Chamem a polícia, que eu não pago

Começou então o ataque às dívidas soberanas. Aproveitando os absurdos institucionais europeus e a certeza de que na Europa cada um trataria apenas de si, as economias mais frágeis do euro foram a vítima preferencial. O que não foi sacado através das ajudas públicas foi-se buscar através de juros usurários. Basicamente, as economias mais frágeis passaram a trabalhar para pagar uma mesada à banca, pedindo emprestado para pagar os juros. E quanto mais pedem mais os juros aumentam, numa espiral que só acabará quando todo o sangue for sugado.

Excelente texto do Daniel Oliveira. A Associação do Amigos dos Banqueiros Desvalidos e seus Mercados vai comentando, já sem um único argumento, desde que a Irlanda começou timidamente a dizer não. Da mesma forma que muitos deles meses atrás apenas pediam cortes na despesa, e hoje já descobrem que sem crescimento económico não há solução, mais uns tempos e veremos a direita a descobrir em si um João IV que lhe restaure o lusitanismo. Tal como em 1638/40, basta aos donos de Portugal sentirem-se acossados pelas ruas, e espero que pelos votos, e o milagre da transmutação dos que agora querem vender a pátria em ferozes patriotas voltará a ocorrer.

Neste caso a História não se repete só duas vezes, está sempre a repetir-se.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.