Quem se mete com o P Sócrates…

“Quem se mete com o PS, leva”, sentenciou há anos o truculento socialista, agora gestor da Mota-Engil, Jorge Coelho. A ameaça visava, então, gente exterior ao partido. Hoje, é mais abrangente. Levam também os que ousam desafiar o PS de Sócrates, com honestidade e verdade. Caso de Ana Paula Vitorino, uma socialista com mais de 20 anos de militância.

Ana Paula Vitorino denunciou ao Ministério Público que “Mário Lino, então ministro das Obras Públicas, lhe tinha dito que Godinho era “amigo do PS”, tentando sensibilizá-la para os problemas do empresário”.

Dos interesses do sucateiro e de quem mais esteja envolvido no caso ‘Face Oculta’, embora com a tradicional lentidão da justiça portuguesa para este tipo de processos (com o BPN e gente afecta ao PSD é o mesmo), acabará por ser divulgada parte da verdade, esperamos. Custa, no entanto, saber que uma ex-governante honesta e corajosa, capaz de enfrentar interesses espúrios, tenha sido afastada dos órgãos de topo do partido: secretariado e comissão política . Tão só porque se atreveu a agir com seriedade.

Contínuo, pois, a perguntar: “Que PS é este?”. E, desta vez, respondo: é o PS do eucalipto  José Sócrates. Prefere sacrificar uma militante de irrepreensível postura e desde sempre socialista, favorecendo a posição de Mário Lino, ex-militante do PCP, cujo currículo nunca engana. Ou dito à francesa: “Jamais!”.

Aproveito para revogar o que aqui escrevi sobre Manuel Alegre; de quem, aliás, fui activo apoiante em 2006 e, entretanto, desiludido por sucessivas contradições e incongruências. Ao contrário do que foi anunciado após o Congresso de Matosinhos, o poeta não integrará a Comissão Política do PS. Oxalá assim seja. À semelhança de João Cravinho, António Arnaut, Ana Gomes, Fonseca Ferreira e alguns mais, o PS deverá manter um núcleo de reserva ética e moral. E Alegre terá aí o seu espaço, apesar de tudo.

Comments

  1. Ana Campos says:

    Quando as pessoas se sobrepoem aos principios , quando um partido deixa de ser um espaço conjunto de reflexão e trabalho para ser um clube com adeptos e estrelas, quando tudo gira à volta de interesses e se esquece o país, quando a corrupção se torna tão natural que o estranho é a atitude de Ana Gomes, e estariamos aqui utilizando o quando dezenas de vezes e não ficaria tudo dito, estamos mesmo em crise que ultrapassa em muito a económica para abraçar a moral/etica, a mentalidade e os valores. Valham nos essas reservas que vão sobrevivendo. Até quando esta mediocridade?

  2. Carlos Fonseca says:

    Ana Campos,
    Creio também que é redutor desqualificar por inteiro o corpo de militantes de um partido. Em todos, rigorosamente todos, há maus e bons, piores e melhores. O PS e o PSD, cuja dimensão e a influência na vida política têm sido signficativas, tornaram-se coutadas dos piores. A despeito disto, ainda há vozes que se fazem ouvir e merecem respeito. Ana Gomes, em minha opinião, é uma delas.
    “Até quando esta mediocridade”? Não sei precisar. Acredito, porém, que como tudo na vida terá um fim. É necessário lutar.

  3. jorge fliscorno says:
  4. Carlos Fonseca says:

    Jorge,
    Claro que poderia ser mais explícito quanto a Sócrates e a Face Oculta. Preferi, neste caso, centrar o texto em Ana Paula Vitorino e Mário Lino, realçando a posição que Sócrates. Todavia, há dias, noutro ‘post’ para o qual fiz ‘link’, “Que PS é este?”, elenquei os actos censuráveis do ainda PM, incluindo uma citação a ‘negociatas e trapalhadas’.
    Mas fizeste bem lembrar.

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