No Centenário da Lei da Separação Igreja-Estado

Um interessante artigo de Pedro Picoito, traça o quadro geral da lei que envenenou as primeiras décadas do século XX português. A sua promessa ajudou a destruir a Monarquia Constitucional, a sua promulgação esmagou a 1ª República e ajudaria à instauração da 2ª República, conhecida como Estado Novo. Para que Portugal não esqueça.

Comments


  1. Este post é puro revisionismo histórico: a 1ª República caiu depois da crise que se instalou com a participação de Portugal na 1ª guerra mundial. O Nuno Castelo-Branco está a precisar de ler livros de História em vez de dar ouvidos a quem lhe conta estórias…


  2. Aliás, o post do Pedro Picoito não faz qualquer referência à queda da 1ª República. I rest my case…

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    Seguirei o seu conselho e continuarei a ler, como habitualmente faço todos os dias. Note que a 1ª República caiu na desordem antes da I Guerra Mundial, pois desde cedo se iniciaram as clivagens de foro político e o que não é de somenos importância, social: greves, confrontos físicos generalizados, agravamento das condições económicas, fuga em massa para o estrangeiro, ataque cerrado à imprensa, etc. A guerra agravou todo o conjunto, como seria óbvio, até porque a razia nos quadros militares, teve as suas desastrosas consequências em todas as frentes de combate. O Movimento das Espadas, bem cedo no alvorecer do regime, já denota o estado geral do país e a forma como Pimenta de Castro foi deposto – com uma quantidade inacreditável de mortos -, também apontou o caminho que se repetiu até ao golpe que liquidaria aquela situação. O autor do texto focou apenas a questão religiosa e neste aspecto, o Hakeem tem razão, pois muito mais havia para dizer. Este problema, criado ao longo de propaganda radical que já vinha das últimas décadas da Monarquia, consistiu num factor decisivo, disso não existe qualquer dúvida. É central, invadiu a esfera política e é obsessivo para os historiadores aggiornados – esses sim, são os revisionistas, apresentando um El Dorado que jamais existiu! – e bem vistas as coisas, creio que o republicanismo do final de oitocentos, cumpriu a evolução de uma forma de sebastianismo. Mas este, acabou em vários Alcácer Quibir e os dias de hoje são mais um aspecto dessa nebulosa tradição.


  4. Isso é a interpretação do Nuno Castelo-Branco dos acontecimentos. Os problemas políticos com a Igreja Católica já vinham desde o tempo das guerras absolutistas. A Igreja nunca aceitou qualquer diminuição do seu poder político e, além dos problemas que arranjou à monarquia constitucional, depois não descansou enquanto não acabou com a 1ª República. Facilmente se percebe que a Igreja foi, e atrevo-me a dizer que continua a ser, um dos grandes focos de instabilidade política em Portugal, e se houve (e há) radicais anti-Igreja isso deve-se à atitude da própria Igreja. A Igreja colocou-se ao lado de absolutistas e de ditadores, contra liberais, republicanos e democratas. Não foi neutra no confronto entre estas correntes sociais, e imagine-se a quantidade de vidas que se teriam poupado se a Igreja não tivesse optado pelo confronto e pela manutenção do seu status-quo. Depois teve a resposta natural de quem foi colocado na pele de inimigo. E é também aqui que discordo do P. Picoito: a laicidade não deve nada à Igreja, pois por vontade dessa organização nunca teríamos um Estado laico.

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