Tierras de Miranda – Nuobas

Na semana em que os Galandum Galundaina apresentam o seu novo disco, destaque para um blogue em mirandês que para lá de fazer o que fazem outros blogues locais ainda serve de veículo à nossa belíssima segunda língua oficial.

Noubas, blogue da aldeia dos irmãos Meirinhos que com o Paulo Preto formam os Galandum, um grupo que só podia existir nas terras de Miranda do Douro onde a música faz parte da paisagem, é mais uma paragem obrigatória na Volta a Portugal em Blogues.

E aqui fica um dos temas de Senhor Galandum:

In limine

(desenho de Manel Cruz)

 Pelos caminhos de prantos e sorrisos, dentro de um tempo farto de horas sem minutos, a vida vai colhendo flores que murcham, por não serem simples flores ou flores simples, sem exigências de estufa ou jardim, flores de terra húmida, céu por cima e sol de permeio.

 Em tudo o que me é vida interfere a vergonha de ser adulto. Descortino as janelas que me disseram haver dentro dos homens e só vejo muralhas. Nada de crianças. Os homens comeram as crianças, os homens comeram-se crianças, os homens pariram-se adultos.

 Os pongídeos chegaram a homens. Quinze milhões de anos para o homem ser bicho. Bicho erecto. Rastejo de púrpura.

 Eu nasci na erva e dormi no feno, e acordei com a voz dos melros e rouxinóis e saltitei com os pardais. Vesti-me de sol e despi-me de luar. Estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios. Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. A vida viveu em mim crescendo todos os tamanhos e medindo todos os céus. Também eu fui criança e matei em mim a criança que procuro, ao pensar que eram de amor as mãos que a mataram.

 Passei a vida a correr tropeçando nas sombras. Arrumei ao canto da luz mil horas vazias, sangradas a curricular futuros para ser gente na praça dos homens. Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.

 Vestido de ausências fui renascendo de amor pela vida fora, nos infinitos da fantasia que outros foram lentamente matando com fruído prazer.

Filosofia de bolso (3)

– O medo e a coragem são a raiz da vida. Principalmente o medo: somos treinados para ter medo, e para ter coragem perante o medo. Dificilmente somos treinados para ter coragem pela coragem, sem ideia de medo.

"Lei da rolha" o tanas, "lei da censura"

Hoje aconteceu uma coisa estranha no PSD. Ou no PPD-PSD, não sei bem. Um partido que se apresenta como democrata e defensor da liberdade de expressão aprovou uma regra que penaliza quem critique o partido nos 60 dias anteriores a eleições. Normas internas, dizem. Sem se rir.

Já lhe chamam a “lei da rolha“. Eu prefiro chamar-lhe a lei da censura. Bem sei que a palavra pode parecer demasiado pesada e causar urticaria a muitos milhares de militantes. Mas a realidade é esta: os sócios do PSD serão castigados se disserem “ai” quando os dirigentes afirmam “ui”. Se faltarem menos de 60 dias para actos eleitorais. Se o prazo for maior, já não há problema. É uma questão de unidade, alegam do comité central que propôs a norma.

Ah, pois, a norma foi proposta por um ex-presidente do partido. Os actuais candidatos estão contra mas o congresso não teve vergonha em a aprovar.

Vindo de quem vem, daqueles que se dizem herdeiros do pensamento político de Sá Carneiro, ainda espanta mais. Deixemo-nos de paninhos quentes, trata-se de uma censura.

(GOLO)BENFICA vence na Madeira – veja o golo de Cardozo!

Uma vitória com golo de Cardozo:

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/TLzSjRBRlAtvVs9Nfd5e/mov/1

Bullying ou Má Criação?

Já aqui falei do Louzã Henriques e eis que, surpresa, encontro um depoimento dele num jornal sobre a patetice do conceito de bulingue:

E é neste ponto que o psiquiatra Manuel Louzã Henriques também se concentra. “É essencial que os professores sejam respeitados, que tenham autoridade e que possam aplicar uma disciplina actuante.” Para o clínico, actualmente os professores não são respeitados, considerando que os alunos vêem os docentes como alguém para “dar marradas”, até porque os próprios encarregados de educação acham que podem “bater e exigir dos professores“.

Louzã Henriques salienta ainda que “fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação. A sociedade quer que cada um acorde o selvagem que tem em si. Pessoas vistas como tímidas ou que gostam de reflectir sobre os assuntos são muitas vezes vistas como frouxas”. Firmeza, não enveredar pela hipertolerância, são soluções a adoptar.

Um aluno suicidou-se! Coitadinha da escola!

um dia destes não precisamos de burocratas!

“Para entender é preciso esquecer quase tudo o que sabemos. A sabedoria precisa de esquecimento. Esquecer é livrar-se dos jeitos de ser que se sedimentaram em nós, e que nos levam a crer que as coisas têm de ser do jeito como são. (…)”. Ruben Alves

O suicídio de alguem é algo de pavoroso, chegar ao ponto de só assim, neste acto último, conseguir chamar a atenção para si e para os seus problemas é algo que aflige, que nos deixa sem esperança.

Num acaso, particularmente infeliz, deram-se dois suícidios e ambos no âmbito da escola pública. Um professor incapaz de aguentar rapazes e raparigas sem vergonha, que o atormentavam com piadas para as quais não encontrava saída digna, escolheu a morte. Um jovem, justamente pelas mesmas razões, optou pelo mesmo caminho pondo fim à vida.

As razões são as mesmas, não vale a pena fazer de conta que não são, a mesma falta de atenção, os mesmos energúmenos, a mesma incapacidade de se fazer ouvir, a escola que nem sequer se apercebeu do problema ou que não soube geri-lo. A incapacidade de uma organização resolver ou prever um problema desta dimensão, mostra-nos tambem a que distância a escola pública está de se poder considerar uma organização eficiente e eficaz.

Mas é esta escola pública que é defendida com unhas e dentes por quem encontra nela a razão do seu poder. É esta escola pública que é considerada inamomível, onde toda e qualquer tentativa de mudar é acompanhada por um ruidoso coro de senhores muito importantes, que representam, são a voz, de uma massa amorfa de pessoas que se acomodam a troco de quem trave os combates que não têm coragem de travar.

E então de quem é a culpa? Do estatuto do aluno porque foi longe demais e do estatuto do professor porque não chegou aonde nós queríamos! Mas isso tem um rosto? Tem, a Maria de Lurdes ! Mas a Maria de Lurdes esteve no Ministério 5 anos e a escola pública há vinte que é má! Há gente que esteve sempre a tomar decisões durante todo esse tempo, mas esses não têm culpa! Os burocratas do ministério estão lá desde sempre, os burocratas dos sindicatos estão lá há pelo menos  30 anos, mas não têm culpa.É que esses entendem-se, são cá da gente!

Tudo muda menos a mudança! Mas não é verdade, a escola pública tambem não muda!

Os professores e os seus sindicatos não deixam! E os burocratas do ministério tambem não!

Porque será?

PSD: Discurso de Fernando Costa, o Momento!

Aqui se coloca o vídeo da intervenção de Fernando Costa, Presidente das Caldas da Rainha, o grande momento do Congresso do PSD:

http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/07UyybfUG6zTP4t456oA/mov/1&Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2010/3/fernando-costa-o-discurso-que-incendiou-o-congresso-do-psd14-03-2010-22738.htm&ztag=/sicembed/info/&hash=FF3C1208-4291-4FCC-8A32-9B9AB0E99B57&embed=true&autoplay=false

Não sei onde é que este país vai parar, não

Refastelada num sofá da livraria, com um volume esquecido sobre os joelhos, a senhora gritava ao telemóvel e olhava em volta para assegurar-se de que a olhavam.

“É verdade, parece impossível… Coitadito, acabou o curso mas nada… Ainda o chamaram para um estágio, mas ele não gostou daquilo. Foi à entrevista e quando chegou a casa disse-me logo “Ó mãe, olhe que eu para ali não vou. Eles o que querem é escravos a trabalhar de borla, que trabalhem eles!”… Sabe que também há muito aproveitamento nestas coisas, não é? …  Ninguém valoriza o esforço deles, não, não, nada! Como é que o país há-de andar para a frente, com estas pessoas assim? Este Sócrates… olha, é um melagómano!! E estas coisas emergentes da educação e da saúde, as mais importantes, não é?, ele não lhes passa cartão.”

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Ao comentário de Talvez…

Caro Talvez…parecem, mas não são falácias. No que respeita à “falácia” ad hominem, há que reconhecer que o papa é, na realidade, para mim, o representante de uma instituição verdadeiramente indecorosa. Todos os dias surgem na imprensa, e não me digam que é perseguição, relatos escabrosos atribuídos ao clero (passados em muitos países de que há muito temos conhecimento, agora vem a Irlanda envergonhada, a Alemanha incomodada, a Holanda estupefacta, a Suiça de boca aberta e o que mais se vai ver. Não tenho dúvidas de que as grandes revelações, isto é, revelações de abomináveis crimes de perversão sexual e pedofilia da igreja, praticados não só pelo clero mais subalterno mas também pela alta hierarquia, não tardam. O tempo levantará todos os véus sujos e conspurcados). A “falácia” ex populum também não é verdadeira, até porque as pessoas que se sentem repugnadas com os actos da igreja desde há séculos, mas sobretudo da metade do século passado para cá, gravosos crimes economico-financeiros, tráficos de influência, compadrios, nepotismos, intrigas e intromissão vergonhosa em países soberanos, “assaltos” ao poder e ao domínio, ao ensino, à saúde, às instituições e aos bancos, políticas e intervencionismos camuflados em conflitos bélicos, sempre ao lado dos agressores e dos poderosos, tudo isto caldeado numa monumental hipocrisia sem a mais pequena centelha de humildade cristã, são muitos milhões. São pessoas que, como disse no post, têm uma testa e dois olhos debaixo dela, e não podem deixar de se sentir incomodadas e ofendidas com a visita do papa.

Faltam 420 dias para o Fim do Mundo:

O Comunismo Social-democrata arrancou hoje com toda a força: agora, durante 60 dias impera a lei da rolha. Ou muito me engano ou os bloggers vão ter de repetir a manif pela Liberdade. E que excelente motivo. Uma medida que vai obrigar Cavaco a incomodar o TC, penso eu de que…

O congresso acabou e as opiniões são como as cerejas. E Sócrates parece ter sido visto a sorrir enquanto tomava café com Portas. E já nem se pode dar uma queca no carro, será que foi o Mickey? Deve ter sido motivado pelas alterações estatutárias no congresso. Isto é coisa da Manuela e do Pacheco…

Viva o PCP-SD!

Habemus paxem

Habemus paxem

Magnífica surpresa nesta saga de poetas para as cinzas nocturnas!

Há um labirinto de ismos que se entrecruzam

de pontes sobre um rio seco ou rio desviado para lá de mim

lago de silêncio com a cidade ao longe

regateando simbolismos de esferas ocas semeadas pelo parque

monumental parque de outros ismos já mortos

à espera de uma ressurreição sob o reflexo de mil janelas

empoleiradas nos altos muros da cidade virtual

em serena ode à quietude universal.

Ali na esquina há fumo branco e o estribilho feroz

de um surrealismo macabro, de um débil concretismo

experimentalista hermeticamente grosseiro

gritando aos ares habemus paxem.

Na deserta anatomia do silêncio onde outrora a poesia já morou

grita bem alto o histórico fóssil da verdade

em pedaços de vida fumegante

e monstruosas resmas de páginas em silêncio.

Montanhas de nomes a apodrecer entre escombros de pensamentos

que embrulharam a consciência adormecida durante séculos

Inglórios sufocos de ar emoldurados de paz e de vida. [Read more…]

Eles ferram!

Eu confesso que já tinha reparado. Aliás, já toda a gente tinha reparado. O jornalista Ricardo Costa da SIC é um daqueles típicos casos de homem apaixonado pela política mas sem paciência para o trabalho de formiguinha obrigatório na vida partidária. O jornalismo é a escapatória.

Convinha ter cuidado, procurar disfarçar preferências, acautelar a voz do coração impondo a da razão. Não lhe peçam, nem a ele nem a mim nem a ninguém, equidistância, pureza absoluta de distanciamento ou uma ditatorial independência. Não se consegue sem se perder a espontaneidade, o brilho certeiro, a análise com substância. Nós não somos máquinas.

Ora, foi o João Carvalho, no Delito de Opinião, o primeiro que se atreveu a chamar a atenção para a prestação paupérrima de Ricardo Costa no Congresso do PSD. Estava eu a almoçar, com a SIC Notícias ligada e ouço o Ricardo Costa a dizer, mais coisa menos coisa, o seguinte: “Isso não interessa nada, então não foi no congresso que elegeu Cavaco que João Jardim falsificou assinaturas de delegados da Madeira que estavam a dormir? E quem hoje se lembra disso, o importante foi que dessa forma Cavaco venceu e o PSD teve 10 anos de glória”. Confesso, fiquei com o maravilhoso covilhete da Gomes entalado entre os dedos e a boca. Desculpe, disse? Isso não interessa nada? Então o que importa é vencer, sejam quais forem os meios utilizados?

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Coerências #3:

Não posso deixar de citar Vasco Campilho:

02.09.2009 :

Passos Coelho foi também hoje criticado por Paulo Rangel, depois de ter afirmado que o PSD deveria pedir, nas próximas eleições legislativas, maioria absoluta. “Acho que isso não tem sentido nenhum, sinceramente não tem sentido nenhum. Este é um número que se repete. O doutor Pedro Passos Coelho já tinha feito uma coisa do género nas europeias. Penso que não teve grande sucesso e penso que não vai ter agora também com este tipo de afirmações”

13.03.2010 :

Paulo Rangel diz não haver nenhuma razão para “nas próximas eleições não pedir mais uma vez para o PSD uma maioria absoluta como uma grande meta para o partido”. “Isto, para mim não é um sonho, é uma realidade que está ao nosso alcance”, afirmou.
publicado por Vasco Campilho no 31 da Armada

Fraquinho

O discurso de Passos Coelho foi lamentável por uma simples razão.  O problema nem sequer foi os “dois anos” do Rangel ou o pedido ao Alberto João Jardim. O mais lamentável foi aquela justificação mal amanhada do seu percurso de vida. Passos Coelho queria justificar o injustificável. Que sempre foi um menino das jotinhas, que não tem uma carreira conceituada ou formada como os outros candidatos e que praticamente sempre viveu do Partido e para o Partido. A necessidade de dar uma justificação prova apenas que isto o incomoda a ele, que sabe e bem que os seus críticos têm razão. A mim não me choca absolutamente nada que Passos Coelho não tenha um nível cultural que outros antes dele tiveram. Não me choca que não tenha lido Ovídio ou que não saiba de cor os  sonetos de Camões. Quero lá saber. O que me interessa ou interessaria caso estivesse interessada no partido que é o PSD, é que ele tenha competência para governar um país porque é isso que ali se está a discutir. E ele não tem.

Invictus: Um suplemento de alma aquém das expectativas

Clint Eastwood é, provavelmente, o mais importante e relevante cineasta dos últimos vinte anos. E isto não é pouco. Mas nem os melhores estão sempre no topo. Por vezes tropeçam. Serve este início desculpabilizante para dizer que “Invictus” fica abaixo do padrão médio de Eastwood. O filme, esclareça-se, não é mau, nem sequer fraco. O problema é que o cineasta já nos deu muito melhor e qualquer coisa abaixo de excelente parece pouco.

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“Invictus” acompanha-nos na libertação da prisão de Nelson Mandela, interpretado por Morgan Freeman, a eleição como presidente da África do Sul e os seus esforços para evitar o desmembramento do país, incluindo o incentivo à selecção de râguebi para ganhar o campeonato do mundo que o país recebeu em 1995.

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Homenagem a Jean Ferrat – C’est beau la vie (Memória descritiva)

Jean Ferrat era o nome artístico do cantor francês Jean Tenenbaum, nascido em 26 de Dezembro de 1930 em Vaucresson (Hauts-de-Seine). Morreu ontem com 79 anos, em Ardèche, uma localidade no sul de França. De origem judaica, era o mais novo de quatro irmãos. Seu pai, nascido na Rússia, foi deportado durante a guerra para Auschwitz e ali morreu. Compreende-se melhor através deste pormenor biográfico o sentimento com que Ferrat canta Nuit et Brouillard.

Obrigado a abandonar os estudos para sustentar a família, actuou nos anos 50 em pequenos cabarés de Paris. Cantou versos de Louis Aragon e canções dedicadas a Neruda e a Lorca. Os seus temas eram, geralmente, de índole política. Foi com Nuit et Brouillard que o êxito chegou para Ferrat, pois recebeu o Grande Prémio do disco de 1963 com esse tema sobre os campos de extermínio. Nesse disco, incluía-se C’est beau la vie, com que antecedo as palavras deste texto. [Read more…]

A poesia do neo-realismo (Poesia & etc.)

Há críticos e historiadores da literatura que consideram que o neo-realismo em Portugal se caracteriza essencialmente pelo discurso ficcional. Há quem seja mesmo da opinião de que não existe uma poesia neo-realista (Mário Sacramento, por exemplo) É uma questão de perspectiva. Caso se esteja a falar numa forma tipicamente neo-realista de fazer poesia, então talvez essa forma não exista. Porém, para lá da tessitura formal, há outros aspectos a considerar.

O fulcro vital do neo-realismo não reside na forma. Encontra-se na denúncia da injustiça social e da repressão política, típicas dos regimes autoritários de direita que governavam uma parte substancial da Europa no final da década de 30, quando o movimento começou a afirmar-se em Portugal. A depressão económica, a Guerra Civil de Espanha, preanunciando a II Guerra Mundial, a dicotomia fascismo-marxismo, constituem elementos indissociáveis da génese do movimento que, definido sinteticamente, constituiu uma transposição para a arte em geral e para a literatura em particular de uma dinâmica subsidiária do materialismo-dialéctico. No plano histórico, representa, como salientou Óscar Lopes, um fenómeno semelhante ao da Geração de 70. Porque as épocas de grandes clivagens políticas e sociais, desencadeiam geralmente novas formas literárias e artísticas.

A Geração de 70, ou geração de Coimbra foi como que um eco da grande crise europeia gerada pela guerra franco-prussiana e pela Comuna de Paris. Nas suas formulações, os escritores dessa geração, ultrapassando o socialismo utópico de Saint-Simon, Fourier e Proudhon, revolucionaram várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura, onde a renovação se manifestou com a introdução do Realismo. [Read more…]

Jean Ferrat, 1930 – 2010

Morreu Jean Tenenbaum conhecido por Jean Ferrat, cantor de palavras.

La commune [Read more…]

Apontamentos de Óbidos (9)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos – Travessa de Vasco Lourenço)

Passos Coelho está preparado.

O que se pode concluir é que Passos Coelho está preparado, há anos em que se rodeou de uma equipa e tem ideias sobre o que quer para Portugal. Isso nota-se muito na forma como é mais concreto nas medidas e políticas preconizadas. na economia é o único que percebeu que sem uma rede de Pequenas e Médias Empresas viradas para a inovação e para a exportação, o país não sairá deste caminho que conduz à pobreza.

Ter um Estado que se conluie com os grandes grupos económicos “absorsores” das mais -valias produzidas pelo resto da população, até porque operam no mercado interno, leva-nos inexoravelmente para o abismo, o que está mais que provado como se vê pelos resultados dos últimos anos. Os sucessivos de grandes projectos públicos cada vez são marginalmente menos eficazes e rentáveis e a dívida pública explica o resto. Hoje pagamos 6% do PIB em juros lá fora o Sistema Nacional de Saúde representa 8%.

Nisto, Passos Coelho é o único que tirou as devidas ilações e está apostado em criar uma industria inovadora, uma agricultura e pescas que substituam importações e possam exportar. Não há outra maneira de tirar o país da miséria. Nunca de Sócrates ouvimos tal, bem pelo contrário, até á última defendeu os megainvestimentos e ignorou a dívida. As instituições financeiras internacionais obrigaram-no a dar o dito por não dito.

Pedro Passos Coelho tambem defendeu o “Estado Social” como é de tom na “social-democracia” o que não pode deixar de ser num país tão pobre, onde 2 milhões de pessoas são pobres e 40% vivem directa ou indirectamente, à conta do Estado.

E, mais do que tudo, que se saiba não tem curso tirado ao domingo, nem inquéritos mal explicados!

Uma Opção Para Portugal

O Congresso do PSD em Mafra foi esclarecedor. O candidato José Pedro Aguiar Branco demonstrou, uma vez mais, que partiu tarde. Por uma questão de palavra, JPAB acabou por prejudicar a sua candidatura e ver os falsos amigos fugirem para o outro lado da barricada. Caso contrário, como se viu nos debates e no Congresso, seria um forte candidato.

Por sua vez, Paulo Rangel, manteve o seu estilo populista, fazendo lembrar Paulo Portas, com um discurso cheio de sound bites (pedir maioria absoluta, falar em sonho, classe média, as entranhas dos portugueses, refundar Portugal, etc.). Nisso assemelha-se a Portas e ainda não descolou do passado. O seu pecado maior é a colagem a esta direcção e nisso Fernando Costa disse tudo. Daí a sua segunda intervenção ter sido uns bons furos abaixo da primeira.

Já Pedro Passos Coelho mostrou que é o que está melhor preparado para ser Primeiro-ministro e percebe-se a razão de ser o preferido dos portugueses. O seu primeiro discurso foi arriscado. Foi corajoso. Desmontou os mitos. O mito do seu passado e da constante crítica subliminar de ser jovem. Tenho a impressão que aos sessenta ainda o vão criticar por ser muito jovem. Enfim. A forma como abordou Jardim foi de uma bravura exemplar. Mesmo arriscando-se a perder imensos votos, mesmo pondo em causa a sua eleição como Presidente. Eu gosto de homens com audácia e PPC teve-a onde muitos, quase todos, se acobardam. O seu segundo discurso foi bastante incisivo, colocando a verdadeira questão: que PSD pode vencer as legislativas, qual o que está melhor preparado?  O importante é ter um projecto para governar Portugal e essa é a verdadeira questão. E esse projecto terá de ser profundamente diferente do de Sócrates mas, igualmente, distinto do da actual direcção do PSD.

A verdade, como se viu no seu último discurso, é que Passos Coelho fala para o país mesmo que o partido pretenda que lhe massagem o ego. Uma opção corajosa e realista. Uma opção por Portugal.

Fernando Costa…

…acaba de fazer um discurso arrasador. O verdadeiro PPD-PSD surgiu agora às 00:40!

É preciso ganhar Portugal e esse é o problema de Rangel.

Os golos do Académica – Porto

O Porto volta a ganhar, a Académica volta a perder em casa. Regresso à normalidade (infelizmente pela parte que toca à Académica).

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http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/pmbTB3yg1JfTwwsqzDnz/mov/1

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