentar impostos. Só não diz que quer baixar direitos, reformas e negociatas com dinheiros públicos. Também não disse se, quando sair do governo, também espera ser condecorado. Santana ri-se.

Portugal à beira de entrar no top 10 de assistências – na Europa – aos jogos de futebol. Alguém se esqueceu de avisar os adeptos do União de Leiria e do Beira-Mar, por exemplo.

Godinho condenado por furto de carris no Tua. Levanta-se aqui uma dúvida: o homem andava a oferecer robalos de água doce?

Há sempre um parvo que quer ser mais parvo do que os maiores parvos. Este televangelista já conseguiu muitas vezes.