A degradação das contas públicas

Os nossos amigos escritores de guiões políticos saíram-se com esta:

Está a falar (…) daquele político [Sócrates] que recebeu em herança um país destroçado pelos governos PSD/CDS-PP e que, após colocar o défice abaixo do limite imposto no PEC (pela primeira vez em Portugal), levou em cima com a maior crise financeira e económica dos últimos 80 anos.

Há dois aspectos a considerar. Primeiro basta reparar, no gráfico seguinte, que desde 1975 e salvo um breve período, a dívida pública não parou de crescer a pique. Houve ali aquele patamar de 1985 a 2000, correspondendo aos rios de dinheiro que vieram da “Europa”, mas de 2000 em diante voltou-se ao mesmo, que foi gastar mais do que se tinha. Ora, Sócrates em 2005, 2006 e 2007, quando não havia crise financeira ou económica alguma, o que é que fez? Simples, continuo a gastar mais do que tinha. Portanto, levar com a maior crise dos últimos 80 anos teve o impacto que teve porque (entre outras más opções) o endividamento foi descontrolado. Claro que é mais conveniente passar a culpa para os “outros”.

Dívida Pública em percentagem do PIB 1850-2011

Dívida Pública em percentagem do PIB 1850-2011 –  Gráfico parte do livro “Portugal na Hora da Verdade”, de Álvaro Santos Pereira, a sair dentro de duas semanas.

Em segundo lugar, há que esclarecer essa história do histórico défice baixo.

Dívidas das empresas públicas em percentagem do PIB

Dívidas das empresas públicas em percentagem do PIB (PPP não
incluídas), parte também do já referido livro

Como se vê, é muito fácil conseguir um bom número para o défice. Basta não pagar a quem de direito.

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