Nos 25 anos da morte de Pedroto

“O Zé do Boné, como muito carinhosamente também foi conhecido, era dotado de uma inquestionável competência técnica e era um estratego por excelência. O Milão de Sacchi, o Barcelona de Cruijff e o Marselha de Goethals, por exemplo, vieram provar, muitos anos depois, como estava adiantado o homem que insistia na defesa em linha, o que, na altura tantas críticas lhe valeu. Além disso, Pedroto criou um estilo de futebol, adaptado às características dos jogadores portugueses, que fez escola. A isso somou uma invulgar capacidade para dirigir e orientar outros homens e uma vontade indomável. O resultado foi a clara ultrapassagem da mediania e a morte do fatalismo lusitano da incapacidade. Ele ajudou a matar o emiprismo reinante no meio da sua profissão e abriu o caminho para o trabalho posterior de muitos outros técnicos portugueses igualmente competentes. Também por isso, tornou-se uma figura referencial e incontornável do futebol português, relegando para a penumbra nomes muito grandes como os de Cândido de Oliveira, Fernando Vaz, Ribeiro dos Reis, Tavares da Silva e Ricardo Ornelas.

Admirador entusiasta de Miguel Torga, apaixonado pela pesca (que lhe garantia o equilíbrio de que precisava para enfrentar o stress da competição) e pelo jogo, Pedroto tinha o vício de ganhar (no futebol, às cartas, à moedinha e a todos os jogos de carácter lúdico para que permanentemente se dispunha). Lutador nato, ganhou todas as batalhas com excepção da derradeira, travada contra um adversário invencível, que o vitimou a 8 de Janeiro de 1985.”

F. C. Porto. 100 Anos de História. 1893-1993, Manuel Dias e Álvaro Magalhães, Edições Asa.

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A lenda

Comments


  1. Cá está o que eu sempre digo… são pequenos e não há nada a fazer. Então juntam-se para celebrar a memória de um Homem singular e o Pápa usa o discurso para atacar o BENFICA! Depois, sou eu que aqui no Aventar tenho a mania da perseguição!

    • Ricardo Santos Pinto says:

      São pequenos quem, os benfiquistas? Pois são, e a prova é o Luis Filipe Vieira, que há poucos dias atrás passou toda a entrevista a atacar o FC Porto. E os teus posts, que também vão sempre nesse sentido.
      Eu, ao dizer que esse discurso agora não faz sentido, não estou a ver onde estou a ser pequeno. Nem vejo onde estou a ser pequeno ao dizer que é para a Europa que o FC Porto tem de olhar, não para Portugal.

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