Roma não paga a traidores

“A câmara de Lisboa discute na quarta-feira a contratação da empreitada de restauro e remodelação da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago, no valor de 2.2 milhões de euros(sem IVA).”
“Roma Não paga a traidores” a frase passou de moda e a tradição já não é o que era. Os novos romanos, os novos senhores do templo, só pagam a traidores a desertores e a corruptos.
São os novos ventos da modernidade que permitem que com dinheiros públicos se patrocine a Fundação de um iberista convicto de uma traidor que acha que estamos melhor governados por Madrid que por Lisboa. Só este simples facto seria o bastante para que o escritor medíocre fosse proibido de entrar em Portugal, mas os comparsas da maçonaria no poder, vão dar-lhe mais uma comenda.
Um profundo grito de revolta deve sair do peito de todos os patriotas, aqueles que generosamente ofereceram a sua vida para que Portugal fosse uma Nação livre e independente dêem estar a dar voltas nos túmulos.
A nova Roma pode pagar a traidores, mas os portugueses, aqueles que amam a sua Pátria, devêm tirar de este acto terrorista e antipatriótico as devidas ilações.
Proponho desde já uma grande manifestação frente à casa dos bicos, eles podem pagar a traidores, mas devem ficar a saber que nós não concordamos.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Meu caro Vítor Ramalho, tenho verberado, aqui e noutros locais as afirmações de Saramago quanto à integração de Portugal num novo país que se chamaria Ibéria. Já na «Jangada de Pedra» se anunciava esta convicção do escritor, uma Península que se separa da Europa e atravessa o Atlântico na direcção da América. Não concordo com essa ideia de nos integrarmos com Espanha, mas chamar traidor a Saramago parece-me excessivo. Veja o que vai por aí na blogosfera de petições pedindo a independência do Norte que se uniria à Galiza reconstituindo a Gallaecia romana. São traidores os que querem amputar Portugal do território onde o País nasceu? Acho que não, embore discorde tanto desta ideia como recuso a de Saramago. As posições que se tomam sobre questão tão delicada quanto o é a de pôr termo a um Estado-Nação com quase nove séculos de existência devem ser discutidas com firmeza, mas calmamente. Tanto a posição do Saramago, como a dos separatistas, não resistirá a uma análise serena – na base de ideias tão absurdas iremos encontrar motivos fúteis, internacionalismos deslocados, regionalismos mal digeridos, coisas assim. Compreendo a sua indignação, mas vamos com calma.

  2. Luis Moreira says:

    Saramago, devia ser coerente. Foi para Espanha porque Portugal não o merece, segundo o próprio, então não devia aceitar as “commodities” e nós não lhos deveríamos oferecer…
    O país está bem sem ele tal como Saramago passou a ser feliz depois de ir para Lanzarote ! Já basta vir cá vender os livros e escrever na língua que tanto despreza!

  3. Carlos Loures says:

    Luís, ele não despreza a língua – quem escreve como ele, não pode desprezar a língua. Não será o teu caso, mas já vi pessoas que condenaram o ministro da Cultura, não me recordo de quem era, por não ter cedido à chantagem da Maria João Pires, estarem agora contra a cedência da Casa dos Bicos à Fundação José Saramago.

    No fundo, meua amigos, a questão é esta – a obra de Saramago enriquece a imagem de Portugal no Mundo (tal como as maravilhosas mãos da Maria João Pires); temos de ser um pouco pacientes com estas pessoas, aceitar uma ou outra birra, um ou outro disparate. Mesmo quando parecem não ser bons portugueses, com foi o caso destes dois.

    • Luís Moreira says:

      Ele não esquece ! Acha que foi maltratado e nã esquece, mas muito do mal de que se queixa foi porque perdeu na política. Saramago confunde as coisas. Eu acho que ter cá a biblioteca dele é uma mais valia, mas não há coerência por parte dele. Já a Maria João Pires queria que a Câmara de Castelo Branco pagasse uma utopia…

  4. maria monteiro says:

    bom Luís proponho que faças, para o Aventar, uma visita guiada à Casa dos Bicos e seus arredores : )

  5. Carlos Loures says:

    Não se pode ter rancor aos génios. Ele não vai ser eterno, mas a sua obra ficará. As ideias políticas do Pessoa não eram, a meu ver, dignas da sua obra. As ideias ficaram sepultadas com ele e a obra aí está. Apesar de tudo, a posição da Maria João Pires era pior – de chantagem pura – embora em nome de uma generosa utopia.

  6. Pedro says:

    Luís, quando acusas o Saramago de desprezar a língua portuguesa só podes, no mínimo, estar a cometer os mesmos exageros de que o Carlos Loures acusa o Vítor Ramalho. Cito Caetano Veloso “A minha pátria é a minha língua”. A pátria de um escritor é a língua em que escreve, Joseph Conrad, por ex. nascido na polónia, é um escritor inglês, língua em que escreveu toda a sua obra.
    Viver noutro sítio? Jorge de Sena, Eduardo Lourenço, J. Rentes de Carvalho, Onésimo Teotónio Almeida, Agostinho da Silva, Paula Rego, Vieira da Silva, Mário de Sá-Carneiro e toda uma imensa galeria de “traidores”.

  7. Albano Coelho says:

    Para mim, Galego, este texto e as aventadelas de Luís Moreira parecem somente dores-de-corno de dois tristes patetas (ainda se fossem alegres…). Bairrismos à parte, pensem no seguinte: Com 70% da economia real dependente de Madrid não vos parece que a Catalunha ou o País Basco são mais “independentes” do reino bourbónico que Portugal? E a tendência é para pior.
    De uma vez por todas deixai em paz o Zé que vós não sodes nada, absolutamente nada, em comparação com um dos maiores génios de sempre da literatura (galego-)lusófona.

  8. Luis Moreira says:

    Pedro, mas Saramago está azedo com o país. A maioria dos que saem eram (ou são ) gente que não cabia no país pequenino e medíocre. Saramago não perdoa que um asinino secretário de estado lhe tenha boicotado uma obra. É possível que eu próprio ainda esteja influenciado pelas duas vezes que cruzei com ele, não é a simpatia em pessoa, mas tambem é verdade que a isso não é obrigado.

  9. Luis Moreira says:

    Ó Albano, obrigado pelo pateta, mas ainda tu não ouvias falar no Saramago já ele me pagava a renda do DN, quando lá andou a sanear adversários políticos…

  10. Carlos Loures says:

    Luís, já me contaste que te cruzaste com ele no estrangeiro e que, vendo que eras português, não te respondeu. Isso, um episódio desses, não pode servir para avaliar uma pessoa e muito menos a sua obra. Ele não é uma pessoa simpática, mas isso não lhe retira a grande qualidade que tem como escritor.
    Albano, essa maneira de defender a Galiza não é a melhor. Gosto mais dos argumentos da Uxía, da qual sou grfande admirador. Com más-criações e picardias inter-regionais não vamos lá. E lembro-lhe que, apesar dessas «estatísticas» que apresenta e foi buscar não sei onde, nós somos independentes há quase nove séculos e vocês, com as vossas hesitações, estão dependentes de uma monarquia decrépita e ridícula. Deixemo-nos de brincadeiras, Albano Coelho.

  11. Sebastião Santana says:

    Caro Vítor Ramalho,
    Lá por o senhor Saramago não morrer de amores pelo que se tem feito a nível político no nosso País, parece-me um manifesto exagero chamar-lhe terrorista. Acho que “cidadão inconformado e com uma visão muito própria do País e do mundo” seria suficiente, ainda que extenso… Quanto ao “escritor medíocre”, já não me parece um exagero, acho que é só falta de abertura de espírito, sua, que o leva a confundir qualidade de obra literária com opinião. Prémio Nobel, palavras para quê?…
    A questão dos dinheiros públicos: quer quantos milhares de exemplos de dinheiro de todos nós que serviu para coisa nenhuma?
    O “amor pela Pátria” tem várias formas, e não se dizer o que se pensa não constrói nada, pelo que o felicito por expor a sua opinião de forma tão clara, ainda que não concorde em nada com ela.
    “Nação livre e independente”, meu caro… Não é, com certeza, a Portugal que se refere.

  12. maria monteiro says:

    Ok. Pelo Saramago até sou capaz de comer um peixinho grelhado … pode ser bacalhau? é que não gosto de sardinhas

  13. Como o amigo Sebastião Santana diz, quando se refere a “Nação livre e independente”, não é, com certeza a Portugal que se refere. “Amor pela Pátria”tem muitas formas, e a minha, por exemplo, não tem nada a ver com patrioteirismos arcaicos e patetas. A minha pátria não é esta, nem é nada disto, apesar de aqui ser obrigado a viver. A minha pátria é o mundo feliz, sereno e solidário que eu gostaria de ver á minha volta. Quanto a Saramago, chamar medíocre a um escritor que escreve “Ensaio sobre a cegueira”, por exemplo, é demonstrar uma ignorância e uma cegueira que arrepiam. O principal ódio contra Saramago não vem da sua obra a que muitos chamam medíocre, porque nunca a leram, ou se alguma coisa leram pouco ou nada entenderam. O principal ódio contra Saramago vem do facto de ele ter recebido um prémio Nobel, ele que se considera comunista, ele que se diz ateu, ele que denuncia abertamente os crimes e a hipocrisia da igreja, ele que não alinha com os poderes corruptos institucionalizados até à cristalização. Chamar-lhe medíocre é o mesmo que analfabeto chamar ignorante ao cientista.

  14. Vitor Ramalho says:

    Quem dá uma entrevista destas (http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=661318) para mim é um traidor ao serviço de Espanha.
    O mundialismo, o ser um cidadão do mundo faz as delicias do capitalismo apátrida.
    Saramago é um escritor medíocre, tenho direito a gostar ou não. Ter ganho o Prémio Nobel não significa que eu seja obrigado a gostar. O Prémio Nobel como se prova por Obama é mesmo para premiar medíocres.

  15. Antau Niotosesva says:

    Há aqui uns indivíduos a escrever muito mal, pior ainda que o Ser Amargo, que fugiu de Portugal por caqusa de um subsecretário… Hehehe! Que justificação mais ridícula para um acto público de adesão a Espanha! Ou ainda não repararam que Ser Amargo escolheu as Canárias, objecto de disputa entre Portugal e Castela, que esta venceu graças (vá lá o diabo imaginá-las!) ao Papa. Ser Amargo era um espanhol, por causa de Pilar. Era costume que as mulheres adquirissem a nacionalidade dos maridos, agora são estes… Não admira que as últimas palavras do velho fossem: Pilar, segura-me a pila que quero mijar! E agora somos nós que pagamos as fraldas. Quando aos iberistas, acabei de atravessar a Espanha e gostei. Mas prefiro este lado da fronteira. E sou europeu, porque também fui à França, à Alemanha e à Bélgica. Uniões políticas iberistas quando se tem a UE são ridículas. E separatismos nortenhos só se explicam por falta de imaginação. Foi por isso talvez que, tendo nascido no Porto, escapei a tempo para Lisboa, bastião secular da nossa independência!

  16. pedro says:

    este pais esta de rastos.

    gastar este dinheiro com um traidor destes.

    aguem salve portugal.

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