Desabafos de um português lisboeta

Se fosse o inverso, manifestaria igual repulsa. Preocupa-me a coerência.

Episodicamente mas de forma ofensiva do conceito de justiça,  a mistificação de que Lisboa e naturalmente os  naturais da capital  dominam o País é mesmo isso, uma mistificação, de uso fácil ao utilitarismo populista e ao jeito de quem utiliza a vitimização como arma – de Pinto da Costa a Alberto João Jardim. Do futebol à política.

Há múltiplos exemplos histórico-políticos da falsidade do pressuposto: Salazar, de Santa Comba Dão, companheiro e amigo do Cardeal Cerejeira (Vila Nova de Famalicão), é uma das múltiplas e penosas provas: 48 anos é muito ano! Cavaco veio da algarvia Boliqueime e governou o País durante uma década. Depois veio o lisboeta de Santos-o-Velho Guterres, com genes da Cova da Beira (Donas), seguindo-se Barroso (Nascido em Lisboa) mas reclamando raízes transmontanas. Sócrates, que a seguir nos calhou em sina , nasceu no Porto, mas toma os  afectos de Vilar da Maçada (Vila Real). Hoje temos um Coelho, conimbricense de origem, mas infante em Angola – Silva Porto e Luanda.

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Pior a emenda que o soneto

Boa música

O fadista Camané, na sua modéstia, típica dos portugueses, afirmou que ” è uma honra ser candidato [ao Óscar de Melhor Canção Original] ao lado de Lady Gaga e Elton John”.
Pois eu corrijo: devia ser, para os segundos, uma honra estarem ao lado de Camané. Em que é que a música de José Mário Branco e o poema de Manuela de Freitas (partindo das ideias de José Saramago sobre a vida e a morte) têm a menos que a música de Lady Gaga e Elton John? São, pelo contrário, muito superiores.
Espero que vença a profundidade, a contenção e a sensibilidade do nosso fado, eleito há pouco Património da Humanidade.
Espero que a Academia de Hollywood comece a ter bom gosto e a educar o grande público para apreciar a música de qualidade (e mais exigente) e, já agora, diferente!
Sei de um rio, por exemplo, a gente ouve e ouve e não cansa:

Cada cavadela, cada minhoca

Há professores a mais?

Dizem que sim, tenderá a haver porque a demografia isto, porque se fazem menos portugueses, aquilo. E assado. Será muito difícil perceber, seguindo os dados mais actualizados, que temos

matriculados no 3º ciclo 379229
alunos, mas no Secundário apenas 197582
igualmente distribuídos por 3 anos, o que dá um diferença de menos 181647?

É que o Secundário passa agora a obrigatório, ainda não se percebeu bem como mas passa, e não sendo de prever que esses 181647 concluam todos o 12º ano digamos que 150000 novos alunos precisam de uma data de professores, que podem muito bem ser recrutados entre os do 2º e 3º ciclo que entretanto  levam com a tal demografia, ou seja, se há ameaça de desemprego entre os professores nos próximos tempos tal vai acontecer no 1º ciclo, não vou sugerir que passem para o pré-escolar mas pessoalmente preferia lidar com bébés a viver sob o regime do Presidente Zédu.

A menos que Passos Coelho tencione suspender o Ensino Secundário obrigatório e o esteja a afirmar indirectamente, mas isso seria tão grave que não me atrevo a imaginar tanto.

Já agora, também não conheço o Paulo Guinote pessoalmente, e também não leio blogues. Constato é que os socretinos manipulavam números mas ao menos conheciam-nos, dos insurgentes passistas não se pode dizer o mesmo.

Governo português vende EDP ao governo chinês

Uma empresa que toma o nome da maior barragem do mundo, a Three Gorges  faz temer o pior.

EDP ou a “Casa Amarela”.

A EDP, que tenta ocultar o seu carácter empresarial feroz com a pele de um cordeiro filantropo, anda a pintar barragens de amarelo, sob o pretexto de Arte pública ou activo turístico. O Henrique Pereira dos Santos, consegue por-se na pele do lobo e chama-se a si próprio o conservador contraditório (eu chamaria a isso ser do contra, quando todos estão a favor e estar a favor quando todos estão contra). Eu acho que a EDP nos anda a roubar há tempo de mais. Com a agravante de pagar a alguém 150 mil euros (!) para gozar connosco em tom de amarelo. É como escrever num muro, em letras garrafais: ide-vos ****. Isto também pode ser considerado arte, pois as palavras também combinam bem com a natureza. Juízo! Até a população, que costuma usar a mesma paleta de cores que o Cabrita Reis nas fachadas das casas, acha a cor um asco. Uma habitante local chega mesmo a comparar o flagrante mau gosto com a bandeira nacional que podia lá ser colocada e tinha o mesmo efeito repelente. Não bastava a auto-estima deste país litoral estar em baixo, ainda vão ao interior atemorizar os pobres autóctones com a cor da loucura.

A Razão

adão cruz

A razão

tamanho de todos os céus no silêncio de sonho-menino os olhos cheios de serenas manhãs na frouxa luz do fim da tarde.

 A razão

palavra que se prende por entre as folhas dos álamos a doce margem de um regato no sobressalto do pensamento.

 A razão

saber se o tempo vai se o tempo vem no calendário do sonho não dar contas ao tempo de um tempo que se não tem.

 A razão

semente branca da vida no fruto maduro da tarde a esperança dos olhos frios na quente ilusão de outro dia.

 A razão

três lágrimas vertidas na corrente do alto rio um redemoinho de pedra e água brincando à beira do abismo.

 A razão

coração bem apertado nos braços da solidão a felicidade cantada sem voz nova na garganta.

 A razão

a firmeza do vento no rio que não volta atrás …ou a leveza do luar nas margens da sombra.

 A razão

coração cravado na erva espantalho de emoções longos braços de palha entrelaçados de ilusões.

Estátua ao Emigrante

Estação de Lisboa Santa Apolónia, versão Kaos.

Hoje dá na net: Animal Farm (O Triunfo dos Porcos)

Animal Farm (O Triunfo dos Porcos)

Aninal Farm (O Triunfo dos Porcos) é uma alegoria da autoria de George Orwell sobre o que se passou na Rússia entre 1917 e 1943. É também, para mim, a forma de me recordar que uma revolução é a melhor forma de tudo mudar sem nada se alterar.

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