Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar

1. A manifestação é pela demissão de toda a classe política?

Não. Existe um manifesto, onde em parte alguma se fala de tal coisa. Leia-o.

2. Mas então quantas manifestações estão convocadas?

Várias, nas principais cidades portuguesas e mesmo junto a algumas das nossas embaixadas. Houve uma confusão com o grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, o qual já emitiu um comunicado, esclarecendo não estar “de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca. Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março”

3. E o mail que por aí circula com uma série de reivindicações?

Circula por iniciativa de quem o escreveu. Não foi subscrito pelos organizadores das manifestações.

4. Os partidos políticos foram convidados e vão participar?

Os promotores dirigiram uma Carta aberta a todos os Cidadãos, Associações, Movimentos Cívicos, Partidos, Organizações Não-Governamentais, Sindicatos, Grupos Artísticos, Recreativos e outras Colectividades, e irá quem quiser participar. No meio da confusão gerada, era o mínimo que poderiam fazer até para se demarcarem da ligação com a tal demissão de toda a classe política.

5. É verdade que a extrema-direita está envolvida na manifestação?

No facebook aparecerem convocatórias para várias manifestações, e concentrações, algumas claramente conotadas com a extrema-direita. Têm um apoio irrelevante.

6. A manifestação é para que idades? Continuar a ler “Tudo o que quer saber sobre as manifestações de 12 de março e não tem vergonha de perguntar”

Moção de ternura: serviço público de trocadilhos

Paulo Portas nunca perde uma oportunidade de reactivar o director de O Independente que vive dentro de si, tendo, hoje, inventado o trocadilho “moção de ternura”, acusando o Bloco de Esquerda de estar a favorecer o governo. O CDS, certamente para prejudicar o governo, absteve-se, permitindo que a moção fosse chumbada e o governo continue em funções, mesmo que continue a não governar.

O que me traz aqui hoje é poder proporcionar novos trocadilhos para as moções de censura que serão chumbadas durante o ano que se avizinha politicamente agitado. Aqui ficam sete propostas:

1. Moção de tortura – assim poderá ser designada qualquer moção de censura condenada a ser derrotada, permitindo que o País continue a ser torturado pelo mesmo governo que todos censuram, incluindo o Presidente da República;

2. Emoção de censura – há censura e há emoção, haverá queda ou não;

3. Maçã de censura – o partido que propõe a moção será comparado a Eva, ao querer oferecer ao resto da oposição o fruto proibido;

4. Missão de censura – o partido proponente considera que está a cumprir o seu dever de censurar o governo;

5. Micção de censura – nas palavras críticas dos restantes partidos da oposição, a moção não passa de uma mijinha, para além de se acentuar a metáfora excrementícia;

6. Moção impossível – assim será designada a moção de censura que se autodestruirá em pouco tempo.

7. Morcão de censura – embora a expressão seja pouco regimental, caberá a um deputado nortenho classificar assim o adversário que defender mais uma moção que será chumbada.

Professores de novo na rua

Lisboa vai assistir no Sábado à primeira MANIFESTAÇÃO de força dos Professores contra as mais recentes políticas do Governo. O campo pequeno vai ser pequeno para receber os milhares de professores que se vão deslocar de todo o país. A tal poupança de 43 milhões que a Ministra quer concretizar não pode ser feita à custa da qualidade da escola pública, porque aí estamos a colocar tudo em causa.
Este vai ser, certamente, o primeiro dia de muitos outros porque as escolas estão a pegar fogo…

O Discurso do Presidente, com Anos de Atraso

DÉCADA PERDIDA
O senhor Presidente de Portugal tomou ontem posse.
Por essa razão fez um discurso, e a maioria dos comentadores entendeu que foi arrasador para o governo que nos governa, tendo acabado com a cooperação institucional.
Ora se foi assim, e ouvido o discurso, foi assim mesmo, pergunto-me o que terá mudado para que tal tenha acontecido. Ainda não há muitas semanas, a cooperação existia e ninguém queria arrasar qualquer outro ninguém, e os pressupostos agora apresentados já são de todos conhecidos há muitos meses, tendo vindo muitos dos alertas do Banco de Portugal e muitos outros de todos nós, as variadíssimas gerações de rascas e à rasca.
O que mudou foi o mandato do Presidente. Estamos no segundo e último, e durante o primeiro não convinha fazer muitas ondas para assegurar o segundo. Tem sido assim desde há muitos anos. Todos os Presidentes pós revolução assim procederam. Um primeiro mandato frouxo e amorfo e um segundo interventivo.
Falou o de novo Presidente numa década perdida. Não me posso esquecer que dessa década, metade do tempo tivemo-lo como Chefe. É co-responsável com este (des)governo por omissão, e agora, segundo mandato assegurado, quer remediar o erro propositadamente cometido.
Mas não me parece que tenha coragem para, assumindo o que disse deste governo, o despedir. Vai esperar que sejam os deputados da Nação a tomar essa medida.
E por este andar a década vai ter mais anos do que deveria ou poderia ter.
Para que serve então o primeiro mandato presidencial? Para que serve então ter um Presidente em Portugal? Para que nos serve esta República?

Programa de governo do PSD: sempre a matriz empresarial

O PSD pediu a 55 empresários contributos para um programa de governo cuja elaboração está a ser coordenada por Eduardo Catroga. António Horta Osório ( novo CEO do Lloyds Bank), Faria de Oliveira ( CGD), José Maria Ricciardi ( BES- Investimentos), Ferreira de Oliveira ( Galp), Vera Pires Coelho ( Edifer), são alguns dos empresários, de várias áreas da vida económica, que colaboraram com esta iniciativa. Desse pedido resultaram 365 ideias que serão publicadas em livro, com prefácio de Pedro Passos Coelho, que já declarou que o partido não está vinculado a essas ideias, mas que não deixará de “as ter em boa conta.”

Longe de mim desprezar em bloco qualquer contributo constituído por tantas partes. Não posso, no entanto, deixar de começar por notar a omnipresença de Catroga, o homem que cozinhou em sua casa o Orçamento de Estado que está a ser aplicado pelo governo que o PSD critica. Para os mais distraídos, é o mesmo Eduardo Catroga que já foi Ministro das Finanças, no último governo de Cavaco Silva. É o que se chama, certamente, uma lufada de ar fresco no mundo bafiento da política portuguesa.

Finalmente, a matriz dos últimos anos mantém-se. Na opinião de muitos políticos, da extrema-direita à esquerda aparente, a resolução dos problemas do país reside, apenas ou sobretudo, na visão empresarial. Trata-se de um paradigma em que vivemos há vários anos e que, ao que parece, não tem contribuído grandemente para resolver os problemas do País. Segundo esse paradigma, são os empresários que detêm as soluções milagrosas e desinteressadas, porque um país não seria, afinal, mais do que uma empresa.

Sabe-se que chegarão mais contributos com os estados gerais. Não sei se aí, ainda que em segundo lugar, serão ouvidas outras classes profissionais e auscultados outros quadrantes da sociedade. O que se sabe é que o coordenador é António Carrapatoso, gestor e um dos promotores do Compromisso Portugal.

Cavaco vai estar no Campo Pequeno

Quem era o Presidente quando estiveram na rua 100 000 Professores? E quando foram 120 000? E quando foram 80 000?
Mas, ao ouvir o Presidente de alguns portugueses no discurso da sua tomada de posse então podemos estar na presença de uma boa nova. Cavaco Silva vai estar, Sábado, comigo no Campo Pequeno. É um exemplo de cidadania que o nosso (cruzes canhoto!) Presidente vai dar – participar na manifestação de Professores no próximo sábado. Só pode. De certeza que era isso que ele queria dizer no discurso… De certeza…

Comunicado do grupo 1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política

Comunicado 8 de Março 2011

Vimos esclarecer o seguinte:

1 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, ainda NÃO tornou pública qualquer iniciativa de rua.

2 – O grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, NÃO está de forma alguma ligado à organização do protesto “geração à rasca.

Enquanto movimento livre e espontâneo de cidadãos, este grupo desde a 1ª hora se solidarizou com o protesto, divulgando e incentivando os seus membros participarem da manifestação do dia 12 de Março

3 – Email “Chegou a Hora”

A mensagem de correio electrónico de 30 pontos que tem circulado nos últimos dias no ciberespaço NÃO É um manifesto do grupo “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”. Continuar a ler “Comunicado do grupo 1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”

Porto Boavista

Avenida da França, Linha da Póvoa e Guimarães, 1968; esquerda é visivel a anterior estação terminal Porto Boavista. À cabeça de um comboio muito provavelmente oriundo da Póvoa de Varzim, a locomotiva E141, de fabrico alemão, da série mais potente das vias estreitas portuguesas. Poucos anos faltavam até que começassem a concorrer directamente com locomotivas a diesel. Não perdiam a corrida, diz quem sabe.