Liberdade

Quando olhamos para o estado em que se encontra a União Europeia, do ponto de vista económico e financeiro, esquecemo-nos do valor mais importante que nos une a todos os países membros: a liberdade –  direito natural, dado adquirido.
Não devemos apenas desejá-la para os outros, mas trabalhar para que ela continue a ser a nossa bandeira, mais que a hegemonia político-económica.
É preciso que os nossos líderes europeus saiam mais vezes dos gabinetes aquecidos e impermeabilizados a tudo e a todos.
Só assim poderão estar próximo dos problemas reais. É perigoso que deixem de se comover, de se impressionar e que se esqueçam das suas origens e do sofrimento por que (também) passaram na luta pela liberdade. Que foram também eles, resistentes e clandestinos correndo riscos pessoais, “na esperança de uma vida mais digna”.
O polaco Buzek, presidente do Parlamento Europeu,  precisou de andar nas ruas de Trípoli, dias após a queda do ditador líbio, para se comover e impressionar “com o olhar tão cheio de esperança e entusiasmo” de um homem que se cruzou com ele e lhe pediu ajuda.
Quando tudo parece pôr em causa a UE, a sua razão de ser e a sua coesão, não nos esqueçamos que somos ricos: temos liberdade de expressão e de imprensa e defendemos eloquentemente o direito à vida e à integridade física. Muitos outros países do mundo anseiam viver em liberdade, por que lutam desesperadamente e são presos. Sofrem pela liberdade como se dela dependesse a sua sobrevivência, como se de pão para a boca se tratasse. É o caso de Ahmed al Sanusi, que esteve 30 anos preso por ter querido derrubar o regime de Khadafi. Receberá o Prémio Sakharov no próximo dia 14, um reconhecimento atribuído por nós, europeus.

Céu Mota

Comments

  1. Zuruspa says:

    Breve dar-lhe-äo novo prémio Sakarovi por lutar contra a ditadura dos talibans do NTC… se estes näo lhe fizerem o mesmo que fizeram ao Kadafi!

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