Nas próximas eleições vou votar… (I)

Voto desde 1992 e nunca faltei. Só votei em dois partidos – PS e BE; Para a presidência, só votei em candidatos de Esquerda (Jorge Sampaio e Manuel Alegre!). Umas vezes ganhei, quase sempre perdi…

Mas, terá que haver uma primeira vez… Para não votar. Também me agrada a sugestão de Saramago no “Ensaio sobre a Lucidez”: votar em branco.

Mas, antes, tenho que me decidir e a coisa não está fácil.

E para me organizar, vamos ao ponto de partida:

– que funções deve ter o estado? O que é ou deve ser o estado? Onde deve estar presente e onde deve estar ausente ou apenas a moderar?

Para enquadrar vou usar o exemplo das SCUT – deve o estado garantir um serviço de auto-estradas gratuítas para todos? Se a resposta for sim, pagamos todos, mesmo aqueles que nuca andarão de carro por lá.

Se a resposta for não, pagam os utilizadores. Mas, neste caso, quem pagará a escola? Apenas as famílias com crianças em idade escolar? E os hospitais? Apenas os doentes?

E para mim a resposta é clara – não concordo NADA com a ideia do utilizador / pagador. A sociedade tem que ser mais do que uma simples referência a um conjunto de cidadãos. Para mim, sociedade significa solidariedade e cumplicidades entre as pessoas.

Votarei em quem não defender o princípio do Utilizador / pagador.

Partindo desta ideia solidária para construir o meu país devemos começar a pensar quais são, então, as funções do estado.

Parece-me que as questões da Defesa e Segurança, bem como a Justiça não são, neste momento, para questionar – são monopólio do estado, sendo que sou defensor de uma organização trans-nacional de carácter europeu. Por mim, um exército europeu seria uma opção bem interessante. Sim, percebo aqui uma divergência em relação aos que colocam a defesa como um pilar do estado nação livre e independente, mas sou um defensor do aprofundamento duma visão federal da União Europeia.

Votarei em quem defender que estes pilares serão EXCLUSIVOS do estado!

Ainda no âmbito social, penso que devemos ter três pilares centrais: Educação, Saúde e Segurança Social.

Sempre com base solidária e inter-geracional.

Da Educação Pré-Escolar à Universidade, o Estado deve garantir um serviço de excelência nas SUAS escolas públicas. Pode e deve haver serviços complementares (privados, IPSS, Igreja,…), mas sempre com uma resposta para todos na Escola de TODOS. Quem não quiser ou quiser diferente DEVE PAGAR por completo a sua opção.

Na Saúde defendo que deve haver um sistema de saúde tendencialmente grátis para todos. Não estou nada interessado em conhecer os rendimentos de A ou de B. A saúde deve ser de todos e paga por todos. Quem quiser diferente, paga.

Na segurança social defendo um estado presente e actuante, nomeadamente junto dos mais fracos: crianças e velhos. Defendo uma aposta real e séria nas pensões com uma dimensão intergeracional como tem acontecido nos últimos 30 anos. Concordo com a existência de apoios na doença, no desemprego e até uma percentagem limitada e fiscalizada para os nossos excluídos. Em todas as sociedades há gente de fora, gente que não consegue, mesmo que às vezes até pareça que não quer. Sou da opinião que o RSI deve continuar, mas com maior fiscalização, tal como nos restantes subsídios.

Assim, votarei em quem defender a Escola Pública, o Sistema Nacional de Saúde e a Segurança Social “Pública e de todos”.

Mas, agora fica por responder: quem vai pagar isto tudo?

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