Um recado avisado

Quando consumo conteúdos blogosféricos, não procuro notícias. Se eu quiser saber quem é que ganhou os globos de ouro, vou ao site dos globos de ouro. Se eu quiser saber qual foi a magnitude do sismo no Haiti, vou à procura do site da entidade que mede essas merdas.

Nos Blogs eu quero opinião. Mesmo que seja lúdica. Ou que me dê a conhecer coisas que a comunicação social tradicional deixa passar.

É verdade, eu não uso a comunicação social tradicional para estar informada, uso os Blogs. Mas se estes me começam a dar exactamente o mesmo que os outros….deixam de me ter como consumidora, da mesma forma que os outros deixaram de me ter como leitora, espectadora, ouvinte, etc.

Muito agradecida.

Joananuts

Pobres e Cultos

Estavam os três sentados numa das mesas, a mais afastada da entrada, e o único que tinha barba, pêra e bigode, razoavelmente cuidada, falava mais que os outros, como que dando uma aula. A espaços era interrompido com perguntas ou comentários. Falavam da dificuldade em arranjar emprego remunerado, que trabalho todos iam tendo de uma maneira ou de outra.

Distraí-me, a conversa dos outros não me diz respeito, e quando por acaso voltei a prestar atenção, já a conversa versava sobre política internacional. E o que ouvia era bem dito e com conhecimento de causa. Achei estranho já que os três indivíduos me tinham parecido, à primeira vista, “uns pobres coitados”, e comecei a prestar um pouco de atenção. Mais tarde ainda falaram de fotografia, melhor dito, um falou, e bem, e os outros ouviram, como seria de se esperar já que estavam num local que promovia exposições e mostras de fotografia, e acabaram a falar de música clássica e da sua mistura com a música ligeira. Algo parecido com o que aqui vos mostro.

Todos mostravam uma cultura acima da média e uma forma de falar cuidada, com o homem da barba a comandar e reger a conversa
Tudo aquilo era um pouco estranho para mim. A letra não condizia com a careta.
Aos poucos, com o evoluir do que fui ouvindo, fiquei a saber que eram três “sem abrigo”, todos na casa dos cinquenta anos, sendo um de Coimbra, e dois da área do Porto.
Quando reparei que tinha esmorecido a conversa, fui falar com eles.

Com alguma dificuldade lá me confidenciaram que um tinha uma licenciatura em gestão, outro tinha ficado pelo terceiro ano de medicina e o terceiro tinha o antigo sétimo ano do liceu e tinha estudado alguns anos de piano no conservatório. Todos a viver na rua, sem emprego, sem família, sem amigos. E no entanto, cultos e interessados pelas coisas da vida e do mundo.

E eu que julgava que “esta gente” mais não era que um bando de desgraçados, bebedolas, que se tinham entregado às dificuldades da vida, desistindo de viver.
Como a gente se engana!

Os funcionários públicos foram sempre prejudicados

Desde os tempos do Estado Novo, que a Função Pública é prejudicada.

Veja-se esta “Licença Anual para Uso de Acendedores e Isqueiro”, que diz:

Se o deliquente for funcionário do Estado, civil ou militar, ou dos corpos administrativos, a multa será elevada ao dobro e o facto comunicado à entidade que sobre ele tiver competência disciplinar

Chega de estigmatização! Venham mais greves!

Adenda: nas greves, entre os números dos sindicatos e os do Governo há sempre diferenças abissais. Querem melhor prova de que a matemática é um dos pontos fracos do nosso ensino?

Obrigado pelo apoio na tragédia do Chile

A tragédia que abanou ao Chile este 27 de Fevereiro de 2010 e que continua a punir sem motivo nenhum, tem sido acompanhada pelas pessoas do Aventar e pelos meus colegas da vida académica, pelos vizinhos e amigos. Queria agradecer. O  Chile está  dobrado, mas nunca quebrado. O futuro já começou a partir dos escombros…

As catástrofes da natureza

Adão e Eva expulsos do Paraiso

Falamos de catástrofe quando acontece uma grande desgraça que atinge muitas pessoas. Normalmente e da forma que tenho escrito nestes dias, adjudico o conceito às desgraças que têm acontecido no arquipélago da Madeira, na República do Chile e em toda a Europa do Norte, ao longo deste interminável, inacabável e fustigante, inverno das nossas vidas. Estes anos de 2009 e 2010. Tenho, por engano meu, pensado a natureza como elemento geográfico esquecendo, pelo facto das desgraças que nos acontecem, que o ser humano faz parte da natureza. Ao escrever sobre o ser humano como uma entidade que procura lucro e mais-valia, esqueci-me que estes dois conceitos fazem parte do pensamento das pessoas. O lucro e a mais valia não existem como elementos da natureza. Formam parte do pensamento, do cálculo, da procura da riqueza e do bem-estar, conceitos que fazem parte do pensamento económico do ser humano. Pensamento económico que tenho definido noutros textos como o trabalho que cria um conjunto de leis que presidem à produção e distribuição das riquezas. Donde, riqueza é o resultado da acumulação de bens poupados e investidos para render moeda. Continuar a ler “As catástrofes da natureza”

Poetas

 Numa altura em que o pensamento único tende a fazer deste planeta um mundo irracional e idiota, nestes tempos de profunda hipocrisia e escassa poesia, tentar a poesia é, ainda, tentar voar.

Sobre a poesia e os que a tentam descobrir, os chamados poetas, recai muitas vezes um julgamento pejorativo.

 A poesia é assim uma coisa…e os poetas uma espécie de lunáticos que não têm os pés assentes na terra.

Eles têm os pés assentes na terra. O que acontece é que a terra nem sempre é terra, e eles erguem os pés porque a terra é merda mal cheirosa.

 A poesia está para além das letras, das sílabas e dos versos. É uma espécie de ascese que envolve o Homem e o aproxima da sublimação da vida. Estou convencido de que há muitas pessoas que não conseguem ultrapassar a fronteira para além da qual a razão do mundo não é a sua ou a visão do mundo não é a que diariamente nos impingem. E penso, é apenas uma opinião, que a causa está na ausência intrínseca de sentimento poético. Continuar a ler “Poetas”

Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da ministra Ana Jorge

A informação chegou ao Aventar via mail: uma psicóloga da associação «Novos Sábios», sediada na Lourinhã, trabalhava há 3 anos na Escola E B 2 3 da Lourinhã, gratuitamente, com a promessa de que passaria a ser remunerada quando houvesse verbas para o efeito.
Ainda segundo esse mail, recentemente fora contratado para as mesmas funções, mas remuneradas, um outro psicólogo. A ser verdade, estaríamos na presença de uma história com contornos algo estranhos, de desperdício dos dinheiros públicos e falta de consideração pela psicóloga que colaborava com a escola há anos de forma gratuita. Nada de especial, num país onde os dinheiros públicos são geridos da forma que se sabe, não fosse o facto de esse psicólogo, Miguel Jorge Carvalho, ser filho de Ana Jorge, actual Ministra da Saúde.
O Aventar pôs-se em campo e chegou à fala com a psicóloga da associação «Novos Sábios», Raquel Mendes. Ouvimos também o Director do Agrupamento, Pedro Damião. Quanto ao psicólogo contratado pelo Agrupamento, Miguel Jorge Carvalho, não estava na escola e foi impossível recolher o seu depoimento.

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Leandro, assim se matam os putos

O caso do Leandro, o miúdo que se suicidou porque estava farto de levar porrada dos grandes, obriga-me a escrever enquanto professor.

Enquanto professor, embora há muitos anos não lide com a arraia mais miúda, não tenho a mínima hesitação em apontar o dedo à escola e aos meus colegas: a culpa também e muito principalmente é vossa.

Faço esta acusação porque conheço as práticas correntes de gingeira. Porque sei do hábito instalado de achar que putos à porrada é normal, e desde que não partam a cabeça é deixá-los andar. Porque vi a indiferença instalada desde sempre perante situações de abuso dos grandes perante os pequenos.

E faço-a com a memória de, num belo dia em que numa visita de estudo agarrei um matulão que pontapeava um pequenitote e lhe enfardei da comida que estava a dar, ainda ter tido de ouvir uns responsos dos meus colegas, cujo eduquês entendia que uma participação para adormecer num cesto dos papéis qualquer é que era.

É claro que o sistema facilita. Seja o das legislações patetas, seja o da falta de auxiliares,  vigilantes (sim, algumas escolas precisam mesmo de seguranças), psicólogos e assistentes sociais, seja a não responsabilização dos adultos por situações destas, a que assistem impávidos e serenos.

Ainda uma nota sobre a merda da palavra que aparece sempre nestas ocasiões, bulingue ou lá como dizem. Como a Maria João muito bem assinala o dito bulingue não é de hoje, é de sempre. Precisamente por ser de sempre é que é tolerado. E não precisa de palavras em línguas foleiras para ser descrito: praxe serve muito bem para o efeito, na generalidade dos casos.

Tempos atrás discutia este assunto com um amigo e colega da minha criação, que jurava a pés juntos que isto agora não tinha nada a ver com o nosso tempo, os putos são mais violentos, o dito bulingue é uma novidade, e o camandro.

Tive de lhe avivar a memória:

– Olha lá, não te lembras que sempre foste um matulão do caraças, e que na primária eras o primeiro a bater? E nunca levavas?

E lá teve de se lembrar.

(este vídeo, a célebre cena da Pita Marília está aqui para ilustrar um pormaior nada displicente: tudo isto se passa à frente de uma escola, a pé ou de automóvel os adultos passam, ninguém intervém)

Sócrates ja tem candidato! Levou-o para Moçambique…

Alegre lá foi com o primeiro ministro para Moçambique, não na qualidade de candidato presidencial, claro está, mas como membro do júri que premiou um escritor Moçambicano. Calculo que dentro do avião viajaram de costas para não haver tentações e de presidenciais nem pó…

Já podemos fazer as contas. Cavaco à direita e no centro, Alegre no centro e à esquerda (toda apesar dos candidatos fantasmas habituais…) e por cima deles, emergindo da sociedade civil, Fernando Nobre! Dito de outra forma temos o leque partidário todo contra o candidato da sociedade civil ! Vamos ver e ouvir muitas pieguices, pois o Nobre sim, é uma boa aposta mas não tem as estruturas partidárias por trás, não tem experiência ( como se algum dos outros tenha experiência dele) e por isto e por aquilo.

Entendamo-nos! Os partidos vão fazer essa conversa porque o pior para eles seria a sociedade civil conseguir derrotá-los, e quem não quer ver isto deve responsabilizar-se e meter a mãozinha na consciência. Muitos se queixam e bem, do autêntico sufoco dos partidos sobre a vida social, política e económica. Pois bem, aqui está uma grande oportunidade de aliviar esse sufoco e obrigar os partidos a serem melhores, nem que seja pelo medo!

Castelo Branco – O Albicastrense

O António Veríssimo labuta a solo em prol da nossa cidade, Castelo Branco, mostrando os belos jardins, o actual Museu, que começou por ser Paço Episcopal e depois Liceu e Escola Comercial e Industrial, onde andei, encostado ao famoso jardim das Estátuas.

E por amar a sua, nossa terra, preocupa-se com tudo o que pode afligir os Albicastrenses, chamando a atenção para os pinos que colocados há pouco tempo já estão “derreados”, palavra bem da região, e conta a história e as estórias da cidade.

Serviço Público a bem de Castelo Branco e as suas gentes aqui fica a morada do Albicastrense e não deixem de lá ir – ao blogue e à cidade – que merecem bem a pena!

Ah, moce marafade!

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Fotografia de KameraEskura/Pedro Noel da Luz

Quem esteja pouco familiarizado com o Algarve difícilmente compreende o português do título. Antes da massificação da televisão e da democratização do ensino, os sotaques regionais eram mais marcados e certos ditos e dizeres mais comuns.

Em Alvor, hoje uma pequena vila fortemente dedicada ao turismo, vivia-se, há pouco mais de vinte anos, fundamentalmente da pesca. Abrigada junto à foz da ria com o mesmo nome, entre o turismo que já transformava a Praia da Rocha e o enorme areal da Meia Praia – onde viviam os famosos “índios” da Meia Praia – a comunidade de alvoreiros desenvolveu alguns costumes e ditados característicos.  Quando dois “alvorêros garreavem” os piores desejos podiam sair da boca de qualquer deles. Eram as pragas de Alvor, algumas aqui reproduzidas em “algarvie”:

Ah moce marafade! havia de te dar uma dor de barriga tã grande, tã grande, que tevesses que correr e cande más corresses más te doesse e cande parasses arrebentasses.

Oh moce dum cabrão, havia de te crescer um par de cornos tã grandes, tã grandes, que dois cucos a cantarem, cada um na sua ponta, não se ouvissem um ao outro. Continuar a ler “Ah, moce marafade!”

O fosso entre pobres e ricos em Portugal mantém-se

Se já sabíamos que Portugal é dos países europeus (2º) com o maior fosso entre pobres e ricos, ficamos agora a saber que quase nada mudou nesse sentido desde os anos 90. As políticas ditas inclusivas, as ditas sociais, as ditas formativas, parecem não ter efeito quanto ao que seria realmente importante conseguir: maior coesão e justiça social. Mais uma vez, independentemente de nomes e partidos, os políticos portugueses e, por arrastamento, o povo português ficam mal na fotografia.

Já quanto ao défice, Portugal que se cuide: Não conseguindo convencer madeirenses e açoreanos a serem vendidos, restam as Berlengas, a Fuzeta, a ilha de Faro e pouco mais. Mal dá para uns sacos de lentilhas.

Uma pergunta a Paulo Rangel

Desde que se apresentou como candidato à presidência do PSD, e mesmo sem ter ouvido qualquer debate, já ouvi Paulo Rangel proferir a palavra ‘ruptura’ umas cinco dezenas de vezes.

Com tanta ruptura, não seria melhor Rangel fundar um partido novo?

Sócrates é como o sexo

Se julgam que vou fazer brejeiras comparações entre a fornicação e a governação socialista, desenganem-se porque a minha intenção não é essa.

Olhando para a comunicação social e para a blogoesfera,  somos forçados a reconhecer que, tal como o sexo na publicidade, José Sócrates vende. Está sempre em forma.

Não me refiro às qualidades comerciais de José Sócrates, que as tem, é inegável – veja-se a magnífica campanha feita em El Salvador, em que apresentou e distribuiu na XVIII Cimeira Ibero-Americana, o nosso Magalhães, o nosso portátil “tipo lancheira” que todos os assessores do Primeiro-Ministro usam (ou pelo menos usavam) (ou pelo menos foi publicitado que usavam) (não interessa…). José Sócrates vence e ainda convence, e isso é digno de registo.

Refiro-me mesmo ao facto de que José Sócrates é sempre um tema que suscita interesse, curiosidade, fale-se de suspeitas, de onde faz compras, ou de milhões. Tanto é, que é capaz de arrastar multidões que, de tanto peso – imagine-se! -, fazem cair um servidor, com direito a desabafo.

Sócrates e o polvo das farmácias

Vemos constantemente mexidas na lei dos medicamentos e das comparticipações, como ainda ontem se viu na conferência de imprensa da Ministra da Educação. Como sempre, o Estado vai poupar dinheiro mas os contribuintes, muitos deles desfavorecidos, vão gastar mais.
E continua sem haver uma verdadeira política de apoio aos genéricos. E a venda por unidose continua sem avançar. E a prescrição por denominação comum internacional continua sem avançar. Tudo porque não interessa. Ou às farmácias, ou à indústria farmacêutica.
Ontem, a Ministra da Saúde esqueceu-se de dizer que a margem de lucro das farmácias voltou a ser de 20%, quando antes era de 18%. Num momento de crise, percebe-se mal por que razão há um sector que é beneficiado desta forma em relação aos outros. Subida da margem de lucro nesta altura?
Uma medida tão pronográfica que até a Ministra da Saúde teve vergonha de a anunciar. Mas não há limites para a pornografia de que José Sócrates é capaz, nem mesmo por se ter sabido entretanto que o processo Face Oculta regista as ligações perigosas entre João Cordeiro e o primeiro-ministro.

Ana Paula Fitas no Aventar

O Aventar tem o enorme prazer de anunciar a entrada de um novo elemento, Ana Paula Fitas. Bem podemos dizer que era um sonho antigo do Aventar. O convite já tinha alguns meses, mas só agora se concretizou.
Professora universitária, doutorada em Ciências Sociais, participou no «Simplex», blogue de apoio ao PS nas últimas Legislativas, e mais tarde em «A Regra do Jogo». Mantém o seu blogue pessoal, «A Nossa Candeia».
No Aventar, escreverá sobre o que quiser. Todos sabemos que os seus interesses são muito diversificados e que, no que diz respeito à política, revê-se nas políticas do Governo liderado por José Sócrates. Que seja muito feliz por aqui.

A «tradição» das touradas (Memória descritiva)

No 2º volume dos « Cadernos de Lanzarote», José Saramago reproduz um artigo que publicou na revista Cambio 16. Transcrevo dois trechos:

«O touro entra na praça. Entra sempre, creio. Este veio em alegre correria, como se, vendo aberta uma porta para a luz, para o sol, acreditasse que o devolviam à liberdade. Animal tonto, ingénuo, ignorante também, inocência irremediável, não sabe que não sairá vivo deste anel infernal que aplaudirá, gritará, assobiará durante duas horas, sem descanso. O touro atravessa a correr a praça, olha os “tendidos” sem perceber o que acontece ali, volta para trás, interroga os ares, enfim arranca na direcção de um vulto que lhe acena com um capote, em dois segundos acha-se do outro lado, era uma ilusão, julgava investir contra algo sólido que merecia a sua força, e não era mais do que uma nuvem. Em verdade, que mundo vê o touro?» (…)

«O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer. Terei medo pelo toureiro quando ele se expuser sem defesa diante das armas da besta. Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte».

Quando José Saramago leu o texto a sua mulher, Pilar, disse – «Não podes compreender…” Tinha razão» diz o escritor»Não compreendo, não posso». É sempre o que os defensores das touradas, quando vêem que os seus «argumentos» não são aceites, dizem. Quem acha que as touradas são um espectáculo degradante e advoga a sua proibição imediata «não compreende». Porque, dão a entender, para compreender uma coisa tão poética, tão tradicional, é preciso ter uma sensibilidade especial. Continuar a ler “A «tradição» das touradas (Memória descritiva)”

Faltam 425 dias para o Fim do Mundo:

Hoje o Público faz 20 anos, o que nos faz lembrar como o tempo passa tão depressa. Passadas duas décadas estamos a discutir as estranhas relações do sector empresarial do Estado e a tentativa de silenciamento da comunicação social. E a assistir ao penoso caminho de um cadáver adiado embrulhado nas suas tricas internas. Outras autópsias já estão a ser feitas e pode não parecer mas está tudo ligado…

Desabafo nortenho, mas com classe

As última 48 horas do Aventar foram intensas e mirabolantes.

Passado rebuliço e a ansiedade, é tempo de dar um bom desabafo, à moda do Norte, mas com classe e o som bem alto:

Aventar com Vivaldi


Os homens notáveis são aqueles cujas existências e obras perduram na memória e admiração da humanidade, geração após geração, século após século. Ontem, com o “Aventar em obras”, não tive a oportunidade de homenagear António Vivaldi, nascido em Veneza em 4 de Março de 1678 (4 de Março é também a data de aniversário da minha filha mais nova).
Este género de homenagem a compositores musicais proporciona-me igualmente um sabor especial: o prazer de diminuir todos aqueles que de forma sistemática, na blogosfera ou fora dela, se entregam ao prazer mórbido da cabotinagem.
Apesar da dita homenagem não ter podido realizar-se ontem, aqui, não me dispensei de o fazer hoje com recurso a um video das famosas “4 Estações”.
Vencidos, à primeira hora do primeiro dia da primeira estação, os cabotinos iniciam o regresso à toca, mudos e de orelhas caídas. Coitados! … mas voltam sempre a cabotinar.

Dormi profundamente com o debate

Acordei sobressaltado quando ouvi o Pedro Passos Coelho dizer que os grandes investimentos deviam ser “congelados”. Acordei novamente quando o Rangel dizia que a economia portuguesa só avançou com o PSD no governo ( as estatísticas não enganam…) e o PS no governo só faz o desperdício (bonita maneira de tornar milionários os boys e girls…), entrei em sono profundo quando PPC disse que Sócrates não seria hoje primeiro ministro se MFL se deixasse de “asfixias” e o confrontasse com as contas que todos já sabiam serem um desastre, entrei em fase de “sonânbulismo” quando Rangel que está há dois dias no PSD se fez a herdeiro de Sá Carneiro e acordei a deitar-me da janela abaixo quando ambos se referiram a Sócrates e a Jardim como dois homens de Estado que se puseram de cordo quanto à recuperação da Madeira!

Levantei-me para mijar e dei comigo a pensar que o PPC andou estes anos a preparar-se para ser primeiro ministro, isso vê-se bem na forma como fala e domina os problemas da agenda, e já aliviado, reparei que Rangel tambem mostra que se preparou nos últimos oito dias. Tentando manter a compostura, ainda ouvi o Rangel dizer que os seus perderam as eleições mas ele não estava cá já tinha ganho as suas (dele) para Bruxelas e por isso nada tem a ver com a perdedora MFL.

Ainda fixei os olhos na Ana Lourenço a ver se substituia os pesadelos por sonhos cor de rosa mas foi coisa de pouca monta, apareceu-me o Aguiar Branco a rir às gargalhadas, ele sabe que tem nome de político e estilo, tem uma vida profissional feita, cinco filhos, não precisa de dinheiro, o caminho toda a gente sabe qual é há muitos anos, só Sócrates estúpido  e inculto é que se convenceu que “era o tal” e morreu debaixo da maior escandaleira de que há memória o que não é fácil neste paraíso, ou antes, que era paraíso antes da escandaleira.

Enquanto me mudava para a cama dei comigo a dizer em voz alta, pare-se os investimentos públicos estúpidos, desnecessários e para os quais não temos dinheiro; desenvolva-se o ambiente amigo para as pequenas e médias empresas puderem produzir, inovar e exportar; apoie-se reguladores do mercado fortes e independentes  por forma a que as grandes empresas públicas deixem de nos roubar; reduza-se o Estado às actividades que têm que ser mesmo de um Estado forte, eficaz e sem medo das corporações; devolva-se à Justiça a vergonha e o garbo ; mude-se o processo eleitoral para circulos uninominais; e deixem de nos mentir como se nós todos, só pelo facto de pagarmos impostos , sejamos uma cambada de camelos…

Ainda ouvi as vizinhas do lado, estudantes universitárias, que não conheço, bater com a porta! É isso, bater com a porta!

Gracias, Majestad…


Um simples SMS pode resolver muitos problemas. Por intermédio de várias casas reais – que como se sabe e pelas leis da hereditariedade são todas a mesma, embora tenham nomes diferentes -, tudo se resolveu. O Aventar está de volta e mais risonho que “já-mé“!

Não partilhamos qualquer tipo de teorias da conspiração, porque mais conspiradores que nós próprios, é decerto difícil de encontrar. Contamos entre nós, com admiradores do João das Regras e dos pés-rapados que ilegalmente alçaram o Mestre de Aviz. Temos por aqui, entusiastas partidários do Prior do Crato. Por cá também medram como trevos de três folhas, herdeiros directos dos Conjurados do 1º de Dezembro, da revolta anti-Junot, assim como batedores de palmas à gente do Sinédrio. Numa grande e exultante confusão, cá está a turbamulta anti-Ultimatum, anti e pró 31 de Janeiro. Por aqui grassam admiradores do 5 de Outubro, da Monarquia do Norte e… preferimos- alguns – ficar por aqui, até porque se prosseguirmos, tropeça-se em partisans de Salazar, de Estaline, de Otelo e só Deus, Buda, Javé, Alá, Shiva e Confúcio saberão de quem mais!

A tecnologia do século XXI e as boas relações – à distância …de una tapa – com gente que conta milénios como números de série no B.I., são os recursos de que dispomos. O Aventar cá está uma vez mais… y todo esto gracias a un simple SMS. Gracias Majestad!

* Já agora, não existe alguém que queira blogar connosco e seja apaniguado do Miguel de Vasconcelos?