A surpreendente semana

Esta semana fomos confrontados com a enorme catástrofe da Madeira,por força ,entre outros, dos elementos da natureza não controláveis, o que levou à morte de dezenas de pessoas, centenas de feridos,e muita destruição de bens .Mas logo o país se mobilizou em solidariedades várias.Porém , foi o Governo que marcou pontos ,sem dúvida, o Governo, e Sócrates que souberam pôr de lado as acrimónias com Alberto Jardim,e imediatamente se meteu num avião com o ministro da Admnistração Interna para ver “in loco” os estragos, e perceber de que forma, e de que modo o Governo Central podia ajudar, e ser solidário com as gentes madeirenses.

E isto aconteceu no meio de uma semana que ficara´nos anais da história política da 3ª República, em que o Governo e Sócrates,começaram a reagir á campanha da oposição, ,uma espécie de PREC ao contrário, em que se tentava dividir o país, entre aqueles que acham que tudo o que se passa ,não é mais do que uma manipulação suja, que já cansa, e por isso defendem a legitimidade do Governo, e que são os maus, e vendidos , e os que o atacam de todas as maneiras,algumas de discutível ética,como se viu no Parlamento, e que são os bons.

Neste contexto, até a marcha pela realização do referendo sobre o casamento homossexual, do passado dia 20 , tinha tanto de homofóbica e fascisante ,-até bandeiras fascistas lá se exibiram-como contra Sócrates. A direita e a Igreja querem abate-lo,contando para isso com alguns aliados à esquerda- desde que fez aprovar na AR a lei. Assim, todos vão favorecendo uma estratégia presidencial cavaquista já em curso,desde a última reunião do Conselho de Estado .

Acontece que neste caso o tão anunciado sucesso da manif , com participação de 20 mil pessoas ,foi um “flop”,porque não estiveram mais de 5 mil – números que nem a policia confirmou- trazidas em autocarros de todo o lado ,com muitas crianças e adolescentes, o que explica que os orgãos de informação, antes tão empolgados, lhe tivessem dado um tratamento muito secundário.

Afinal, a questão não parece tão fracturante para um país de 10 milhões de habitantes…

A outra notícia da semana foi o aparecimento de uma nova candidatura presidencial, à esquerda .Referimo-nos ao dr. Fernando Nobre figura bastante conhecida da sociedade portuguesa pela sua intrépida actuação na AMI, Médicos do mundo .

É uma candidatura que surge da sociedade civil, muito crítica da partidocracia ,que tanto tem desgastado esta República, e que pode introduzir um discurso novo, de ruptura, no discurso dos políticos portugueses,e que, certamente, mesmo que não seja vencedora,os obrigará ,e bem, a repensar o papel da política versus cidadania.
Vamos ver que surpresas nos pode trazer…
António Serzeddelo-editor do Vidas Alternativas

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Sem dúvida, a candidatura do Dr. Fernando Nobre pode ser o despertar da sociedade civil e dixar de estarmos debaixo da pata da partidocracia.

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