América Latina

Nunca esqueço a frase de um amigo que dizia: «porque é que o teu continente é denominado América Latina se os romanos nunca andaram por ai?» Questão enganosa. Os romanos, eles próprios, nunca passaram pelo continente que foi descoberto, conquistado e colonizado pelos seus descendentes, todos os que falavam línguas românicas ocuparam a maior parte do Continente. A restante, por países de língua saxónica e até germânicas.

A questão pareceu-me importante e investiguei-a. Fiquei surpreendido com a minha pequena pesquisa histórica. Filho como sou de espanhóis, reparei que os primeiros habitantes não eram descendentes de romanos. Havia muitos mais grupos sociais. De momento, por falta de espaço e de tempo para detalhes, darei apenas pequenos apontamentos. O que hoje corresponde ao Uruguay, Paraguay, Bolívia e Argentina, durante a conquista formavam as províncias do Rio da Prata. Os outros eram governados pelo Vice-Reinado sediado em Lima, hoje Peru. Com a descoberta, os nativos do continente passaram a ter outros nomes. Os originais ficaram reduzidos a pouco número de habitantes. Apenas no México, os Reinos dos Aztecas, Mayas, Tolteclas, Miztecas, Zapotecas e Olmecas, tributários do Império Azteca governado, à chegada dos espanhóis, pelo Imperador Moctezuma, que foi traído, roubado e executado pelos avarentos invasores. A legislação, a justiça, a gestão das propriedades estavam sujeitas a leis escritas em papiros, com juiz, cortes de apelo e uma boa arquitectura inscrita no nome do proprietário, se fosse privada, ou no nome da comunidade do reino ou etnia, como entre os Amatenango, hoje camponeses do País Panamá. Todos os monumentos públicos eram propriedade do imperador. A arquitectura azteca era tão grande, imponente e melhor que a dos Egípcios; subsistem e são cuidadas, pirâmides e monumentos, pelos cidadãos dos Estados Unidos do México, sejam antigos nativos súbditos (hoje cidadãos mexicanos, de dupla nacionalidade), sejam por membros da própria etnia do antigo império ou reino. México, sem invasores, seria, actualmente, o Império e reinos antes designados. A invasão fez deles escravos, até à sua independência em 1821.

As Repúblicas de hoje, tinham outros nomes: Uruguay e Paraguay, correspondem às antigas Repúblicas Guaranis com vários chefes residentes em territórios diferentes, em que a guerra, entre si, pela supremacia das chefias era usual. O Equador e o Peru, que formavam o Império Quechua, eram subordinados como os Aimara (Bolívia), Chaco (Argentina), Aimara, Mapuche, Mapochos, Pehuenche, Picunche e os Huilliches (Chile), ao Império Inca do Alto Peru, que ensinara novas formas de trabalho, como semear, cultivar até à escrita, a todos estes povos, até ao ano de 1491, ano em que abandonaram o Império por causa da chegada dos espanhóis, que pilhavam, matavam e escravizavam como narro em detalhe no meu livro de 1998: Como era quando não era o que sou, Profediçoes, Porto.

Sem invasão, a América Latina teria outra cultura, saber e relações sociais.
Apenas no Chile, com uma etnia que nem para reino dava, foi trucidada uma imensa lista de povos que o habitavam, os seus nomes e territórios podem ser consultados em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Povos_ind%C3%ADgenas_do_Chile.

Enquanto nas outras Repúblicas as etnias eram respeitadas, no Chile os nativos foram encurralados em reduções (reservas), de onde não podiam sair. Houve um lento e cumprido genocídio ao longo dos séculos até ao dia de hoje. De cinco milhões de nativos de Mapuche, por exemplo, sobrevivem não mais do que 400 mil.

O Chile criou duas leis: uma para todos os chilenos e outra para os Mapuche, sempre sem direito à propriedade e com direitos restritos quanto à sua participação em eleições. A ocupação secular extremou as identidades. Assim, se um mapuche abandona a redução para ser profissional, nunca mais os seus lhes permitem voltar. Situação mais gravosa, se casam com “huincas” (estrangeira).
Nos outros países, os nativos são pessoas. No Chile são desprezados, apesar de ser um país de larga mestiçagem. A maior parte dos chilenos são descendentes de Mapuche Huinca, como pode ser apreciado nos proeminentes ossos faciais e no queixo forte e sobressaído.

A história fica por estas linhas.

América Latina é um mau nome para o Continente. Está largamente habitado por mestiços que falam a sua própria língua, o mapudungun, que me foi necessário aprender para estudar os Pichunche. Povo que não se orgulha de ser mestiço, quanto mais se parecerem com os espanhóis mais orgulhosos se sentem. O Chile é um País de animais com os seus nativos…

Indígenas da etnia Mapuche.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Nós, os europeus em geral, sabemos muito pouco sobre os povos indígenas da chamada «América Latina» – duas palavras mal escolhidas. Das civilizações pré-colombianas, fala-se dos Astecas, dos Maias e pouco mais. Por isso, este texto é muito importante, pois esclarece sobre etnias de que pouco ou nada sabemos, como a dos Mapuches, nativos do actual Chile. Mas a designação do continente e do subcontinente não é, realmente, a melhor. América porque um tal Américo Vespúcio disse ter feito viagens para o Novo Mundo em 1499, 1501 e 1502. Um geógrafo germânico, Waldesemüller, apressadamente, atribuiu ao continente a designação derivada do nome próprio Américo. E pegou, embora as provas de que as viagens de Vespúcio se realizaram de facto não sejam conclusivas. E Latina porquê, como pergunta o Professor Raúl Iturra – acaso andaram os Romanos por ali?


  2. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA…

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato “JOSÉ LOURENÇO”, paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre Cícero Romão Batista, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará É de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e pelos Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS – DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.

    AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo desaparecimento forçado de 1000 pessoas do Sítio Caldeirão.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem encontrar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes procurados no “Geopark Araripe” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue esta notícia em seu blog, e a envie para seus representantes na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal que informe o local da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    http://www.sosdireitoshumanos.org.br

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