Está iminente o despedimento da maioria dos professores

Tendo em conta o que se passou na Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), é muito provável que uma grande parte dos professores venha a ser despedida. Tendo em conta as opiniões negativas que muitos docentes têm exprimido acerca de muitas das medidas impostas pelo Ministério da Educação, estará encontrada a justa causa para empurrar para fora da profissão milhares de professores.

Não deve ser original, mas costumo dizer que ninguém é democrata se não for obrigado a isso, o que é o mesmo que dizer que temos tendência para sermos ditadores, a não ser que no-lo impeçam. O portuguesinho tem dentro de si um salazar privativo que enlouquece suavemente sempre que lhe chega um odor de poder, tal como os cães farejam a agressividade e o medo ou os tubarões, ao que dizem, perdem o tino quando há sangue no mar.

Sócrates e seus seguidores amestrados sonham com um mundo em que não discutam as suas afirmações, em que as ordens sejam obedecidas cegamente. Os professores, apesar de tudo, têm sido um problema, porque insistem em pensar pela própria cabeça e em tomar posições (talvez não as suficientes ou as melhores).

É certo que um professor é um funcionário, devedor, portanto, de obediência aos superiores hierárquicos. Infelizmente para os democratas contrariados que nos governam, num país com dez milhões de habitantes, os professores são as 150.000 pessoas que mais sabem sobre os mais variados aspectos da Educação e, diante de tanto dislate governativo, embora tenham algumas dificuldades em falar, sentem ainda mais dificuldade em ficar calados.

Na DREC, um professor foi demitido por ter emitido uma opinião. A coerência obriga a que a maioria dos professores seja demitida.

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