O reino de Galiza

a galiza de sempre

Parte de um de vários livros meus, escritos sobre Galiza, ao longo de 40 anos de trabalho de campo….este troço é do texto de 1998: Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, Profedições, Porto…. Texto que contextualiza a vida da filha de Hermínio Medela e a sua mulher, Esperanza Dobarro, a minha colaboradora na Paroquia de Vilatuxe, Concelho de Lalín, Província de Pontevedra Alta: Pilar Medela de Batán.

O reino da Galiza tinha já sofrido diversas invasões. Como nas lembranças sociais de Victoria do Chile, nas de Pilar há também uma memória social que as repete. Mas, ao contrario que no caso de Victoria e os seus pares. Porque para Victoria, a Conquista é

uma bênção que permite que um povo Nativo, seja primeiro um Reyno, depois um Estado e República independente, autónoma. O que, como Pilar, a sua família e os seus pares, sabem que não é assim na Galiza. A Galiza é Celta, é romana, é sueva, é visigótica, é castelhana, é lusa, é espanhola, é autónoma, como Estado parte do Estado Espanhol, a traves dos séculos antes de Cristo e o dia de hoje. Quando a dita autonomia permite que a língua galega seja também língua oficial, em conjunto com a Castelhana. E a lei Galega, não o Estatuto de Castelão que o meu amigo Ramón Pinheiro defendeu até a sua morte, uma lei directa, própria, sempre subordinada a lei geral do Estado Espanhol e às unhas leis específicas que o Estado central, assina como: Yo, el Rey. Embora saibam Victoria e Pilar, ou não saibam, os factos do Reino Espanhol, da Monarquia Espanhola, são comuns para os dois Reinos, o de Chile até 1818, o da Galicia até sempre. Porque a invasão Napoleónica a Espanha, alastra ao Rei Fernando VII ao seu cativeiro de Paris, onde muito bem fica, faz-se revoltar ao Reyno de Chile que aderia à Coroa e à pessoa do Rei, e causa o seu afastamento de dita Madre Pátria, porque já não há proprietário, o Monarca. O que serve para basear a Independência na hoje América Latina, o que serve para começar os levantamentos contra os direitos senhoriais da Galiza, contagiada pelo liberalismo francês da revolução burguesa do Século. XVIII. Contagiada de tal forma, que começa, saiba Pilar ou não, a existir resistências aos direitos senhoriais que a Coroa outorga aos seus membros da nobreza. Bem que no Reyno do Chile a propriedade é encomendada a um numero da famílias em conjunto com os índios, na Galiza a terra é encomendada a membros da denominada aristocracia ou de títulos que, por séculos, têm permitido gerir a terra a nome da Coroa, fosse quem fosse o detentor da mesma. O direito foral galego existe, desde o Século VI, como tenho já referido em documentos que transferi a letra impressa (1977, 1979, 1988, o primeiro publicado pelo Museu do Pobo Galego, o segundo pela Cambridge University Press, e o terceiro, é este de que trato hoje). Os proprietários das terras reconhecem a propriedade superior da raiz do Direito, à Casa de Lemos e de Alba no século XVIII. Proprietários que têm o direito a usar a terra como deles próprios, a transferi-la, a transmiti-la, a vende-la, a acrescenta-la, sempre que estejam, ano após ano, a pagar unha importância em bens que é entregue no dia combinado, o dia da colheita, o dia do Santo da Colheita, São Lorenzo de Vilatuxe. Foro que é a licença para usar as terras do Conde-Duque de Lemos na Galiza, Duque de Alba no Estado Espanhol, parentes, sem eles saber, do meu hóspede em Vilatuxe, Hermínio Medela -, que pela sua vez paga ao Monarca os seus Direitos por ser o Senhor desses domínios. Ainda hoje, como imposto.

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