Há poucos jornais excelentes em Portugal

A arte de criar títulos jornalísticos não é fácil, já se sabe: obriga a manter o equilíbrio entre o rigor e a criatividade, entre a honestidade e a sedução, ingredientes que, ao mesmo tempo, possam informar e atrair o leitor.

No i de hoje, sem acesso à edição online até ao momento, a primeira página tem um título apelativo: “Avaliação. Há poucos professores excelentes nas escolas”. Depois de seis anos de reclamação e vociferação, não deixaria de ser escandaloso que, afinal, se descobrisse que a excelência docente era diminuta. Mesmo sem estar terminado o processo da chamada avaliação de professores, o i parece já possuir todos os dados que lhe permitem fazer uma afirmação destas na primeira página.

O Paulo Guinote já comentou. Mesmo correndo o risco de o repetir, convém relembrar que a imposição de quotas obriga a que o número de professores considerados excelentes seja sempre diminuto. Por outro lado, com um método de avaliação mal concebido, ser considerado excelente pode ser diferente de ser excelente. Para além disso, muitos professores excelentes recusaram-se a participar numa avaliação que não o é. Conclui-se daqui que continuaremos sem saber se há muitos ou poucos professores excelentes, a não ser nos títulos dos jornais sensacionalistas produzidos por quem não quer pensar e lidos por quem fica, afinal, impedido de pensar.

A Educação continua a ser um tema maltratado e mal tratado, com muitos ignorantes atrevidos que opinam sobretudo sobre o que não sabem, alguns deles erigidos em directores de jornais. Entretanto, todos os que trabalham nas escolas continuam a mitigar, com dificuldades cada vez maiores, os efeitos nefastos que as asneiras governativas e a ignorância jornalística têm sobre o sistema educativo.

A avaliação dos professores, esse gambozino

Leiam, por favor, este texto que só podia sair das mãos clarividentes do Rui Correia. Depois de ler, tentem responder à pergunta final e aproveitem para confirmar que andamos, há anos, a ser cúmplices da destruição da Educação de um país.

É o tempo, estúpidos!

Antes de começar: não me interessa entrar em nenhuma competição para descobrir se há classes profissionais mais prejudicadas do que outras. Não ignoro que há quem viva muito pior do que os professores, mas os que estão pior do que nós não nos devem impedir de falar dos nossos problemas. Finalizando este intróito, os problemas dos professores vão para além de questões meramente corporativas: é a Educação que está em causa.

Terminados os preliminares, passemos ao acto.

Os professores, ao longo de vários anos, têm visto as suas condições de trabalho serem lesadas, nomeadamente, através de uma sobrecarga com tarefas de cariz administrativo. Para além disso, não é de mais relembrar que os professores pagam, do seu bolso, tudo o que implica deslocações e alojamento, para além de terem de comprar muito do material necessário ao seu exercício profissional, financiando, na prática, a empresa para que trabalham. Como se isso não bastasse, ainda foram alvo de congelamentos vários, reposicionamentos na carreira, diversos aumentos de impostos e cortes salariais.

Uma reportagem de hoje sobre as tão célebres quão esquecidas aulas de substituição já foi comentada pelo Paulo Guinote, que deixou, igualmente, um desafio. A propósito disso, e muito brevemente, quero só lembrar que aos professores foi retirado, com destaque para os últimos seis anos, o bem mais precioso da profissão: o tempo. [Read more…]

A avaliação dos professores pelos seus alunos

Acho que nunca escrevi sobre isto, ou seja sobre o que tecnicamente se chama Avaliação do Desempenho Docente. A publicação pelo Paulo Guinote de um formulário de avaliação dos professores, a ser preenchido pelos alunos, e a discussão que se lhe seguiu, levam-me a fazê-lo agora. [Read more…]

Avaliação dos professores não é o único problema

Face à decisão do Tribunal Constitucional, o eleitoralismo falará ainda mais alto que o costume e o PSD já acorreu a prometer a revogação. Não me parece nada descabido que os professores pressionem, até dia 5 de Junho, os partidos, obrigando-os a assumir compromissos e concordo com o Paulo Guinote: não há que ter medo de sermos acusados de corporativismo.

O discurso simplório dos políticos atribui um valor completamente negativo às corporações (não por acaso, o blogue oficial clandestino do poder dito socialista tem o nome que tem). No entanto, o corporativismo é uma espécie de instinto de sobrevivência das classes profissionais: a perversão estará sempre no seu excesso ou na sua ausência.

De qualquer modo, é importante relembrar que a avaliação dos professores é um dos muitos problemas da Educação. Num país com um défice cívico que tem levado a população a alhear-se de tudo o que vá para além dos erros de arbitragem no futebol, num país tão desgovernado, tão longe de qualquer planeamento mínimo, a corporação docente deveria saber explicar à população quais são os problemas da Educação.

Avaliação dos professores vai para o Tribunal Constitucional: uma coligação negativa contra a Educação

Cavaco Silva remete suspensão da avaliação dos professores para o TC

Os inimigos da Educação detêm, há vários anos, o poder de decidir sobre a Educação. Com o Cavaco primeiro-ministro começou o descalabro da obsessão com o sucesso estatístico. O mesmo Cavaco, agora presidente, continua a pôr-se ao lado de uma política contra a Educação, porque, como demonstra aqui o Paulo Guinote, o pedido de verificação de constitucionalidade constitui uma machadada na primeira possibilidade de dar às escolar um primeiro momento de tranquilidade ao fim de seis anos, de conceder aos professores tempo para se preocuparem com o essencial, em vez de continuarem a andar preocupados com um modelo que pode ser de muita coisa, mas não é de avaliação, ao contrário do que afirmam todos os ignorantes atrevidos que insistem em escrever e em falar sobre o que não sabem.

As reacções de CDS e PSD são frouxas, o que não é de admirar, vindo de partidos que votaram a revogação por meros motivos eleitoralistas. A Isabel Alçada, essa insignificância, vê nisto uma boa notícia, mas outra coisa não seria de esperar de quem vê boas notícias em tudo o que seja nocivo para a Educação.

Portugal, no âmbito da Educação, vive em crise há dezenas de anos. Quando se esperaria que a Democracia viesse resolver esse problema, uma coligação negativa tem torpedeado aquilo que devia ser o fundamento de um país. Políticos incompetentes e desavergonhados, produtores de teorias educativas deslumbrados com a sua própria vacuidade vaidosa, comentadores ignorantes e sindicatos distraídos ou colaborantes fazem parte dessa coligação, mas o pior é que a Educação não é uma prioridade cívica de cidadãos que preferem indignar-se com os erros dos árbitros no futebol.

O Sócrates insistirá em não avaliar o trabalho dos professores

 

Ponto prévio: Fui ensinado a não usar o artigo definido como manifestação de respeito pelas pessoas sobre as quais se escreve. Já que não posso ou não devo transcrever todos os nomes feios que profiro diante da repetida desonestidade do Sócrates e dos seus apaniguados amestrados, e enquanto esta gente sinistra que não me merece respeito não for expulsa da política, não deixarei de lhes antepor o artigo definido.

 

Para os comentadores modernaços, a maior manifestação da qualidade de um político é, simplesmente, atacar as corporações. É desses ataques que se faz a hagiografia do governante, esse ser tão corajoso quanto o era o rei cristão que, na historiografia fascista, afrontava, sozinho, milhares de mouros enraivecidos que se babavam com a antecipação de destruir a cidade, o país, o universo. É, portanto, com os olhos em alvo, que o comentador modernaço se ajoelha diante da coragem com que o Sócrates e a Maria de Lurdes Rodrigues atacaram, finalmente, os professores, a nova mourama cujo único objectivo é parasitar o Estado. [Read more…]

José Leite Pereira: a esquerda é sinistra e a democracia uma chatice

(…) o perigo que o país atravessa passa também por aqui: o de não se perceber ou não se aceitar a vantagem que temos em estar na Europa e com o Euro, e sermos atirados para uma deriva de esquerda que torne o país ingovernável e nos afaste dos padrões ocidentais que são os nossos. É bom recordar que a Europa apenas nos pede aquilo que lhe fomos pedindo emprestado.

José Leite Pereira, o director do JN, vive, por estes dias, inseguranças terríveis, à espera de saber para que lado penderá o poder, problema fundamental para quem tem como critério editorial ajoelhar-se. Diz o iluminado director que a Europa corre o risco de ser atirada para uma “deriva de esquerda”. Percebo que andar à deriva seja um problema, independentemente de o barco inclinar mais para estibordo ou para bombordo. A parte mais engraçada do texto do ajoelhado comunicador social surge quando afirma que, graças à possibilidade dessa deriva sinistra, se corra o risco de ficarmos com um “país ingovernável”, afastado dos “padrões ocidentais que são os nossos.” O genuflectido dirigente não se terá apercebido de que o país já está ingovernável? Tanta ajoelhação não terá permitido a esta admirável criatura verificar que essa mesma ingovernabilidade nasceu de anos de derivas, com o barco a inclinar muito ou muitíssimo para a direita? [Read more…]

O vírus da avaliação dos professores

Imaginem que têm uma infecção. Imaginem que um médico, ou seja, um especialista na matéria, vos diz que, se a infecção não for tratada, ficarão sequelas graves no vosso organismo. Pergunto-vos, leigos que sejam: pensam que a infecção deva ser tratada o quanto antes ou preferem ficar à espera, como a nêspera?

Os professores e outros especialistas na matéria têm vindo a afirmar, há vários anos, que os modelos de avaliação docente impostos pelo poder socrático estão carregados de defeitos terríveis que dificultam artificialmente a actividade dos professores, com efeitos mediatos e imediatos na qualidade do ensino ministrado aos alunos. A que propósito, então, é que se deve ficar à espera de que esta infecção chamada ADD afecte inevitavelmente o tecido escolar? Qual é a utilidade de prolongar uma situação cujas consequências são conhecidas pelos especialistas?

a incompetência de uma ministra, a aparente sede de poder de alguns serventes e o ressabiamento de um grupo parlamentar que bombardeou a Escola Pública é que podem explicar as argumentações e as reacções delirantes contra a recente e festejada revogação. Entre outras possíveis, proponho a leitura deste texto, em que é comentada a frase alçadiana “Não se interrompe um processo a meio do ano lectivo”.

A luta dos professores e de todos aqueles que estão verdadeiramente preocupados com os problemas da Educação ainda não acabou. No que se refere à avaliação do trabalho docente, é importante que se inicie um verdadeiro debate, com tempo e rigor, de modo a criar um modelo eficaz e justo.

Sem palavras

Está iminente o despedimento da maioria dos professores

Tendo em conta o que se passou na Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), é muito provável que uma grande parte dos professores venha a ser despedida. Tendo em conta as opiniões negativas que muitos docentes têm exprimido acerca de muitas das medidas impostas pelo Ministério da Educação, estará encontrada a justa causa para empurrar para fora da profissão milhares de professores.

Não deve ser original, mas costumo dizer que ninguém é democrata se não for obrigado a isso, o que é o mesmo que dizer que temos tendência para sermos ditadores, a não ser que no-lo impeçam. O portuguesinho tem dentro de si um salazar privativo que enlouquece suavemente sempre que lhe chega um odor de poder, tal como os cães farejam a agressividade e o medo ou os tubarões, ao que dizem, perdem o tino quando há sangue no mar.

Sócrates e seus seguidores amestrados sonham com um mundo em que não discutam as suas afirmações, em que as ordens sejam obedecidas cegamente. Os professores, apesar de tudo, têm sido um problema, porque insistem em pensar pela própria cabeça e em tomar posições (talvez não as suficientes ou as melhores).

É certo que um professor é um funcionário, devedor, portanto, de obediência aos superiores hierárquicos. Infelizmente para os democratas contrariados que nos governam, num país com dez milhões de habitantes, os professores são as 150.000 pessoas que mais sabem sobre os mais variados aspectos da Educação e, diante de tanto dislate governativo, embora tenham algumas dificuldades em falar, sentem ainda mais dificuldade em ficar calados.

Na DREC, um professor foi demitido por ter emitido uma opinião. A coerência obriga a que a maioria dos professores seja demitida.

Comunicado do Ministério da Educação sobre o 1º ciclo de avaliação do desempenho docente

Completando as palavras dos sindicalistas à saída das reuniões de hoje, transcreve-se uma comunicação enviada esta tarde às escolas. O meu comentário é só este: gramava ser um dos professores que por não terem entregue os Objectivos Individuais foram impedidos pelos Directores de entregar a ficha de auto-avaliação, e como tal não foram avaliados. Gramava, porque amanhã me ia rir na cara de um adesivo qualquer mais papista que o Papa

 

O 1º ciclo de avaliação do desempenho docente prossegue e conclui-se, nos termos da lei, até 31 de Dezembro de 2009.

  • Todos os docentes serão avaliados no âmbito do 1º ciclo de avaliação desde que se tenham apresentado a avaliação na primeira fase desse processo, tal como identificada na alínea a) do Artigo 15º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro e como tal mantida no chamado procedimento de avaliação simplificado, nos termos da alínea a) do nº 2 do Artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 11/2008, de 23 de Maio.
  • Assim, a apresentação do avaliado à primeira fase do processo de avaliação concretiza-se através da entrega da ficha de auto-avaliação, que é legalmente obrigatória (conforme dispõe expressamente o nº 2 do Artigo 16º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro), ainda que não tenham apresentado previamente, no prazo previsto, a respectiva proposta de objectivos individuais.
  • Nos termos da alínea a) do nº 1 do Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, a avaliação de desempenho tem sempre por referência os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
  • Quando estejam fixados objectivos individuais, o grau de cumprimento desses objectivos constitui, nos termos do Artigo 10º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, referência essencial da classificação atribuída em relação aos parâmetros a que tais objectivos se reportem.

Jogada de Mestre

.

PSD DEIXA CAIR SUSPENSÃO

.

Num repente, deixa de ser o CDS a mandar na oposição ao governo, e volta o PSD a estar na ribalta, ao fazer com que o governo não «perca a face».

Ao propor uma substituição em vez de uma suspensão do modelo de avaliação dos srs professores, fez uma jogada de mestre, fez uma aliança estratégica com o PS, e deixou o resto da oposição de cara à banda.

.