Da falta de vergonha

Não sei o que deu ao João Miranda para escrever este post. Porque, a não ser que seja uma brincadeira de mau gosto, revela várias coisas. Em primeiro lugar revela uma total e enorme falta de sensibilidade. Mais do que isso, revela uma total ignorância em relação a assuntos que qualquer pessoa lúcida considera graves. Depois, revela o desconhecimento total do que se passa dentro de uma escola pública. Não sabe, porque só alguém que não sabe é que consegue dizer isto. E por fim, revela falta de vergonha na cara.

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Golos…

Eu cheguei a pensar que o título desta posta fosse sobre o jogo do Porto, mas não. Nem tenho palavras…

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http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/TaSj0SQ9cLwrnlB2QrRc/mov/1

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Títulos de Programas de TV – Ídolos ou Epifenómenos?

Na luta pelas audiências, as estações de TV recorrem ao uso de títulos altissonantes para baptizar programas cuja finalidade é captar a adesão de milhões de telespectadores. ‘Ídolos’ foi um dos casos recentes.

Em minha opinião, considere-se embora os esforços das máquinas de mediatização, na música ligeira, como em outras áreas de expressão artística, os verdadeiros ‘Ídolos’ não se fabricam através de métodos artificiais e fórmulas de resultados instantâneos, tipo mousse ‘Alsa’. O estatuto inicia-se sobre qualidades inatas e adquire dimensão universal ao longo de prolongadas carreiras, carregadas de esforço. O talento, reafirmado de forma constante, consolida, portanto, esse estatuto. Assim sucedeu com Amália Rodrigues, Louis Amstrong, Edit Piaf, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Bruce Sprinsteen, Beatles e tantos outros que, em diferentes épocas, granjearam níveis de popularidade à escala mundial.

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Faltam 424 dias para o Fim do Mundo:

Hoje na revista Fugas (Público) Pedro Garcias escreve um comentário que merece o devido destaque (é pena não o encontrar no site do Público):” Montréal en Lumiére e a cegueira de quem decide apoios em Portugal”. Resumidamente: a 11º edição do Festival Montréal en Lumiére – um dos mais importantes eventos internacionais de gastronomia e cultura – teve Portugal como país convidado. Um evento com mais de 750 mil visitantes e uma montra mediática fantástica. O Turismo de Portugal não apoiou e não fosse o empresário Carlos Ferreira, dono de um dos mais conceituados restaurantes de Montréal, e os nossos empresários dos Vinhos, a coisa teria sido uma vergonha monumental. Incompetência pura, uma vez mais, do Turismo de Portugal!

Entretanto, Pacheco Pereira lembrou a necessidade de se saber quem financia as campanhas dos candidatos e Manuel Godinho jura que nunca pagou a ninguém para obter favores. Pode não parecer à primeira vista mas as duas notícias relacionam-se. Pelo caminho, é leitura obrigatória esta posta de José Manuel Fernandes no Blasfémias, sobre o PGR.

Finalmente, o fim do mundo não seria o mesmo sem este vídeo de estudantes nus a apresentar notícias terminando a coisa a pedalar rumo a casa e daí a importância de pedir à mãe para o namorado dormir em casa. Eu que tenho uma filha já preparo o pedido de licença e porte de arma…

Os pequenos que se julgam grandes e os grandes que até podem ser pequenos

Numa sociedade em que os abandonados estão cada vez mais abandonados, em que os laços de proximidade parecem desfazer-se, em que as relações de comunidade se vão diluindo, têm aparecido pessoas e organizações dispostas a remar contra a corrente, a reacolher os menos privilegiados, a alimentar os que precisam, a apoiar velhos sós e rejeitados, a acompanhar pessoas com dificuldades várias. Muitos fazem-no em regime de voluntariado, sem remuneração, buscando apenas a compensação de serem e se sentirem úteis.

Não falo de caridadezinha. Falo de um trabalho empenhado e continuado, de uma preocupação constante em resolver problemas, de solidariedade activa na construção de uma vida melhor para quem a tem muito má.

Felizmente, algumas organizações tornaram-se conhecidas em Portugal, veja-se a AMI, O Banco Alimentar Contra a Fome, os AA, etc. Mas existem milhares de pessoas e organizações desconhecidas que prestam serviços inestimáveis no acompanhamento de doentes e incapacitados, a visitar pessoas impedidas de sair de suas casas, a dar sangue, medula óssea, a distribuir seringas descartáveis entre toxicodependentes, a reintegrar sem-abrigo,  a prestar apoios básicos e importantes a quem não os pode pagar, contribuindo, dessa forma, para tapar buracos e sarar feridas que uma sociedade, por mais perfeita que fosse, não deixa de abrir continuamente.

Trata-se de pessoas que decidem agir em vez de sucumbir ao desânimo e à indiferença, que optam por resolver o que podem, em vez de esperar apenas que o sempiterno Estado o faça, em vez de alijar responsabilidades sociais sempre para os ombros de terceiros. É gente merecedora de respeito e admiração, que não tapa o sol com uma peneira, que sabe que existem velhos escorraçados pelas suas famílias, que há infectados a morrer de SIDA, que escondemos pessoas que não comem devidamente, que há crianças dispostas a atirar-se ao rio e acabar com a vida. [Read more…]

Pensamentos XXXV e XXXVI

XXXV

Encontra uma árvore habituada a viajar.

Encosta-te a ela e deixa que te conte histórias.


XXXVI

Se um peixe se passear de guarda-chuva

isso não significa que detesta molhar-se.


Conheça o primeiro Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz.

Ainda a "santa" visita do papa

Nesta altura em que Portugal e o Sr. Presidente da República se preparam para receber Bento VXI na sua primeira visita oficial ao nosso país, mais algumas notícias de última hora são dignas de figurar no belo cartaz oficial, anunciador da vinda do papa. “Contigo caminhamos na esperança, sabedoria e missão”. Quanto a sabedoria, sabem-na toda. No que respeita à missão, ela é por demais conhecida. [Read more…]

Natureza, lucro, catástrofes

A natureza que dá lucro, causa catástrofes

Continua a ser-me difícil não desabafar sobre as catástrofes acontecidas durante estes pesados dias. Dias pesados, porque nem os sentimentos, nem o espírito nem o corpo são capazes de suportar as hecatombes ocorridas ao longo destes dias em diferentes partes do mundo. Sítios do mundo geograficamente distantes uns dos outros, unidos apenas pela parte mais pesada e difícil de suportar do ser humano, os sentimentos. Esses sentimentos ou emoções que comandam a nossa racionalidade, atributos que definem o nosso pensar e dizer, ou operação do espírito de que nascem as nossas opiniões ou juízos. Juízo ou discurso, argumento, proposição, observação dos acontecimentos que arrasam o nosso sentir ou aptidão para receber as impressões do exterior na nossa consciência íntima. [Read more…]

Dois tipos de mentalidade em confronto – ainda a propósito das touradas (Memória descritiva)

No Parlamento da Catalunha prossegue a discussão sobre a abolição das corridas de touros no território da comunidade catalã. Ontem as alegações e a intervenção de peritos nas diversas áreas envolvidas, foram quase todas no sentido da defesa da continuidade das touradas. Na sessão da manhã, depuseram, entre outros, Hervé Schiavetti, «maire» de Arles e presidente da União das Cidades Taurinas de França, e o filósofo Francis Wolff, professor da Sorbonne, e autor de uma “Filosofía de las corridas de toros”. Na sua intervenção, declarou que a corrida «já não é a festa nacional de Espanha, pois agora é património mundial».

De uma forma geral, as alegações basearam-se nas banalidades do costume, salientando-se no entanto, na intervenção de Schiavetti a chamada de atenção para a vertente económica do assunto: «Não se trata apenas de um elemento cultural, mas também de uma questão económica; hoje em dia criar touros e aquilo que a criação comporta, constitui um forma imprescindível da gestão do território». O que põe o dedo na ferida.

E lembrou que só em França a exploração que inclui a criação do touro, implica a manutenção de mais de 300 000 hectares de reservas húmidas. Um ganadeiro catalão voltou a chamar a atenção que se os deputados catalães aprovarem a lei, serão responsáveis pela extinção desta espécie animal. Vale tudo, não só os deslocados apelos aos princípios conservacionistas como até disparatadas comparações políticas, como a de um indivíduo de Tarragona, ligado ao negócio das touradas, que comparou a eventual abolição das touradas com a censura franquista. [Read more…]

Se alguém me disser Bom Dia e eu não achar esse cumprimento importante, então não respondo


O Aventar no Público!

Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da Ministra Ana Jorge

A informação chegou ao Aventar via mail: uma psicóloga da associação «Novos Sábios», sediada na Lourinhã, trabalhava há 3 anos na Escola E B 2 3 da Lourinhã, gratuitamente, com a promessa de que passaria a ser remunerada quando houvesse verbas para o efeito.
Ainda segundo esse mail, recentemente fora contratado para as mesmas funções, mas remuneradas, um outro psicólogo. A ser verdade, estaríamos na presença de uma história com contornos algo estranhos, de desperdício dos dinheiros públicos e falta de consideração pela psicóloga que colaborava com a escola há anos de forma gratuita. Nada de especial, num país onde os dinheiros públicos são geridos da forma que se sabe, não fosse o facto de esse psicólogo, Miguel Jorge Carvalho, ser filho de Ana Jorge, actual Ministra da Saúde.
O Aventar pôs-se em campo e chegou à fala com a psicóloga da associação «Novos Sábios», Raquel Mendes. Ouvimos também o Director do Agrupamento, Pedro Damião. Quanto ao psicólogo contratado pelo Agrupamento, Miguel Jorge Carvalho, não estava na escola e foi impossível recolher o seu depoimento.

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Poesia – Vem Por Aqui

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Vem por aqui

Desenhar meus pés

E derrubar obstáculos

Vem para aqui

Apreciar as marés

E curar meus cansaços

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Vem amar o longe

A minha loucura

A minha ironia

E o mundo a que subi

Faz de mim um monge

Deseja-me

Como à fruta madura

Enche-me de amor e sabedoria

Vem comigo

Não vás por aí

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Brasileiro dotadão no Jornal de Notícias

 

Adivinha: destes dois anúncios, qual foi publicado no «Jornal de Notícias» e qual foi censurado?
Pois, pois, o JN é muito criterioso na escolha dos seus anúncios…

Apontamentos de Óbidos (1)

(Caminho para a muralha, Óbidos)

Grandes filmes

A man for all seasons.

Sir Thomas More: You threaten like a dockside bully.
Cromwell: How should I threaten?
Sir Thomas More: Like a minister of state. With justice.
Cromwell: Oh, justice is what you’re threatened with.
Sir Thomas More: Then I am not threatened.

Quem fizer greve é despedido

Enquanto estávamos a mudar de servidor eu por acaso estava a fazer greve, o que não tive tempo para comunicar. Comunico agora: era um dos 13% como diz aquele actor que não me lembra o nome e faz de secretário de estado dos funcionários púbicos, ou dos 80% que contam os sindicatos e que mesmo sem ter saído de casa me parece um bocadinho exagerado.

Também duvido que a piada que o actor disse, de juntar governo e sindicatos a contar grevistas fosse do texto, e resultou num improviso mal metido, era para ter graça mas ninguém sorriu entre os espectadores.

Quanto a explicar porque fiz greve era uma redundância em que não me meto.

Fotografias: photogrin (aka king volcano)

Adenda: redundâncias à parte,  e para eventual consumo dos privatizadores de serviço, o Eduardo Pitta explica muito bem a realidade da função pública em tudo contrária aos mitos liberal-chupistas.

O Tango! A paixão dos corpos

Nasceu com um pé em Buenos Aires e outro em Montevideu, entre os “porteros” os homens das docas que arrimavam vindos do outro lado do Atlântico. Com o rio de La Plata a separá-los nasceu entre os que tinham deixado a terra natal e encontraram terras imensas mas não a sorte. Terras onde havia uma mulher para catorze homens, o Tango começou por ser dançado entre dois homens.
Cada um apresenta-se ao seu “adversário” à vez ( como o nosso fandango) e depois os corpos encontram-se e elevam-se numa onda de paixão, sublimando o corpo “único” que através da dança se funde e complementa.
Nasceu e cresceu entre os mais miseráveis e dado ao abandono por quem, vindo da mesma origem, não aceitava o “aculturamento” misturando-se com gente ida de Portugal,Espanha, França, Alemanha, Holanda…de tal forma que numa parte da cidade moravam os “terratenentes” que a todo o custo defendiam a “sua” cultura e, no outro lado da avenida, a principal, dita da Glória, viviam os pobres, os que inventaram o “acordeão” e o “bandolim” porque não podiam transportar o orgão da Igreja natal.
De tal sorte que os filhos dos “terratenentes” eram enviados de volta à Europa para estudarem e assim defenderem-se do “aculturamente” , falando Francês entre si e mesmo latim para manterem as distâncias.
Mas a “cultura” fez (como faz sempre) o seu caminho, o Tango começou a penetrar nas camadas mais altas da sociedade e a tornar-se no hino de todo um país, transbordou para a todo o mundo, e hoje é ouvido e dançado nas selectas colectividades e nas associações de bairro, com grupos de pessoas a frequentarem aulas de Tango, com os passos lengosos e melados a serem rabiscados entre o par, não vá acontecer-lhes, como me aconteceu a mim, que numa noite em Buenos Aires, dando crédito ao meu talento de dançarino me atrevi a dançar um tango “à portuguesa”.
Entre os que consideravam que estava a gozar e os que achavam piada, salvou-me a voz do apresentador que me gritou : ” português, fantástico! Agora necessitas de aprender!”

PS: resumo da exposição de ontem na tertúlia que frequento, de um Argentino há muito vivendo em Portugal.

Um bilhete da TP de Lourenço Marques-Lisboa. Sem volta (I)


“Há 35 anos inventámos a palavra retornado. Mas eles não retornavam. Eles fugiam. Retornados foi a palavra possível para que outros – os militares, os políticos e Portugal – pudessem salvaguardar a sua face perante a História. Contudo a eles o nome colou-se-lhes. Ficaram retornados para sempre. Como se estivessem sempre a voltar.”

Este post da Helena Matos surge como quase resposta à campanha de promoção de um conjunto de textos coligidos em livre de saison politique que ultimamente tem sido promovido nos santuários do costume. Os dislates do politicamente correcto de alguns conjugam perfeitamente os interesses que hoje servem os seus mais lídimos herdeiros directos, exactamente os mesmos que hoje acorrem a Moçambique à cata de desinteressados negócios. Há coisas que não mudam.

Tudo começou há uns meses quando uma bastante efémera “ex-residente em Lourenço Marques” decidiu editar a sua experiência pessoal, sendo sem surpresa apoiada pelo carpidismo militante que sempre arranja um espaço reactivo para as suas ilusórias verdades de convenção. Essa também ex-menina e autorajamais viveu em Lourenço Marques, a Maputo cujas avenidas o Sr. primeiro-ministro ontem entusiasmadamente percorreu em mini-maratona de salutar oxigenação pulmonar. A dita ficcionista, Isabela de seu nome, limitou-se a vegetalizar-se num buraco-negro de paranóia circunscrito a pouco mais de 400m2. Filha de um tipo de homem a quem local e depreciativamente se designava de maguérre (1), diz ter assistido a um infindo rol de iniquidades caseiras. Por isso mesmo, sendo branca, aparentemente loura e confortavelmente alvenarizada em residência na Matola – uma espécie de melhorado Cacém local – , sentiu como absoluta missão agigantar a pequenina, grotesca e marginal figura paterna, fazendo-a subdividir-se tal como uma amiba, a todo o corpo colonial estabelecido em Moçambique. As lamentáveis aldrabices grasnadas pela ignorância de uma totalmente desconhecida realidade, tornam-se em factos que se compõem uma perfeita ficção de cordel mais própria das sebentas “revolucionárias” e justificativas de outros tempos, estão, no entanto, muito longe da verdade do período final da presença portuguesa em Moçambique. Afinal tudo se resume a uma questão de facturação, à procura de um suburbano êxito à Harry Potter. A ficção vende bem e se for sob patrocínio alinhado, melhor ainda.

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Eu não lhes perdoo

Diz que os aventistas armaram prá aí um trinta e um do escafandro e má não sei o quê e eu a ver a minha vida a andar pra trás que não tinha onde debitar.  Bem, a coisa lá se resolveu. Por sinal sem a minha ajuda, que eu tenho mais o que fazer e se não for aqui vou fazer a minha vida para outro lado, pois claro, que eu só cá vim ver a bola e o resto é letra. (mas por acaso, ó  Ricardo, tive com a ratinha e ela mandou-te um beijinho repinicado. Diz para apareceres que está com saudades ).

Mas ele há males que vêm por bem. Perdendo-se a ocasião, escusei de agradecer a lagartagem, o que muito me calhou.  Não é que o fosse fazer.  Muito pelo contrário. Aliás, como sempre, lá estão eles a intrometeram-se em conversa de gente graúda. Mas quem é que lhes disse que podiam espetar três secos aos andrades, assim sem mais nem menos.  Pediram autorização, porventura?

A gente a guardar o melhor bocado para véspera e vêm estes caramelos tirar-nos o gostinho da boca. O gostinho de ganhar o campeonato no estádio do pastor alemão ou do ladrão, do c…aramachão, ou lá do que é que é. Enfim, como sempre os cabelinhos à fosga-se a entrarem na festa sem serem convidados.

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